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As Três Ações que Melhor se Comportaram na Bolsa Brasileira Nesta Semana: Banco do Brasil, B3 e Sabesp

De Frederico Aragão Morais
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A semana de 14 a 18 de setembro de 2026 interrompeu a sequência de quatro altas semanais do Ibovespa, que fechou a sexta-feira em queda de 0,41%, aos 185.229 pontos, e acumulou perda de 1,06% no período. O pano de fundo foi a eleição: a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostrou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% num eventual segundo turno, empate técnico que manteve o trade eleitoral vivo mesmo num índice negativo. No exterior, o Banco do Japão elevou os juros para 1,25% ao ano, e o dólar subiu 0,37% na semana. O petróleo recuou na sexta, ainda acima de US$ 100 o barril, e o minério pressionou a Vale, que caiu 1,53%.

Três nomes lideraram a carteira acompanhada, cada um com um motor diferente: o Banco do Brasil (BBAS3), reprecificação de risco político sobre um valuation descontado; a B3 (B3SA3), infraestrutura do mercado de capitais beneficiada por volumes em aceleração; e a Sabesp (SBSP3), utility pós-privatização com catalisadores regulatórios e societários. O filtro é o de sempre: as três maiores valorizações do período, de fechamento a fechamento, com os fundamentos a sustentar a história e o gráfico semanal a confirmar, ou não, a tendência.

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Banco do Brasil (BBAS3): Reprecificação Política com o Crédito Ainda Deteriorado

O Banco do Brasil é o maior banco controlado pela União e o maior financiador do agronegócio, característica que explica a sensibilidade da ação ao ciclo eleitoral e o estrago recente nos resultados. O segundo trimestre trouxe a primeira inflexão depois de seis trimestres de piora: lucro ajustado de R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% em doze meses e de 13,9% sobre o trimestre anterior, acima do consenso. O retorno sobre o patrimônio subiu para 8,3%, mas mantém o banco na última posição entre os grandes, contra 24% do Itaú e 16,1% do Bradesco.

O problema é a qualidade dos ativos. A inadimplência acima de 90 dias avançou para 5,61% em junho, contra 3,96% um ano antes, com custo de crédito de R$ 18,5 bilhões só no trimestre, e já não está restrita ao rural: a do cartão dobrou de 7% para 14%. O Bank of America reiterou a recomendação de venda a 8 de setembro, cortou o preço-alvo para R$ 20 e projeta lucro de R$ 17,6 bilhões em 2026, abaixo do piso do guidance da própria instituição. O papel negocia a 0,70 vez o valor patrimonial e acumula alta de cerca de 26% desde 13 de agosto.

Um gráfico semanal que fecha praticamente na máxima do período e encosta na média longa, com o SAR muito abaixo do preço, mas com o MACD ainda a cruzar por baixo da linha zero.

Gráfico semanal BBAS3 23/09/2026

Na penúltima candle, referente exatamente à semana de 14 a 18 de setembro, BBAS3 abriu em R$ 21,95, marcou mínima de R$ 21,83 na segunda-feira, máxima de R$ 23,23 e fechou em R$ 23,20, alta de 3,2%. O corpo branco é longo e quase sem sombra superior: o fechamento praticamente na máxima é o detalhe mais relevante, e o motor foi a sexta-feira, quando o papel subiu 1,84% na contramão do Ibovespa. O preço fica encostado na média longa, em R$ 23,95, a resistência que separa reação técnica de início de tendência, com o SAR em R$ 18,41. A ressalva está no momentum: o MACD cruza para cima, mas todo o conjunto permanece abaixo da linha zero. Suportes em R$ 21,83 e R$ 18,41. A última candle, ainda em formação, já devolve 1,98%.

B3 (B3SA3): Qualidade Operacional com Volumes em Aceleração

A B3 é a própria infraestrutura do mercado de capitais e combina receitas pró-cíclicas, ligadas à negociação, com receitas recorrentes de registro, dados e tecnologia. No segundo trimestre, a receita somou R$ 3,1 bilhões, alta de 12,2%, com lucro recorrente de R$ 1,4 bilhão e margem Ebitda de 70,2%. A composição importa mais do que o agregado: as receitas recorrentes cresceram 17,3% contra 7,9% das pró-cíclicas. O lucro contábil chegou a R$ 1,70 bilhão, alta de 28,2%, beneficiado pela venda da fatia na Dimensa e pelo efeito fiscal do JCP extraordinário.

O dado que sustentou a semana, porém, é operacional e saiu na noite de 15 de setembro. Em agosto, o volume financeiro médio diário de ações atingiu R$ 30,284 bilhões, alta de 26,1% em doze meses e de 33,8% sobre julho, com as opções a saltarem 75,6% e o giro de mercado a subir para 145,9%, contra 107,7% em julho. Nem tudo é favorável: a receita por contrato dos derivativos caiu 12,8% e o futuro de criptoativos recuou 59,3%. A companhia mantém cerca de R$ 4 bilhões em base acumulada para JCP extraordinário, o que deve compensar boa parte da elevação de IR e CSLL de 34% para 40%.

Um gráfico semanal em construção de base que retoma a faixa de R$ 17,50, com o MACD já acima da linha zero e o rompimento a confirmar-se na semana seguinte.

Gráfico semanal B3SA3 23/09/2026

A penúltima candle abriu em R$ 16,85, marcou mínima de R$ 16,81 logo no primeiro pregão, máxima de R$ 17,79 na quinta-feira e fechou em R$ 17,59, alta de 1,8%. O corpo é branco e a sombra inferior curta, sinal de compra desde o início da semana, ainda que o fechamento abaixo da máxima revele hesitação na sexta. O preço opera muito acima da média longa, em R$ 13,18, com o SAR em R$ 14,33, e o MACD mostra cruzamento comprador já acima da linha zero: é a leitura mais consistente das três. A confirmação veio logo depois, com a candle em formação a subir 5,17%, para R$ 18,50. Suportes em R$ 16,81 e R$ 14,33.

Sabesp (SBSP3): Catalisador Regulatório e Reorganização Societária

A Sabesp é a maior companhia de saneamento do país e vive o segundo ano do ciclo pós-privatização. O segundo trimestre mostrou a tensão da tese: receita líquida de R$ 10,2 bilhões, crescimento de 13,9%, mas lucro de R$ 1,46 bilhão, queda de 31%, num ano de investimento pesado. O suporte ao preço veio do JP Morgan, que a 8 de setembro elevou o preço-alvo de R$ 34 para R$ 35, manteve overweight e apontou potencial de 31,9%, ao cortar o capex projetado para 2026-2029 de R$ 89 bilhões para R$ 75 bilhões e reduzir a alavancagem esperada para cerca de 2,8 vezes Ebitda.

O evento da própria semana, porém, foi societário. A 16 de setembro, os acionistas da EMAE aprovaram a incorporação pela Sabesp da totalidade das ações que esta ainda não detinha, operação já aprovada do lado da Sabesp a 30 de julho. A relação de troca é de 1,3195 ação da Sabesp por cada ação da EMAE, com emissão de cerca de 9,88 milhões de novas ações e reembolso aos dissidentes fixado em R$ 18,18. Os riscos de curto prazo estão na receita do segundo semestre: cerca de R$ 300 milhões em correções de contas de água e R$ 130 milhões por ano em descontos a grandes clientes industriais.

Um gráfico semanal de recuperação a partir do fundo de agosto, mas com o SAR ainda acima do preço e o MACD abaixo da linha zero, a leitura mais frágil das três.

Gráfico semanal SBSP3 23/09/2026

A penúltima candle abriu em R$ 26,20, caiu até R$ 26,04 na segunda-feira, recuperou ao longo da semana e fechou em R$ 27,31, alta de 1,0%, o melhor fechamento semanal desde o início de agosto. O preço opera muito acima da média longa, em R$ 18,87, mas o desenho é o mais frágil do trio: o SAR permanece em R$ 28,69, acima da cotação, sinal de que a baixa de curto prazo ainda não virou, e o MACD segue abaixo da linha zero, sem cruzamento comprador. Resistências em R$ 27,55 e R$ 28,69; suportes em R$ 26,04 e R$ 23,03. A última candle, ainda em formação, sobe 1,39%.

Conclusão

Numa semana negativa para o índice, as três líderes ganharam por motivos que quase não se cruzam. O Banco do Brasil é o caso mais dependente de narrativa: sobe com a reprecificação do risco eleitoral e com o desconto patrimonial, mas carrega inadimplência de 5,61%, ROE de 8,3% e recomendação de venda. A B3 é o oposto, o caso de qualidade: margem de 70%, receitas recorrentes a crescer mais do que as pró-cíclicas e o único gráfico com momentum acima da linha zero, ao preço de múltiplos exigentes. A Sabesp fica no meio, com catalisador claro no alvo do JP Morgan e na incorporação da EMAE, mas com lucro pressionado e um gráfico que subiu sem confirmar a virada. Enquanto o semanal respeitar R$ 21,83 em BBAS3, R$ 16,81 em B3SA3 e R$ 26,04 em SBSP3, as três teses seguem vivas; a perda desses pisos é que exigiria um novo ponto de entrada.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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