A Petrobras entra em outubro de 2026 como uma major integrada com produção recorde, refino rodando no limite, geração de caixa robusta e valuation ainda comprimido, mas com o risco político no ponto mais sensível do ano: o primeiro turno das eleições ocorre em 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro. Diferentemente de setembro, o mês chega depois de uma forte valorização: PETR4 fechou 25 de setembro a R$ 48,08 e o valor de mercado da companhia bateu recorde histórico em meados do mês, perto de R$ 700 bilhões, impulsionado pela disparada do Brent.
O ponto central do mês não é resultado: o 3T26 só será divulgado em 10 de novembro. O que move a ação é a combinação de três variáveis: a trajetória do petróleo, ainda dominada pelo conflito no Estreito de Ormuz, o desfecho eleitoral e a continuidade dos programas de subvenção aos combustíveis. O viés fundamental é construtivo, mas a assimetria de curto prazo diminuiu depois da alta de setembro.
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Fundamentos: Produção Recorde, Refino a 101% e Caixa em Máxima
A tese operacional segue intacta. No 2T26, a produção total atingiu 3,336 milhões de boed, recorde histórico, com petróleo em 2,689 milhões de bpd, alta de 15% em doze meses. Os dados preliminares da ANP mostram continuidade: a produção de petróleo da companhia chegou a 2,92 milhões de bpd em agosto, avanço de 4% sobre julho, puxada principalmente por Búzios, que subiu 5% após a entrada antecipada da P-79.
O refino é o segundo motor. O fator de utilização atingiu 101,2% no 2T26, recorde da companhia, com produção de derivados de 1,918 milhão de bpd e 68% de produtos de maior valor. Em setembro, a presidente Magda Chambriard afirmou que a Petrobras já tem carga de diesel contratada para atender o mercado em outubro e vem ampliando a produção doméstica, com diversificação de fornecedores, incluindo a Índia, diante da hipótese de restrição às exportações norte-americanas.
O financeiro acompanha. O fluxo de caixa operacional do 2T26 foi de R$ 61,8 bilhões (US$ 12,3 bilhões), com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 93,8 bilhões, ambos acima do consenso. A gestão de passivos também avançou: em 25 de setembro foi liquidado o resgate antecipado de cerca de US$ 1 bilhão em títulos globais com vencimento em 2028. Na frente internacional, a companhia assinou oito contratos de partilha na Costa do Marfim e um memorando com a estatal ENH, de Moçambique.
O contrapeso é o de sempre: como estatal controlada pela União, preços, CAPEX e dividendos estão sujeitos à agenda pública, tema que ganha peso máximo em outubro eleitoral.
Valuation: Múltiplos Baratos, Subsídios Recompondo Caixa
A preços próximos de R$ 48, os múltiplos continuam comprimidos, com P/L na casa de 5x e EV/EBITDA bem abaixo da média do setor. O desconto não é anomalia: é o prêmio de risco de estatal, somado à natureza cíclica do petróleo e à discricionariedade sobre proventos.
O pacote de subvenções mudou a matemática de curto prazo. Em setembro, o Conselho aprovou a adesão ao novo programa de subvenção ao diesel de R$ 1,00 por litro, criado pela MP nº 1.391/2026 por 30 dias prorrogáveis, acumulável com a subvenção de R$ 1,12 por litro da MP nº 1.363/2026. Casas de análise leram a medida entre neutra e bastante positiva: o Bradesco BBI estimou ganho potencial de cerca de US$ 6,5 bilhões no fluxo de caixa livre ao acionista, e a XP calculou até US$ 5,9 bilhões anualizados só com o novo subsídio do diesel. Até 25 de setembro, a companhia já havia recebido R$ 12,2 bilhões acumulados nos programas de diesel, gasolina e GLP.
Na remuneração, o provento do 2T26 já está definido: R$ 17,4 bilhões em dividendos e JCP, com data-base em 21 de agosto e pagamento em 23 de novembro e 21 de dezembro. Quem entra agora não captura esse fluxo. Para o 3T26, a XP estima cerca de US$ 3,8 bilhões em proventos, acima dos US$ 3,4 bilhões do trimestre anterior, mesmo projetando queda de aproximadamente US$ 2 bilhões no EBITDA, para cerca de US$ 17,8 bilhões, já que a companhia não repassou integralmente a alta internacional dos derivados.
Análise Técnica: Tendência de Alta Intacta, mas Preço Esticado

O gráfico semanal de PETR4 mantém leitura construtiva. O último candle semanal abriu em R$ 48,21, com máxima de R$ 50,24, mínima de R$ 47,30 e fechamento em R$ 47,99, queda de 1,05% na semana, depois de o papel ter tocado a zona dos R$ 50 em meados de setembro. O movimento é típico de consolidação após impulso, e não de reversão confirmada.
As médias móveis semanais de 50 e 200 períodos aparecem próximas de R$ 34,96, muito abaixo do preço, o que confirma a tendência primária de alta, mas também mostra que o papel está bastante esticado. O Parabolic SAR semanal, em R$ 41,96, segue abaixo do preço e mantém o viés comprador, deslocando a defesa estrutural para a faixa de R$ 42.
O MACD semanal reforça a leitura: a linha está em 1,90, acima do sinal em 1,33, com histograma positivo de 0,57. O momentum é altista, mas o histograma parou de acelerar na última semana. Em price action, a rejeição na faixa de R$ 50 é o fato relevante do mês: sem fechamento semanal acima dessa zona, o papel continua em fase de teste da resistência.
Suportes e resistências para outubro
O primeiro suporte está entre R$ 47,30 e R$ 47,90, mínimas recentes e zona de defesa imediata dos compradores. Abaixo, a região de R$ 44 a R$ 45 corresponde à antiga área de rompimento de agosto e setembro. O suporte estrutural fica em R$ 42, reforçado pela confluência com o SAR semanal (R$ 41,96); a perda dessa faixa abriria caminho para as médias móveis, próximas de R$ 34,96.
Do lado das resistências, a barreira imediata é R$ 50,20 a R$ 50,70, exatamente onde o papel vem falhando. A superação com fechamento semanal abre espaço para R$ 52,50 a R$ 54. O alvo mais ambicioso fica em R$ 56 a R$ 57, compatível com preços-alvo de casas como o BTG.
Monthly Forecast para Outubro de 2026
O forecast para outubro é de uma Petrobras com fundamentos fortes e valuation descontado, em tendência de alta intacta, mas navegando o mês de maior ruído político do ano e sem balanço até novembro. Trabalhamos com três cenários.
Cenário base (50%):
range de R$ 45,50 a R$ 52,50. Brent sustentado entre US$ 95 e US$ 110, eleição sem choque de expectativas e manutenção do suporte de R$ 47,30. O papel consolida em torno da resistência de R$ 50, com viés positivo enquanto o MACD semanal permanecer acima do sinal. É o desfecho mais provável, com fechamento mensal mais provável entre R$ 48,50 e R$ 51,50.
Cenário de alta (25%):
R$ 52,50 a R$ 57. Nova escalada em Ormuz com Brent firme acima de US$ 110, leitura eleitoral favorável ao mercado e confirmação de produção elevada nos dados da ANP. O papel rompe R$ 50,70 com fechamento semanal e busca a extensão em R$ 52,50 a R$ 54, com R$ 56 a R$ 57 como alvo máximo.
Cenário de baixa (25%):
R$ 41,50 a R$ 45,50. Sinal concreto de trégua entre Estados Unidos e Irã, com reabertura de Ormuz e Brent recuando em direção aos US$ 90, hipótese compatível com a projeção da EIA para o segundo semestre; ou deterioração do humor eleitoral e volta do temor de interferência em preços. O papel perde R$ 47,30, testa R$ 44 a R$ 45 e pode estender até o suporte estrutural de R$ 42.
O calendário concentra os gatilhos fora do balanço: primeiro turno em 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro; evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã e do tráfego em Ormuz; decisões da OPEP+ sobre oferta; eventual prorrogação do programa de subvenção ao diesel, cujo prazo inicial é de 30 dias; e novas parcelas de subsídios recebidas. O 3T26 só sai em 10 de novembro.
Síntese do Forecast
A Petrobras entra em outubro com o melhor conjunto operacional da sua história recente - produção acima de 2,9 milhões de bpd, refino no limite e caixa reforçado por R$ 12,2 bilhões em subvenções já recebidas - negociando a múltiplos de estatal e com dividend yield elevado. A questão do mês é política e de commodity: sem balanço até novembro, o que decide é a urna, o Brent e a continuidade dos subsídios, com Ormuz como verdadeiro swing factor. Tecnicamente, a estrutura semanal segue de alta, com preço em R$ 47,99, acima das médias (R$ 34,96) e do SAR (R$ 41,96) e MACD em 1,90 contra sinal de 1,33, mas esticada e rejeitada na primeira tentativa de romper R$ 50. O suporte imediato é R$ 47,30; R$ 42 é a defesa estrutural; e R$ 50,70 continua sendo o nível que confirma a retomada plena do bull trend.
Este material tem caráter informativo e analítico e não constitui recomendação de investimento.
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