A semana de 28 de setembro a 2 de outubro de 2026 foi de forte alta: o Ibovespa fechou a sexta-feira, último pregão antes do primeiro turno, em 192.114,55 pontos, alta de 2,63% no dia e de 4,71% no período, a quarta alta consecutiva. O pano de fundo foi o relatório de emprego americano mais fraco que o esperado, com 29 mil vagas criadas em setembro contra 90 mil projetadas, somado à queda dos juros futuros e ao reposicionamento pré-eleitoral.
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Dentro da carteira acompanhada, de dez papéis, nove subiram, e as líderes foram o Banco do Brasil (BBAS3), puxado pelo rali bancário e pelo posicionamento eleitoral; o Bradesco (BBDC4), que somou ao rali um JCP de R$ 3,8 bilhões; e a Petrobras (PETR4), movida por uma nova descoberta na Margem Equatorial. O filtro é o de sempre: as maiores valorizações do período, de fechamento a fechamento, com os fundamentos a sustentar a história e o gráfico semanal a confirmar, ou não, a tendência.
Posição | Ticker | Fech. 25/09 | Fech. 02/10 | Semana |
|---|---|---|---|---|
1 | BBAS3 | R$ 21,59 | R$ 23,72 | +9,87% |
2 | BBDC4 | R$ 17,88 | R$ 19,23 | +7,55% |
3 | PETR4 | R$ 48,07 | R$ 51,17 | +6,45% |
4 | ITUB4 | R$ 42,13 | R$ 44,83 | +6,41% |
5 | PRIO3 | R$ 59,35 | R$ 63,01 | +6,17% |
6 | B3SA3 | R$ 17,96 | R$ 19,00 | +5,79% |
7 | SBSP3 | R$ 26,93 | R$ 28,23 | +4,83% |
8 | AXIA3 | R$ 54,55 | R$ 56,90 | +4,31% |
9 | VALE3 | R$ 70,77 | R$ 72,10 | +1,88% |
10 | EMBJ3 | R$ 101,52 | R$ 98,25 | -3,22% |
Banco do Brasil (BBAS3): O Rali Comprou um Cenário, Não um Balanço
Foi a maior alta da carteira, mas o movimento foi predominantemente macro, eleitoral e de posicionamento, e não fruto de um novo resultado. O salto de 4,67% em 30 de setembro coincidiu com a melhora do apetite por risco, e o papel somou mais 3,04% na sexta-feira pré-eleitoral. Por ser estatal e altamente sensível à economia doméstica, BBAS3 reage com intensidade às expectativas sobre política fiscal, governança e juros.
Os fundamentos ainda não validaram integralmente o entusiasmo. No 2T26, o lucro líquido ajustado foi de R$ 3,9 bilhões, 13,9% acima do 1T26 e acima do consenso de R$ 3,6 bilhões, com ROE de 8,3% e carteira expandida de R$ 1,31 trilhão. A qualidade do crédito, porém, piorou: a inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,61%, contra 3,96% um ano antes, e a deterioração migrou do agronegócio para a pessoa física, que chegou a 8,41%, com cartões em 14,6%. O semestre gerou R$ 7,3 bilhões de lucro, o que exige R$ 10,7 a 14,7 bilhões na segunda metade do ano para cumprir o guidance de R$ 18 a 22 bilhões.
A cerca de 11 vezes lucro e 0,73 vez valor patrimonial, o desconto é evidente, mas ação abaixo do valor contábil não é automaticamente barata quando o ROE está abaixo do custo de capital. O JPMorgan é neutro, com alvo de R$ 22.
Um gráfico semanal de recuperação a partir do fundo de agosto, com fechamento parado exatamente abaixo da média longa, a resistência decisiva.

A candle da semana abriu perto de R$ 21,40 e fechou em R$ 23,72, praticamente na máxima, alta de 9,87% e corpo branco longo sem sombra superior relevante, que completa a recuperação iniciada no fundo de agosto, próximo de R$ 18. O detalhe técnico mais relevante é que o fechamento ficou logo abaixo da média de 200 períodos, em R$ 24,01, nível que o papel não sustenta desde abril. O SAR, em R$ 19,31, está bem abaixo do preço, e o MACD em 0,34 contra linha de sinal em -0,22 confirma momentum positivo, embora ainda próximo da zona neutra. A semana seguinte abriu acima da média, em R$ 25,19, tocou R$ 27,19 e devolveu boa parte da alta: a zona de R$ 24-27 é onde se decide entre retomada de tendência e rejeição. Suportes em R$ 21,20 e R$ 19,31.
Bradesco (BBDC4): Rali Bancário com Catalisador Próprio
O Bradesco beneficiou do mesmo rali setorial, mas teve um gatilho próprio. Em 30 de setembro, após o fechamento, o conselho aprovou R$ 3,8 bilhões em JCP, equivalentes a R$ 0,376628790 brutos por ação preferencial, ou R$ 0,310718752 líquidos, com data-base a 13 de outubro e negociação ex-direito a partir de 14 de outubro. A atribuição deve ser cautelosa: na manhã de 1º de outubro o papel chegou a recuar 0,32%, pelo que o provento reforça a tese, mas não explica sozinho a semana. Avançou também o aumento de capital de R$ 10 bilhões, com R$ 283,3 milhões captados no leilão de sobras, ainda sujeito a homologação do Banco Central.
É a tese operacional mais limpa entre os bancos. No 2T26, o lucro recorrente foi de R$ 7,05 bilhões, alta de 16,2% em doze meses, e o ROAE subiu para 16,2%, contra 14,6% no 2T25. A carteira expandida cresceu 11,6% em doze meses, acima do teto do guidance, o que é positivo para receita mas exige seleção de risco num ambiente de juros altos. Os sinais de alerta são a inadimplência acima de 90 dias em 4,3%, o crescimento de 15% dos saldos em Estágio 2 no trimestre e a queda da cobertura de 161% para 152%.
A cerca de 7,9 vezes lucro, o consenso é dividido: BTG neutro e Itaú BBA outperform, ambos com alvo de R$ 22, e BB Investimentos com compra e alvo de R$ 24.
Um gráfico semanal com rompimento limpo da faixa de R$ 19 e MACD a cruzar para cima ainda abaixo da linha zero.

A candle abriu perto de R$ 17,90, testou a região de R$ 17,50 e fechou em R$ 19,23, perto da máxima, alta de 7,55% e o corpo branco mais forte desde o início do ano, engolindo as três semanas anteriores. O preço opera bem acima da média longa, em R$ 15,58, e o SAR, em R$ 16,11, já está abaixo do preço. O MACD em 0,28 contra linha de sinal em -0,15 é um cruzamento de início de ciclo, não de tendência madura. A semana seguinte confirmou o rompimento com um gap que levou o papel a R$ 22,80, acima do topo de fevereiro, próximo de R$ 22. Suportes em R$ 19,23 e R$ 17,50.
Petrobras (PETR4): Nova Descoberta e Valor de Mercado Recorde
A Petrobras combinou produção crescente com um catalisador exploratório. Em 2 de outubro, anunciou a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), no bloco FZA-M-59, a 175 quilômetros da costa do Amapá, identificada por perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos. No pregão, a PETR4 subiu 2,81% e a PETR3 3,25%, e o valor de mercado atingiu o recorde inédito de R$ 700,08 bilhões, com R$ 20,9 bilhões acrescidos num único dia.
A ressalva é essencial: descoberta não equivale a reserva comercial, e a própria companhia ainda vai analisar as amostras em laboratório e avaliar volume e viabilidade. O que sustenta a tese são os motores já comprovados. No 2T26, o lucro líquido foi de R$ 52,4 bilhões e o EBITDA ajustado de R$ 93,8 bilhões, com produção total de 3,34 milhões de boe/d e utilização das refinarias em 101,2%. A companhia aprovou R$ 17,4 bilhões em proventos e encerrou o trimestre com dívida bruta de US$ 70,8 bilhões, abaixo do teto de US$ 75 bilhões.
A cerca de 4,9 vezes lucro e 3,7 vezes EV/EBITDA, o desconto reflete Brent, controle estatal e capex. Santander, BTG e Safra têm alvos entre R$ 56 e R$ 60; o Bradesco BBI é neutro, com alvo de R$ 53.
Um gráfico semanal em tendência de alta, com fechamento acima do topo de abril e em território de máxima histórica.

A candle abriu perto de R$ 48,20 e fechou em R$ 51,17, perto da máxima, alta de 6,45%, com corpo branco que superou a resistência de R$ 50,50 que travava o papel desde abril. O preço opera muito acima da média longa, em R$ 35,23, com SAR em R$ 44,17 e MACD em 2,69 contra linha de sinal em 1,75, histograma a crescer há várias semanas, a leitura de momentum mais forte das três. Na semana seguinte, o papel chegou a R$ 56,75, mas deixou sombra superior longa, sinal de realização. Suportes em R$ 50,50 e R$ 47,90.
Conclusão
Numa semana em que o índice subiu quase 5%, as três líderes subiram por razões que só em parte se cruzam. O Banco do Brasil é o caso de virada de cenário: a maior alta, mas com fundamentos ainda em reconstrução e um gráfico parado sob a média longa. O Bradesco é o caso de turnaround equilibrado: rentabilidade em alta, JCP e capital reforçado, com o gráfico a confirmar o rompimento, mas com Estágio 2 e cobertura a vigiar. A Petrobras é o caso de fundamentos mais robustos: produção, caixa e valor de mercado recorde, com a ressalva de que a descoberta no Amapá é ainda promessa, não reserva.
Enquanto o semanal respeitar R$ 21,20 em BBAS3, R$ 17,50 em BBDC4 e R$ 47,90 em PETR4, as três teses seguem vivas; a perda desses pisos é que exigiria novo ponto de entrada. Vale a distinção final: maior alta da semana não é sinônimo de melhor investimento, e nada aqui constitui recomendação personalizada.
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