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Petrobras em Setembro de 2026: Balanço Recorde Entregue e Valuation Ainda Descontado

De Frederico Aragão Morais
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A Petrobras entra em setembro de 2026 como uma major integrada com fundamentos operacionais fortes, produção recorde e geração de caixa robusta, negociando a múltiplos comprimidos e com generoso retorno via dividendos, mas carregando um risco político que volta ao centro da tese na reta final da campanha eleitoral. A companhia segue com dominância do pré-sal e produção total acima de 3,3 milhões de boed, mas o mercado ainda precifica com desconto o risco de interferência governamental e a sensibilidade da tese ao Brent. Diferentemente de agosto, quando o mês girava em torno do resultado do 2T26, setembro não tem balanço: o próximo será divulgado apenas em 10 de novembro. O que move a ação agora é o calendário político, com o primeiro turno das eleições marcado para 4 de outubro, e o desdobramento da descoberta de petróleo no poço Morpho, na Margem Equatorial.

O ponto central não é apenas o valuation atrativo. O 2T26, divulgado em 6 de agosto, entregou um dos maiores resultados da série histórica: lucro líquido de R$ 52,4 bilhões (US$ 10,4 bilhões), alta de cerca de 97% em doze meses, e lucro recorrente de R$ 55,8 bilhões, com EBITDA ajustado de R$ 93,8 bilhões (US$ 18,6 bilhões) e receita de R$ 169,5 bilhões. Os números superaram o consenso, que projetava lucro em torno de R$ 50,8 bilhões, e vieram amparados por um Brent médio de US$ 104,52 no trimestre. Mas isso já é passado. O que decide setembro é a política e a commodity: a proximidade das eleições, a evolução da tensão no Estreito de Ormuz e a conclusão da perfuração do Morpho. O viés fundamental é neutro a construtivo, e o gráfico semanal ganhou um reforço relevante, com o cruzamento altista do MACD finalmente confirmado.

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Fundamentos: Produção Recorde, Refino a 101% e Geração de Caixa em Máxima

O núcleo da Petrobras está organizado em três blocos: Exploração e Produção (E&P), com foco no pré-sal; Refino, Transporte e Marketing; e Gás e Energias de Baixo Carbono. A companhia mantém a disciplina de capital do Plano de Negócios 2026-2030, que prevê CAPEX total de US$ 109 bilhões, pico de produção de 2,7 milhões de bpd em 2028 e cerca de US$ 2,5 bilhões destinados à Margem Equatorial, com a perfuração de até 15 poços exploratórios.

O 2T26 confirmou a tese operacional. A produção total atingiu 3,336 milhões de boed, recorde histórico, alta de 3,4% no trimestre e de 14,1% em doze meses; o petróleo somou 2,689 milhões de bpd, avanço de 15% ano a ano, com o pré-sal em 2,299 milhões de bpd, 5% acima do trimestre anterior. O refino atingiu fator de utilização de 101,2%, recorde da companhia, ante 95% no 1T26, com a produção de derivados em 1,918 milhão de bpd, alta de 10,9% em doze meses, incluindo 509 mil bpd de diesel S10 e 109 mil bpd de QAV. As exportações ficaram próximas de 1 milhão de bpd. O desempenho refletiu o ramp-up dos FPSOs Maria Quitéria, no campo de Jubarte, Alexandre de Gusmão, em Mero, e P-78, em Búzios, além da entrada antecipada da P-79, que ajudou o campo de Búzios a superar 1,2 milhão de bpd em junho.

A geração de caixa acompanhou o operacional. O fluxo de caixa operacional alcançou R$ 61,8 bilhões (US$ 12,3 bilhões), alta de 46% em doze meses, e o fluxo de caixa livre praticamente dobrou, para R$ 38,6 bilhões. A companhia recolheu R$ 88,6 bilhões em tributos e participações governamentais no trimestre, cerca de R$ 22 bilhões a mais que um ano antes. O principal ponto de atenção segue sendo o risco político: como estatal controlada pela União, a companhia é sensível à agenda do governo em preços, imposto de exportação e CAPEX, tema que ganha peso justamente em ano eleitoral.

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Valuation: Múltiplos Comprimidos Seguem Baratos, mas Embutem Risco de Estatal

O valuation continua entre os principais argumentos a favor da Petrobras. A preços próximos de R$ 44, os múltiplos permanecem comprimidos, da ordem de P/L entre 5x e 5,5x e EV/EBITDA em torno de 4x, ainda muito abaixo da média do setor, próxima de 8,5x em EV/EBITDA. Um múltiplo mais de metade abaixo do segmento não é anomalia, e sim o desconto estrutural de estatal, que reflete risco político, CAPEX elevado e discricionariedade sobre dividendos. A remuneração ao acionista segue como principal suporte da tese: o dividend yield ronda 8% e, segundo a XP, pode superar 10% ao ano se o Brent permanecer acima de US$ 65.

A remuneração do 2T26 já foi definida. O Conselho aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, equivalentes a R$ 1,34814262 por ação ordinária e preferencial. A data-base na B3 foi 21 de agosto e as ações passaram a ser negociadas ex-direitos em 24 de agosto, com pagamento em duas parcelas, em 23 de novembro e 21 de dezembro. Ou seja, quem entra em setembro já não captura esse provento, e o próximo gatilho de dividendo virá apenas com o 3T26, em novembro. No consenso, os preços-alvo vão de R$ 45 (BB Investimentos) a R$ 65 (BofA), passando por R$ 57 do Goldman Sachs, R$ 60 do UBS e R$ 63 da XP, com mediana em torno de R$ 55,57, o que sinaliza upside relevante frente ao preço atual.

Análise Técnica: Gráfico Semanal Confirma o Cruzamento Altista do MACD

Gráfico semanal de PETR4 na BMFBOVESPA 07/09/2026

O gráfico semanal de PETR4 tem leitura construtiva e, pela primeira vez desde a correção, com o momentum a favor. O último candle semanal abriu em R$ 44,62, com máxima em R$ 45,34, mínima em R$ 44,34 e fechamento em R$ 44,39, alta de 1,93% na semana. O máximo do ciclo segue perto de R$ 50,70, coincidente com o pico do Brent de abril. A partir daí, o papel corrigiu até a zona de R$ 37 a 38 e voltou a subir, agora testando diretamente a resistência de R$ 44 a 45, com a máxima da semana já superando os R$ 45.

As médias móveis semanais confirmam a estrutura de alta. Conforme a legenda do gráfico, tanto a MM50 quanto a MM200 semanais aparecem próximas de R$ 34,60, ambas claramente abaixo do preço atual de R$ 44,39. O Parabolic SAR semanal, em R$ 38,96, também está abaixo do preço e sinaliza viés comprador. Essa combinação, com o preço acima das médias e do SAR, mantém a tendência primária de alta intacta e desloca o suporte relevante para a faixa de R$ 38 a 39.

O MACD semanal, que em agosto era o principal contraponto à leitura altista, agora reforça a tese. A linha MACD está em 0,90, acima da linha de sinal em 0,88, com histograma positivo em 0,02, configurando o cruzamento altista que o mês anterior aguardava. Em price action, o padrão é de recuperação depois do impulso até R$ 50,70 e da correção subsequente: um rompimento semanal com fechamento acima de R$ 45 valida a continuidade da retomada; a perda de R$ 38 invalida o cenário de curto prazo.

Suportes e Resistências para Setembro

A primeira zona de suporte fica na faixa de R$ 40, patamar psicológico e piso da consolidação recente. Abaixo, o suporte estrutural está em R$ 38 a 39, reforçado pela confluência do SAR semanal (R$ 38,96) e do fundo da correção; a perda dessa área abriria caminho para as médias móveis, próximas de R$ 34,60. Do lado das resistências, a barreira imediata está entre R$ 44 e R$ 45, exatamente onde o papel negocia e vem falhando; a superação com força abre espaço para R$ 47 a 48. A resistência mais importante segue no topo do ciclo, em R$ 50 a 51 (máximo de R$ 50,70). Enquanto PETR4 não fechar a semana acima de R$ 45, o gráfico continuará em fase de teste dessa resistência.

Monthly Forecast para Setembro de 2026

O forecast para setembro é de uma Petrobras com fundamentos fortes e valuation ainda descontado, em retomada técnica confirmada, mas navegando um mês em que a política domina a agenda. O que decide o mês não é o balanço, ausente até novembro, e sim o ruído eleitoral, a trajetória do Brent e o desdobramento do Morpho. Trabalhamos com três cenários.

  • Cenário base (50%): range de R$ 42 a 47. Brent estabilizado entre US$ 85 e 95, corrida eleitoral sem sobressaltos e continuidade da consolidação acima do suporte de R$ 40. O papel oscila em torno da resistência de R$ 45, com viés de rompimento gradual à medida que o cruzamento altista do MACD amadurece. É o desfecho mais provável.

  • Cenário de alta (25%): R$ 48 a 51. Reescalada da tensão em Ormuz com Brent acima de US$ 100, leitura de mercado favorável na largada eleitoral e confirmação de qualidade e escala do óleo do Morpho pelo Cenpes. O papel rompe R$ 45 com fechamento semanal, valida o cruzamento do MACD e testa o máximo do ciclo, em R$ 50,70.

  • Cenário de baixa (25%): R$ 37 a 40. Desescalada em Ormuz com Brent recuando para a casa dos US$ 70, somada à deterioração do humor eleitoral - o próprio Morgan Stanley alertou que, no cenário fiscal mais adverso do pós-eleição, o Ibovespa poderia recuar cerca de 25% em reais. O papel perde R$ 40 e busca o suporte de R$ 38 a 39, com risco de estender até as médias, em R$ 34,60.

O calendário concentra os gatilhos em política e commodity: até 2 de setembro, o TSE conclui o julgamento dos registros de candidatura à Presidência; ao longo do mês, a campanha entra na reta final para o primeiro turno de 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro; no início de setembro, a Petrobras deve concluir a perfuração do Morpho, seguida das análises do Cenpes sobre a qualidade do óleo; e, no pano de fundo, os dados de trânsito em Ormuz e as decisões da OPEP+ sobre oferta seguem ditando o Brent. O próximo balanço, do 3T26, só sai em 10 de novembro.

Síntese do Forecast

A Petrobras entra em setembro com fundamentos muito sólidos, valuation comprimido e dividend yield elevado, mas com o risco político de volta ao centro da tese na reta final eleitoral. A questão do mês é de política e de commodity: sem balanço até novembro, o que move a ação é o ruído das urnas, o Brent e o desdobramento do Morpho, com Ormuz como verdadeiro swing factor. Tecnicamente, a estrutura semanal é construtiva e, agora, com momentum a favor: preço a R$ 44,39, acima das médias móveis (próximas de R$ 34,60) e do SAR (R$ 38,96), e com o MACD semanal em cruzamento altista (linha 0,90 acima do sinal 0,88, histograma +0,02). O suporte imediato é R$ 40; R$ 38 a 39 é a defesa estrutural; R$ 44 a 45 é a resistência a vencer; e R$ 50,70 segue como a grande resistência para confirmar a retomada plena do bull trend.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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