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As Três Ações que Melhor se Comportaram na Bolsa Brasileira Nesta Semana: B3, Sabesp e Itaú Unibanco

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A semana de 5 a 9 de outubro de 2026 foi histórica: o Ibovespa fechou a sexta-feira em 209.066,90 pontos, recorde nominal, alta de 1,38% no dia e de 8,82% no período, o melhor desempenho semanal desde março de 2020, superando também o recorde real de maio de 2008, corrigido pelo IPCA. O motor foi político: o resultado do primeiro turno consolidou o favoritismo de Flávio Bolsonaro e o mercado passou a apostar numa alternância de poder com uma agenda fiscal mais favorável. A ponta longa da curva de juros recuou, com o DI de janeiro de 2035 a cair 23 pontos-base na sexta-feira, e o dólar perdeu 4,44% na semana, fechando em R$ 4,98. O IPCA de setembro, de 0,82%, veio acima do esperado, mas não travou o rali. Dentro da carteira acompanhada, de dez papéis, oito subiram, e as líderes foram a B3 (B3SA3), a expressão mais pura do trade eleitoral; a Sabesp (SBSP3), ativo de longa duração que se beneficia diretamente da queda dos juros; e o Itaú (ITUB4), a preferência por qualidade dentro do rali bancário. O filtro é o de sempre: as maiores valorizações do período, de fechamento a fechamento, com os fundamentos a sustentar a história e o gráfico semanal a confirmar, ou não, a tendência.

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B3 (B3SA3): O Termômetro do Trade Eleitoral

Foi a maior alta da carteira, e veio quase toda de um único pregão: na segunda-feira, o papel disparou 22,63%, no mesmo dia em que o Ibovespa saltou 7,70%. A lógica é dupla. Juros longos mais baixos elevam o valor presente dos lucros, e mais volatilidade e mais giro alimentam diretamente as receitas de negociação, compensação, liquidação e derivativos. Só na sexta-feira, o Ibovespa movimentou R$ 39,4 bilhões.

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A base operacional sustenta a tese. No 2T26, a receita somou R$ 3,1 bilhões, alta de 12,2% em doze meses, com as receitas recorrentes a crescer 17,3% e as pró-cíclicas 7,9%; o lucro recorrente subiu 8%, para R$ 1,4 bilhão, com margem EBITDA recorrente perto de 70%. A diversificação para dados, balcão, crédito e seguros reduz a dependência do volume de ações. Do lado do risco, o Cade discute práticas comerciais e interoperabilidade e impôs restrições na aquisição da CRDC.

O preço, porém, ultrapassou os valores fundamentais publicados. A cerca de 22 vezes lucro e 6,3 vezes valor patrimonial, a ação negocia acima do alvo médio de R$ 20,86 do consenso; BTG e XP são neutros, com alvos de R$ 19 e R$ 16.

Um gráfico semanal com gap de alta acima do topo de abril e momentum no nível mais forte do ciclo.

Gráfico semanal bbas3.png 12 a 16 outubro 2026

A candle abriu com gap perto de R$ 22,10, bem acima do fechamento anterior de R$ 19,00, tocou R$ 24,28 e fechou em R$ 23,35, alta de 22,89%. A sombra superior de quase R$ 1 mostra que a realização já apareceu na máxima. O papel rompeu com folga o topo de abril, na região de R$ 20,30, e opera muito acima da média de 200 períodos, perto de R$ 13,30, com SAR em R$ 14,37. O MACD acelera acima da linha de sinal, com histograma no maior nível desde o início de 2026, o que confirma o momentum, mas também o esticamento. Resistência em R$ 24,28. Suportes em R$ 22,10, na base do gap, e R$ 20,30.

Sabesp (SBSP3): Juros em Queda num Ativo de Longa Duração

A alta de 19,02% não teve resultado novo por trás; a divulgação do 3T26 está marcada para 5 de novembro. O movimento foi de compressão da taxa de desconto: a Sabesp é uma infraestrutura regulada, com fluxos de caixa longos, e das mais sensíveis à queda dos juros longos. O cenário eleitoral reforçou ainda a percepção de continuidade da agenda pró-privatização. O ganho concentrou-se na segunda-feira, com fechamento em R$ 31,50, e na quinta-feira, em R$ 33,36, depois de dois dias de lateralização.

O 2T26 foi misto. A receita líquida cresceu 13,9%, para R$ 10,2 bilhões, mas o EBITDA ajustado caiu 3,2%, para R$ 3,5 bilhões, e o lucro ajustado recuou 41,2%, para R$ 1,2 bilhão, pressionado por despesas financeiras; o LPA ficou 23% abaixo do consenso. A tese estrutural é a universalização até 2029, com capex próximo de R$ 20 bilhões em 2026 e backlog contratado acima de R$ 40 bilhões. O risco é a defasagem entre o desembolso, a entrada do ativo na base regulatória e o repasse tarifário.

A 2,61 vezes valor patrimonial e cerca de 10 vezes EV/EBITDA, com dívida líquida de 2,3 vezes o EBITDA, o alvo de R$ 36,84 da XP deixa apenas cerca de 9,6% de potencial sobre o fechamento.

Um gráfico semanal de recuperação a partir do fundo de agosto, com cruzamento do MACD e preço perto da máxima de 52 semanas.

Gráfico semanal BBDC4.png 12 a 16 outubro 2

Na B3, a candle abriu em R$ 30,93, testou R$ 30,50, tocou R$ 34,17 e fechou em R$ 33,60, alta de 19,02% e o corpo branco mais longo do ano. A máxima de 52 semanas, em R$ 35,32, é a próxima resistência. No semanal, o MACD cruzou acima da linha de sinal e o histograma passou a positivo pela primeira vez desde o segundo trimestre, e o SAR, em 7.330 no gráfico em pesos, ficou abaixo do preço, confirmando a reversão de tendência. Suportes em R$ 32,00 e R$ 30,50.

Itaú Unibanco (ITUB4): O Rali Bancário Escolheu a Qualidade

O Itaú teve a terceira maior alta, por uma margem curta sobre o Bradesco (+12,38%), e fechou na máxima histórica de fechamento. O salto de 10,37% na segunda-feira concentrou praticamente todo o ganho da semana. O banco participou do trade eleitoral e da queda dos juros longos, mas a liderança dentro do setor reflete a preferência por qualidade de crédito, rentabilidade e capital.

No 2T26, o lucro recorrente foi de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% em doze meses, com ROE de 24,3%. A carteira chegou a R$ 1,522 trilhão, alta de 9,6%, a inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,9% e o CET1 em 12,3%. O ponto fraco foi a receita de serviços e seguros, cujo guidance caiu de 5% a 9% para 2% a 5%. O índice de eficiência, de 37,4%, segue como referência do setor.

A cerca de 11,8 vezes lucro e 2,5 vezes valor patrimonial, o desconto ficou para trás: o alvo de R$ 50 da XP já está no preço, e o de R$ 54 do Goldman Sachs, com compra, deixa cerca de 7% de potencial.

Um gráfico semanal com gap de alta e fechamento colado na máxima de 52 semanas.

Gráfico Itaú Unibanco (ITUB4) 14/10/2026

A candle abriu com gap em R$ 48,80, muito acima do fechamento de R$ 44,83, testou R$ 48,08, tocou R$ 50,85 e fechou em R$ 50,47, alta de 12,58%. A máxima da semana coincide com a máxima de 52 semanas. A queda de 2,66% na quarta-feira foi recuperada nos dois pregões seguintes, sinal de que a realização foi absorvida. A zona de R$ 50,80 a R$ 51,00 é a resistência imediata. Suportes em R$ 48,08 e R$ 45,27, no topo do gap.

Conclusão

Numa semana em que o índice subiu quase 9%, as três líderes subiram pelo mesmo choque de juros e de expectativa política, mas com perfis diferentes. A B3 é o caso tático: a maior alta, fundamentos sólidos, mas preço já acima dos alvos de consenso e gráfico esticado. A Sabesp é o caso de duração: a queda dos juros reprecificou uma tese de universalização que ainda precisa provar retorno sobre o capex. O Itaú é o caso de qualidade: os melhores fundamentos das três, num preço que já não oferece grande desconto.

Enquanto o semanal respeitar R$ 22,10 em B3SA3, R$ 32,00 em SBSP3 e R$ 48,08 em ITUB4, as três teses seguem vivas; a perda desses pisos é que exigiria novo ponto de entrada. Vale a distinção final: maior alta da semana não é sinônimo de melhor investimento, e nada aqui constitui recomendação personalizada.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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