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As Três Ações que Melhor se Comportaram na Bolsa Brasileira Nesta Semana: Prio, Petrobras e Bradesco

De Frederico Aragão Morais
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A semana de 7 a 11 de setembro de 2026 foi a quarta consecutiva de valorização do Ibovespa, que saiu de 185.147 pontos, no fechamento de 4 de setembro, para 187.207 pontos, ganho de 1,11%. A sexta-feira trouxe realização de lucros, com queda de 0,56%, pressionada pelo ruído político em torno do caso Master e pelo recuo de 2,8% do petróleo. Ainda assim, o pano de fundo favoreceu o risco: o Brent subiu 8% na semana, a US$ 104,80 por barril, sustentado pela tensão entre Estados Unidos e Irã, e o IPCA de agosto veio em deflação de 0,32%, com a inflação em doze meses a desacelerar para 4,22%.

Três nomes concentraram os maiores ganhos da carteira acompanhada, cada um com um motor diferente: a Prio (PRIO3), principal case de crescimento em óleo e gás da bolsa; a Petrobras (PETR4), tese de valor e dividendos alavancada no Brent caro; e o Bradesco (BBDC4), história de recuperação de rentabilidade com estrutura de capital reforçada. O filtro é o de sempre: as três maiores valorizações do período, medidas de fechamento a fechamento, com os fundamentos a sustentar a história e o gráfico semanal a confirmar, ou não, a tendência.

Dentro da amostra de dez ações (PETR4, VALE3, ITUB4, BBAS3, B3SA3, BBDC4, EMBR3, SBSP3 e PRIO3), a liderança coube à Prio, com alta de 6,6%, de R$ 60,19 para R$ 64,19. A Petrobras avançou 4,0%, de R$ 47,11 para R$ 49,00, e o Bradesco subiu 3,9%, de R$ 17,90 para R$ 18,59. Para contraste, a B3, líder da semana anterior, recuou 0,5%.

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Prio (PRIO3): Crescimento com Custo Baixo e Alavancagem em Queda

A Prio é a maior petroleira independente listada no Brasil e construiu a sua tese no redesenvolvimento de campos maduros comprados a grandes operadoras, com forte disciplina de custos. O segundo trimestre de 2026 mostrou essa mecânica no seu melhor momento: receita líquida de US$ 1,22 bilhão, alta de 160% em doze meses, Ebitda recorde de US$ 847,1 milhões e lucro líquido de US$ 413,3 milhões, contra US$ 153,7 milhões um ano antes. A produção média atingiu o recorde de 172 mil barris por dia, alta de 72%, e o lifting cost caiu para US$ 8,90 por barril, recuo de 36%, reflexo da otimização de Peregrino e da conclusão de Wahoo, que terminou junho com quatro poços conectados e 40 mil barris por dia.

A consequência financeira é a desalavancagem. A dívida líquida recuou para US$ 4,05 bilhões e a razão dívida líquida sobre Ebitda caiu de 2,0 para 1,5 vez, mesmo com capex de US$ 285 milhões e recompras de US$ 114 milhões. Falta o anúncio da política formal de remuneração ao acionista, prometida pela administração e ausente do balanço. Do lado do risco, agosto trouxe queda de 5,2% na produção e de 15,1% nas vendas, lembrete de que o case é de execução e que o Brent continua a ser a variável que manda.

Um gráfico semanal que retoma o topo da faixa recente, com o SAR muito abaixo do preço e o MACD a cruzar para cima.

Grafico semanal PRIO3 15/09/2026

Na penúltima candle, referente exatamente à semana de 7 a 11 de setembro, PRIO3 abriu em R$ 61,04, marcou mínima de R$ 61,01, máxima de R$ 64,64 e fechou em R$ 64,19, alta de 6,6%. O corpo branco é longo e quase sem sombra inferior, sinal de compra desde o primeiro pregão. O fechamento devolve o papel à faixa de R$ 64 a R$ 65, resistência imediata; acima dela, o alvo é o topo de 2026, em R$ 72 a R$ 73. O preço opera muito acima da média longa, em R$ 44,67, com o SAR em R$ 52,87. O MACD confirma com moderação: linha em 1,72 contra sinal em 1,68 e histograma de apenas 0,03, cruzamento comprador acima da linha zero, mas incipiente. Suportes em R$ 60 e R$ 52.

Petrobras (PETR4): lucro quase dobrado, dividendos no topo e Brent a favor

A Petrobras é a maior companhia de energia do país, integrada em exploração e produção, refino e logística, com o pré-sal a responder pela maior parte da produção. O caso é conhecido: geração de caixa alta, múltiplos baixos e dividendos generosos, sob risco político permanente, visível na decisão de 10 de setembro de cancelar o aumento anunciado da gasolina. O segundo trimestre foi excepcional: lucro líquido de R$ 52,44 bilhões, quase o dobro do trimestre anterior e bem acima do consenso LSEG de R$ 44,69 bilhões, Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões, alta de 79,6%, e receita de vendas de R$ 169,5 bilhões. O motor foi o preço, com o Brent médio a passar de US$ 67,82 para US$ 104,52, mas houve também entrega operacional, com ganho de 3,4% na produção e a entrada da P-79 em Búzios.

O que mais interessa ao acionista é o caixa. O fluxo de caixa livre praticamente dobrou, para R$ 38,6 bilhões, e o conselho aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, cerca de R$ 1,35 por ação, em duas parcelas previstas para novembro e dezembro. Nos múltiplos, o papel segue barato em termos absolutos: 4,7 vezes lucro, 1,31 vez o valor patrimonial e dividend yield de 7,5% nos últimos doze meses, depois de valorizar mais de 65% em um ano.

Um gráfico semanal em rompimento, com o momentum mais forte dos três e a máxima histórica logo acima.

Grafico semanal PETR4 15/09/2026

A penúltima candle abriu em R$ 48,10, testou a mínima de R$ 47,53 logo no primeiro pregão, subiu até R$ 49,60 e fechou em R$ 49,00, alta de 4,0%. É a quarta semana seguida de alta e leva o papel de volta à zona de máximas, com o topo das últimas 52 semanas em R$ 50,69. É o melhor desenho do trio: preço muito acima da média longa, em R$ 34,84, SAR em R$ 40,76 e MACD com linha em 1,80 contra sinal em 1,19 e histograma de 0,61, claramente acima da linha zero e em aceleração. Resistência em R$ 49,60 a R$ 50,70; suporte em R$ 46,90 e, mais abaixo, em R$ 43,50.

Bradesco (BBDC4): capital reforçado e ROE acima do custo de capital

O Bradesco é um dos maiores conglomerados financeiros do país, com forte peso em seguros e previdência, e vem de um ciclo longo de reconstrução de rentabilidade. O segundo trimestre confirmou a trajetória: lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões, alta de 16,2% em doze meses, com retorno sobre o patrimônio de 16,2%, acima do custo de capital. A margem financeira com clientes somou R$ 20,2 bilhões, alta de 14%, e a carteira expandida chegou a R$ 1,14 trilhão, crescimento de 12%, acima do guidance de 8,5% a 10,5%, puxada por linhas garantidas, que já representam 61% do total. O ponto de atenção está na qualidade de ativos: a inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3% e a cobertura caiu para 152%.

O tema de capital dominou o trimestre. Em 29 de julho, o banco anunciou aumento de capital de até R$ 10 bilhões por subscrição privada, com as controladoras comprometidas com até R$ 8 bilhões e diluição máxima de 3,4%, operação que adiciona cerca de 90 pontos-base ao capital principal, sobre base pro forma de 12,7%. O calendário ajuda a explicar a semana em análise: o prazo do direito de preferência terminou a 4 de setembro, retirando a pressão técnica sobre o papel. A ação negocia a 7,9 vezes lucro e 1,06 vez o valor patrimonial, mas acumula desempenho cerca de 25 pontos percentuais abaixo do Ibovespa em doze meses, o que é ao mesmo tempo o argumento de desconto e o alerta de desconfiança.

Um gráfico semanal de reversão, com fechamento na máxima do período, mas com o MACD ainda abaixo da linha zero.

Grafico semanal BBDC4 15/09/2026

A penúltima candle abriu em R$ 18,10, caiu até R$ 17,66 na quarta-feira, recuperou e fechou em R$ 18,59, exatamente na máxima da semana, com alta de 3,9%. O fechamento no topo do candle é o detalhe técnico mais relevante e o motor foi a quinta-feira, dia 10, quando o papel disparou 3,88% e os bancos sustentaram a alta de 1,42% do Ibovespa. O movimento resgata a ação do fundo de agosto, em R$ 15,68: o preço voltou a operar acima da média longa, em R$ 15,51, e o SAR virou para R$ 15,74. A ressalva está no momentum. O MACD cruza para cima, com linha em -0,24 contra sinal em -0,30 e histograma de 0,06, mas todo o conjunto permanece abaixo da linha zero, reversão em fase inicial e não tendência consolidada, a leitura mais frágil das três. Resistência em R$ 18,60 a R$ 19,00; suporte em R$ 17,40 e R$ 15,70. A última candle, ainda em formação, já devolve 1,4%, para R$ 18,33.

Conclusão

A semana foi, no fundo, uma semana de petróleo e de bancos, e as três líderes entregam perfis de risco distintos. A Prio é o case mais agressivo: produção a crescer, custo em mínimas, alavancagem em queda e um gatilho pendente nos dividendos, mas com sensibilidade direta ao Brent. A Petrobras combina o melhor balanço com o melhor gráfico, ao preço do risco político em ano eleitoral. O Bradesco é a aposta de recuperação, com capital reforçado, mas com inadimplência a subir e um gráfico que apenas começou a virar. Enquanto o semanal respeitar R$ 60 em PRIO3, R$ 46,90 em PETR4 e R$ 17,40 em BBDC4, as três teses seguem vivas; a perda desses pisos é que exigiria um novo ponto de entrada.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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