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As Três Ações que Melhor se Comportaram na Bolsa Brasileira Nesta Semana: B3, PRIO e Banco do Brasil

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A semana de 19 a 23 de outubro de 2026, a última antes do segundo turno, foi de posicionamento eleitoral. O Ibovespa encerrou a sexta-feira em 205.083 pontos, alta de 0,47% no dia, mas queda de 0,17% no período. Com as pesquisas em empate técnico e o mercado apostando na vitória de Flávio Bolsonaro, o dólar fechou abaixo de R$ 5, a R$ 4,993, queda semanal de cerca de 1,6%. Na sexta-feira, o IPCA-15 de outubro subiu 0,32%, abaixo da mediana esperada de 0,44%, e o Brent fechou a US$ 116,72, alta de 3,1% no dia e maior nível desde o fim de abril, com ataques houthis na Arábia Saudita e tensão em Ormuz.

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Dentro da carteira acompanhada, de dez papéis, as líderes foram a B3 (B3SA3), maior beneficiária da aposta em juros menores e mais negócios na bolsa; a PRIO (PRIO3), que subiu nos cinco pregões com o petróleo; e o Banco do Brasil (BBAS3), que ganhou força na sexta-feira com a inflação abaixo do esperado. O filtro é o de sempre: as maiores valorizações do período, de fechamento a fechamento, com os fundamentos a sustentar a história e o gráfico semanal a confirmar, ou não, a tendência. Um aviso: no domingo, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, e a segunda-feira começou com circuit breaker, o primeiro desde março de 2020. A última candle dos gráficos já mostra esse choque.

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B3 (B3SA3): O Termômetro do Trade Eleitoral

Foi a maior alta da carteira, de 6,97%, de R$ 22,11 para R$ 23,65. Quase todo o ganho veio na terça-feira, quando o papel subiu 5,38%, com o Ibovespa em alta de 1,57%. A lógica é direta: a B3 funciona como um pedágio do mercado, e juros menores com mais apetite por risco significam mais volume e mais receita. Na quarta-feira, o Santander elevou a recomendação para outperform, com preço-alvo de R$ 30 para o fim de 2027, depois de a ação ter subido 37% em 30 dias.

Os números dão base à tese. No 2T26, o lucro líquido recorrente foi de R$ 1,38 bilhão, alta de 8%, com receita total de R$ 3,08 bilhões, avanço de 12,2%, e margem EBITDA recorrente de 70,2%. O volume médio diário em ações chegou a R$ 31,3 bilhões, alta de 20%. Para o 3T26, o Santander projeta lucro ajustado de R$ 1,425 bilhão e conta com R$ 2,5 bilhões em créditos fiscais ainda disponíveis para JCP extraordinário.

O ponto de atenção é o preço: a cerca de 22 vezes lucro, a ação fechou acima do alvo médio dos analistas, de R$ 22,64. E a sensibilidade a juros que impulsionou a alta é a mesma que pesa quando o cenário vira. O balanço do 3T26 sai a 12 de novembro.

Um gráfico semanal que rompeu com força, foi rejeitado no topo e sofreu o maior golpe com o resultado eleitoral.

Gráfico semanal B3 26 a 30 outubro 2026

A penúltima candle, referente à semana de 19 a 23 de outubro, abriu em R$ 22,28, marcou mínima de R$ 22,25 na segunda-feira, tocou R$ 24,25 na quarta e fechou em R$ 23,65, alta de 6,97%. O corpo branco é longo e quase sem sombra inferior, sinal de compra desde a abertura, mas a sombra superior mostra rejeição na região de R$ 24,25 a R$ 24,28, máxima de 5 de outubro, uma dupla resistência. A última candle, ainda em formação, abriu em gap a R$ 11,83, que é também a mínima, e recupera para R$ 14,75, queda de 37,63%. A mínima perfurou a média de 200 períodos, em R$ 13,38, mas o preço voltou para cima dela. O SAR saltou para R$ 24,28, acima do preço, e o MACD, em 1,06 contra linha de sinal em 0,76, virou com força para baixo. Resistências em R$ 15,93 e no gap entre R$ 19,04 e R$ 22,03. Suportes em R$ 13,38 e R$ 11,83.

PRIO (PRIO3): O Petróleo como Escudo

A alta de 5,28%, de R$ 70,10 para R$ 73,80, veio com o papel a subir nos cinco pregões. O detalhe está na segunda-feira: o Brent caiu cerca de 2% com a isenção americana a sanções russas, e a PRIO subiu 1,28% mesmo assim. Depois, acompanhou o petróleo: avançou 1,85% na quinta, quando o Brent subiu 4%, e 1,61% na sexta. Na terça-feira, a companhia informou que a Orbis passou a deter 4,99% do capital.

A base operacional sustenta o preço. No 2T26, a receita líquida foi de US$ 1,22 bilhão, o EBITDA ajustado de US$ 879 milhões e o lucro de US$ 413 milhões; o lifting cost caiu para US$ 8,90 por barril e a dívida líquida recuou para US$ 4,05 bilhões, alavancagem de cerca de 1,5 vez. No 3T26, a produção média foi de 191,6 mil barris de óleo equivalente por dia, 11,4% acima do trimestre anterior.

O BTG mantém compra, com alvo de R$ 73, já praticamente atingido, e inclui a PRIO entre os nomes mais resilientes num cenário de deterioração fiscal, pela receita em dólar. A cerca de 16 vezes lucro, o risco é o mesmo que impulsiona a tese: um recuo do Brent atinge a PRIO antes e com mais força. O balanço do 3T26 sai a 4 de novembro.

Um gráfico semanal em máxima de cinco anos, o único dos três a absorver o choque de segunda-feira sem perder a estrutura de alta.

Gráfico semanal PRIO3 26 a 30 outubro 2026

A penúltima candle, referente à semana de 19 a 23 de outubro, abriu em R$ 69,80, marcou mínima de R$ 68,10 na terça-feira, tocou R$ 74,60 na sexta e fechou em R$ 73,80, alta de 5,28%. O corpo branco é longo, a sombra inferior mostra compra na queda de terça e a sombra superior é curta, com fechamento perto da máxima, o maior dos últimos cinco anos. O preço opera muito acima da média de 200 períodos, em R$ 45,61, com SAR em R$ 58,74, e o MACD em 3,18 contra linha de sinal em 2,23 mantém o histograma positivo. A última candle, ainda em formação, abriu em R$ 69,00, abaixo da abertura da semana anterior, desceu a R$ 66,25 e recupera para R$ 70,09, queda de 5,03%; a sombra inferior longa indica defesa compradora entre R$ 66 e R$ 68. Resistência em R$ 74,60. Suportes em R$ 68,10 e R$ 66,25.

Banco do Brasil (BBAS3): alta de preço, não de fundamentos

A alta de 4,61%, de R$ 23,63 para R$ 24,72, concentrou-se na sexta-feira, quando o papel subiu 3,34% com o IPCA-15 abaixo do esperado e a aposta de alternância no governo. É o movimento mais claramente político da carteira: entre os analistas, o BBAS3 era a estatal vista como mais sensível ao resultado das urnas.

Os fundamentos mostram trégua, mas não virada. No 2T26, o lucro ajustado foi de R$ 3,9 bilhões, alta de 13,9% sobre o trimestre anterior e de 3,3% em doze meses, acima do consenso, com ROE de 8,3%. O lucro contábil ficou em R$ 3,18 bilhões, e a diferença de R$ 733 milhões veio sobretudo de despesas com planos econômicos. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,61%, contra 3,96% um ano antes, pressionada pelo agronegócio.

A tese depende da normalização do crédito rural. Depois da eleição, o JPMorgan avaliou ser cedo para comprar a queda dos bancos, citando juros altos por mais tempo e risco de revisões de lucro. O balanço do 3T26 sai a 11 de novembro.

Um gráfico semanal que recuperou a média de 200 períodos na penúltima semana e a perdeu em gap na última.

Gráfico semanal Banco do Brasil 26 a 30 outubro 2026

A penúltima candle, referente à semana de 19 a 23 de outubro, abriu em R$ 23,86, marcou mínima de R$ 23,62 na quinta-feira, tocou R$ 24,97 na sexta e fechou em R$ 24,72, alta de 4,61%. O corpo branco é médio, com sombras curtas, e o fechamento ficou acima da máxima da semana anterior, de R$ 24,69, e da média de 200 períodos, em R$ 24,08: sinal de retomada, ainda abaixo da máxima de R$ 27,19 de 5 de outubro. A última candle, ainda em formação, abriu em gap a R$ 16,48, que é também a mínima, e recupera para R$ 17,46, queda de 29,37%: o preço perdeu a média de 200 períodos e opera abaixo da anterior mínima de 52 semanas, de R$ 17,79. O SAR está em R$ 27,19, acima do preço, e o MACD, em 0,14 contra linha de sinal em 0,07, aproxima-se de zero. Resistências em R$ 18,12 e R$ 24,08. Suporte em R$ 16,48.

Conclusão

Numa semana em que o índice ficou de lado, as três líderes subiram por motivos diferentes. A B3 é o caso de alavancagem ao ciclo: fundamentos sólidos e a maior alta, mas também a maior perda quando o cenário eleitoral virou. A PRIO é o caso de proteção: produção forte, custos em queda e receita em dólar, a única cujo gráfico saiu do choque com a tendência preservada. O Banco do Brasil é o caso de preço sem fundamento: subiu com juros e política, com a qualidade do crédito por resolver.

Os níveis que importam agora são R$ 13,38 em B3SA3, R$ 66,25 em PRIO3 e R$ 16,48 em BBAS3; a perda desses pisos no fechamento semanal abriria nova perna de queda. Vale a distinção final: maior alta da semana não é sinônimo de melhor investimento, e nada aqui constitui recomendação personalizada.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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