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As Três Ações que Melhor Resistiram na Bolsa Brasileira Nesta Semana: Embraer, Vale e PRIO

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A semana de 26 a 30 de outubro de 2026, a primeira depois do segundo turno, foi de reprecificação. Com a reeleição de Lula, a segunda-feira abriu com circuit breaker. O Ibovespa encerrou a sexta-feira com queda semanal de 18,12%, a pior desde março de 2020 e a quinta maior desde o Plano Real. O dólar fechou a R$ 5,44, com a maior alta semanal desde 2008, e a curva de juros abriu com força diante das dúvidas fiscais.

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Dentro da carteira acompanhada, de dez papéis, as líderes foram a Embraer (EMBJ3), que subiu 12,76% com receita em dólar e carteira de pedidos recorde. A Vale (VALE3) ficou praticamente estável, com alta de 0,19%, sustentada pelo balanço e pela teleconferência de sexta-feira. A PRIO (PRIO3) caiu 3,13%, mas encerrou outubro como a maior alta do Ibovespa no mês, com 16,32%. Um aviso: os gráficos de Vale e Embraer são dos ADRs na NYSE, em dólares. A última candle, ainda em formação, já mostra os primeiros pregões de novembro.

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Embraer (EMBJ3): O Dólar como Motor e a Carteira como Base

Foi a maior alta da carteira, de 12,76%, de R$ 88,35 para R$ 99,62. O movimento se concentrou em dois pregões. Na segunda-feira, dia do circuit breaker, o papel subiu 8,89%, com o maior volume da semana; na quinta-feira, avançou mais 5,25%. A lógica é direta: a Embraer fatura em dólar e tem baixa ligação com o ciclo doméstico, exatamente o perfil que o mercado passou a procurar depois da eleição. Na sexta-feira, a companhia anunciou ainda a mudança da proporção dos ADSs para um por ação.

Os números dão base à tese. A carteira de pedidos chegou a US$ 35,7 bilhões no 3T26, novo recorde e alta de 14% em doze meses, com Defesa e Segurança a crescer 56%. No trimestre entraram 36 pedidos firmes da família E2, com destaque para 20 E195-E2 do Grupo Abra. As entregas somaram 66 aeronaves no trimestre. Até setembro foram entregues 167 jatos comerciais e executivos, contra uma meta anual de 240 a 255, o que exige um quarto trimestre forte. No 2T26, a companhia já tinha elevado a projeção de margem EBIT ajustada de 2026 para 10,0% a 10,6%.

O BTG mantém compra, com alvo de R$ 126. O ponto de atenção é o preço: a ação negocia perto da máxima de 52 semanas, de R$ 105,50, e parte da alta veio do câmbio, que também pode devolver. O teste é converter carteira em margem e caixa. Já na terça-feira, 3 de novembro, o acordo com a Grécia para três KC-390 levou o papel a R$ 103,84. O balanço do 3T26 sai a 10 de novembro.

Um gráfico semanal que defendeu o suporte com força, mas que ainda não recuperou o topo de US$ 80.

Embraer (EMBJ3) semana 2 a 6 novembro 2026

A penúltima candle, referente à semana de 26 a 30 de outubro, é branca, com longa sombra inferior até a região de US$ 66 e fechamento em US$ 73,40. É um sinal de forte defesa compradora, mesmo com o ADR a absorver a alta do dólar. A última candle, ainda em formação, abriu em US$ 74,78, tocou US$ 76,94 e recupera para US$ 75,51, alta de 2,87%. O preço opera muito acima da média de 200 períodos, em US$ 40,13. Mas o SAR, em US$ 77,53, está acima do preço, e o MACD, em 2,64 contra linha de sinal em 2,79, mantém o histograma ligeiramente negativo. A tendência de longo prazo é de alta; o impulso de curto prazo ainda não. Resistências em US$ 77,53 e na região de US$ 80, topo de janeiro e de agosto. Suporte na região de US$ 66.

Vale (VALE3): O Balanço Fraco que o Mercado Comprou

A Vale fechou praticamente estável, com alta de 0,19%, para R$ 62,02, numa semana em que o índice caiu 18%. O ganho veio quase todo na sexta-feira, quando o papel subiu 3,28%, entre as maiores altas do Ibovespa, depois do balanço divulgado na noite de quinta-feira. Durante a teleconferência, a ação tocou R$ 62,98. Segundo a Genial, a direção foi mais positiva, em termos qualitativos, sobre câmbio, minério em 2027 e metais básicos.

Os números foram mistos. O EBITDA pro forma somou US$ 3,5 bilhões, queda de 20% em doze meses e de 14% no trimestre, e o lucro atribuível caiu 53%, para US$ 1,26 bilhão. O preço realizado dos finos de minério recuou 10%, para US$ 85,10 por tonelada. O custo all-in subiu 21%, para US$ 60,40, pressionado por câmbio, diesel e frete. O contrapeso veio do cobre, com preço realizado de US$ 15.314 por tonelada, alta de 56%, e do caixa. O fluxo de caixa livre recorrente foi de US$ 1,4 bilhão e a dívida líquida expandida ficou em US$ 16,4 bilhões, dentro da faixa de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões que a companhia persegue.

O mercado ficou dividido. O Bradesco BBI destacou o caixa, com rendimento anualizado próximo de 12%. O BTG avaliou que o balanço não mudou as perspectivas de curto prazo. Apontou também que a produção de minério de 2026 deve ficar perto do piso da faixa de 335 a 345 milhões de toneladas, com Serra Norte em queda de 27% em doze meses.

Um gráfico semanal em dólares que mostra o lado oposto da moeda: a ação ficou estável em reais, mas o ADR caiu.

Vale (VALE3) semana 2 a 6 novembro 2026

A penúltima candle, referente à semana de 26 a 30 de outubro, é preta e fechou perto de US$ 11,39: com o dólar em alta de cerca de 9%, a estabilidade em reais virou queda em dólares. A última candle, ainda em formação, abriu em US$ 11,57, tocou US$ 11,62 e cai para US$ 10,98, queda de 3,60%, a menor cotação desde meados de 2025. O preço está abaixo da média de 200 períodos, em US$ 12,82, perdida em outubro. O SAR, em US$ 14,01, está acima do preço, e o MACD, em -0,80 contra linha de sinal em -0,41, tem histograma negativo e a ampliar-se. Resistências em US$ 11,62 e US$ 12,82. Suporte em US$ 10,96 e, abaixo, na região de US$ 10.

PRIO (PRIO3): A Queda de Quem já Tinha Subido

A PRIO caiu 3,13%, de R$ 73,80 para R$ 71,49, mas a leitura correta é relativa. Perdeu menos de um quinto do que perdeu o índice e terminou outubro com alta de 16,32%, a maior do Ibovespa no mês. Não houve notícia própria relevante na semana: o que pesou foi o perfil, com receita em dólar e baixa exposição à economia doméstica.

A base operacional sustenta o preço. No 3T26, a produção média foi de 191,6 mil barris de óleo equivalente por dia, 11,4% acima do trimestre anterior. As vendas de óleo somaram 17,2 milhões de barris, contra 15,3 milhões no 2T26. Em setembro, o novo poço MUP7, em Frade, começou a produzir cerca de cinco mil barris por dia.

O ponto em aberto é a conversão em caixa. Produção e vendas não são lucro: o número que importa é quanto sobra depois de lifting cost, investimentos e dívida. A resposta chega com o balanço do 3T26, a 4 de novembro. O risco é o de sempre: um recuo do Brent atinge a PRIO antes e com mais força.

Um gráfico semanal que testou a máxima de cinco anos e corrige sem perder a estrutura de alta.

PRIO (PRIO3) semana 2 a 6 novembro 2026

A penúltima candle, referente à semana de 26 a 30 de outubro, abriu em gap a R$ 69,00, marcou mínima de R$ 66,25 e fechou em R$ 71,49. A sombra inferior longa mostra compra na queda de segunda-feira, mas o fechamento ficou abaixo da semana anterior. A última candle, ainda em formação, abriu em R$ 69,11, tocou R$ 69,59, desceu a R$ 67,17 e está em R$ 68,08, queda de 4,77%. O preço segue muito acima da média de 200 períodos, em R$ 45,78, com SAR em R$ 60,33, abaixo do preço. O MACD, em 3,25 contra linha de sinal em 2,45, mantém o histograma positivo, embora a encolher. Resistência em R$ 74,60, máxima de cinco anos. Suportes em R$ 66,25 e R$ 60,33.

Conclusão

Numa semana em que o índice teve a pior queda desde 2020, as três líderes resistiram pelo mesmo motivo de fundo, a receita em dólar, mas com histórias diferentes. A Embraer é o caso de proteção com crescimento: carteira recorde, a alta mais forte e um gráfico que defendeu o suporte, ainda sem confirmar o rompimento. A Vale é o caso de alívio: balanço fraco, caixa forte e uma ação estável em reais, mas com o gráfico em dólares em tendência de baixa. A PRIO é o caso de realização: caiu na semana depois de liderar o mês, com a estrutura de alta preservada.

Os níveis que importam agora são US$ 66 no ADR da Embraer, US$ 10,96 no ADR da Vale e R$ 66,25 em PRIO3. A perda desses pisos no fechamento semanal abriria nova perna de queda. Vale a distinção final: resistir melhor numa semana de pânico não é sinônimo de melhor investimento, e nada aqui constitui recomendação personalizada.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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