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Petrobras Novembro 2026: Produção Recorde e Balanço do 3T26 contra o Choque Político da Reeleição

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A Petrobras entra em novembro de 2026 com o melhor momento operacional da sua história recente, mas com a ação sob o impacto do resultado eleitoral. A reeleição de Lula, em 25 de outubro, contrariou o cenário-base do mercado e provocou forte reprecificação: no dia 26, PETR4 caiu 8,18%, a R$ 53,88, e a companhia perdeu cerca de R$ 59 bilhões em valor de mercado. Até 23 de outubro, as ações acumulavam alta superior a 100% em 2026. PETR4 fechou a semana em R$ 52,71, e o ADR PBR terminou 30 de outubro a US$ 22,06.

Ao contrário de outubro, desta vez há balanço no mês: a Petrobras divulga o 3T26 em 10 de novembro, após o fechamento, com webcast no dia 11. O que move a ação é a combinação de três variáveis: o tamanho do resultado e dos proventos do 3T26, os primeiros sinais do novo mandato sobre preços de combustíveis, dividendos e governança, e a trajetória do Brent, ainda acima de US$ 110 com a guerra no Irã. O viés fundamental segue construtivo, mas o prêmio de risco político voltou ao preço.

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Fundamentos: Produção Recorde, Refino a 99% e Exportações em Máxima

A tese operacional saiu reforçada do relatório de produção e vendas de 28 de outubro. A produção própria atingiu 3,512 milhões de boed no 3T26, recorde histórico, alta de 11,7% sobre o 3T25 e de 5,3% sobre o 2T26. O pré-sal respondeu por 2,96 milhões de boed, e o óleo e LGN somaram 2,832 milhões de bpd, avanço de 12,4% em doze meses. A companhia atribuiu o desempenho à maior eficiência operacional desde o 4T18, ao ramp-up das P-78 e P-79 em Búzios e ao topo de produção do FPSO Alexandre de Gusmão em Mero. Entraram em operação 12 novos poços, e as P-80 e P-82 estão previstas para 2027.

O refino segue no limite. O fator de utilização foi de 99%, com recorde trimestral de produção de diesel, de 769 mil bpd. As vendas de derivados no mercado interno chegaram a 1,854 milhão de bpd, o maior volume desde o 3T21, e as exportações de petróleo e derivados bateram recorde de 1,251 milhão de bpd.

O financeiro de partida também é forte. No 2T26, o lucro líquido foi de R$ 52,4 bilhões e o EBITDA ajustado ex-eventos exclusivos somou US$ 19,96 bilhões, com alavancagem de 1,14x dívida líquida/EBITDA e dívida bruta de US$ 70,8 bilhões, abaixo do teto de US$ 75 bilhões do Plano 2026-2030.

O contrapeso é o de sempre, agora com peso renovado: como estatal controlada pela União, preços, CAPEX e dividendos estão sujeitos à agenda pública, e o mercado volta a precificar o risco de uso da companhia para fins de política econômica, sobretudo com o diesel e a gasolina negociados abaixo da paridade de importação.

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Valuation: Múltiplos Baratos, Prêmio de Risco Recalibrado

A preços próximos de R$ 52, a Petrobras negocia a P/L na casa de 5x e EV/EBITDA bem abaixo da média do setor. O desconto não é anomalia: é o prêmio de risco de estatal, somado à natureza cíclica do petróleo. O que mudou em novembro foi o tamanho desse prêmio. Após a eleição, o Bradesco BBI cortou o preço-alvo de PETR4 para o fim de 2027 de R$ 62 para R$ 55, elevando o dividend yield exigido de 8% para 10%, sem alterar as estimativas operacionais e mantendo recomendação de compra.

Para o 3T26, as projeções do sell-side seguem fortes. O BTG estima EBITDA de cerca de US$ 19 bilhões, acima do consenso de US$ 17,1 bilhões, e proventos de cerca de US$ 3,6 bilhões. O Itaú BBA projeta EBITDA de US$ 18 bilhões e dividendos de US$ 4,2 bilhões, e o Jefferies, EBITDA ajustado de US$ 18,2 bilhões e US$ 3,3 bilhões em proventos. Os R$ 17,4 bilhões referentes ao 2T26 já têm data-base vencida e são pagos em novembro e dezembro, portanto quem entra agora não captura esse fluxo. O valor e a sinalização dos proventos do 3T26 serão o principal teste da política de remuneração no novo mandato.

Análise Técnica: Tendência de Alta Intacta, mas com Primeiro Choque Relevante

Gráfico semanal de PETR4 com média de 200, SAR e MACD Novembro 2026

O gráfico semanal de PETR4 mudou de tom, sem romper a estrutura. O último candle semanal abriu em R$ 51,20, com máxima de R$ 54,23, mínima de R$ 51,17 e fechamento em R$ 52,71, queda de 10,17% na semana, depois de o papel ter renovado máximas perto de R$ 60 em outubro. A abertura em gap de baixa e o fechamento acima da abertura indicam pressão vendedora forte no evento, mas com demanda aparecendo na faixa de R$ 51.

A média móvel de 200 períodos está em R$ 35,74, muito abaixo do preço, o que confirma a tendência primária de alta. O Parabolic SAR semanal, em R$ 50,85, segue abaixo do preço e mantém o viés comprador, mas agora muito próximo: um fechamento semanal abaixo de R$ 50,85 inverte o sinal.

O MACD semanal ainda é altista: a linha está em 3,93, acima do sinal em 2,82, com histograma positivo de 1,11. Porém, o histograma recuou pela primeira vez depois de semanas de expansão, sinal de perda de momentum. Em price action, o rompimento da zona de R$ 50 em outubro foi o fato técnico do trimestre; o teste dessa mesma zona como suporte é o fato técnico de novembro.

Suportes e Resistências para Novembro

O primeiro suporte está entre R$ 50,85 e R$ 51,20, onde convergem o SAR semanal e as mínimas da semana. Abaixo, a região de R$ 48 a R$ 50 corresponde aos topos de abril e à antiga resistência rompida em outubro. O suporte estrutural fica em R$ 44 a R$ 45, base do movimento de setembro; a perda dessa faixa abriria caminho para R$ 42.

Do lado das resistências, a barreira imediata é R$ 54,20, máxima da semana. A superação com fechamento semanal abre espaço para R$ 56 a R$ 57, zona de onde partiu o gap de baixa. O alvo mais ambicioso é a retomada das máximas de R$ 59,50 a R$ 60.

Monthly Forecast para Novembro de 2026

O forecast para novembro é de uma Petrobras com fundamentos no pico e valuation descontado, em tendência de alta ainda intacta, mas forçada a provar no balanço e nos primeiros sinais do governo que o choque eleitoral foi excessivo. Trabalhamos com três cenários.

  • Cenário base (50%): range de R$ 49 a R$ 56. Balanço do 3T26 em linha ou levemente acima do consenso, proventos na faixa de US$ 3,3 a 4,2 bilhões, Brent acima de US$ 100 e ruído político sem decisões concretas sobre preços ou dividendos. O papel consolida entre o suporte de R$ 50,85 e a resistência de R$ 54,20. É o desfecho mais provável, com fechamento mensal mais provável entre R$ 51 e R$ 55.

  • Cenário de alta (25%): R$ 56 a R$ 60. EBITDA e proventos do 3T26 acima das estimativas, sinalização da gestão de manutenção da política de remuneração e Brent firme. O papel rompe R$ 54,20 com fechamento semanal, fecha o gap em R$ 56 a R$ 57 e busca as máximas de R$ 59,50 a R$ 60.

  • Cenário de baixa (25%): R$ 44 a R$ 49. Proventos abaixo do esperado, sinais de controle de preços de combustíveis, mudanças na governança ou na diretoria, ou recuo do Brent com trégua no Irã. O papel perde o SAR em R$ 50,85, testa R$ 48 e pode estender até o suporte estrutural de R$ 44 a R$ 45.

O calendário concentra os gatilhos no balanço e na política: resultado do 3T26 em 10 de novembro, com webcast no dia 11, e a declaração de proventos que o acompanha; pagamento das parcelas de proventos do 2T26; recebimento de cerca de US$ 859 milhões de Shell, TotalEnergies e Petrogal no acordo de equalização de Berbigão e Sururu, previsto para novembro; definições sobre subsídios aos combustíveis e eventuais reajustes; e a evolução do Brent e do conflito no Irã.

Síntese do Forecast

A Petrobras entra em novembro com produção recorde de 3,512 milhões de boed, refino a 99%, exportações em máxima e alavancagem de 1,14x, negociando a múltiplos de estatal depois de devolver parte do rali com a reeleição de Lula. A questão do mês é balanço e governança: o 3T26 e a sinalização de proventos dirão se o desconto adicional de risco político se justifica. Tecnicamente, a estrutura semanal segue de alta, com preço em R$ 52,71, bem acima da média de 200 períodos (R$ 35,74) e MACD em 3,93 contra sinal de 2,82, mas com momentum perdendo força e o SAR colado ao preço. O suporte imediato é R$ 50,85; R$ 44 a R$ 45 é a defesa estrutural; e R$ 54,20 é o nível que reabre caminho para as máximas.

Gráfico em Tempo Real Petrobras

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Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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