Os últimos dias deixaram um cenário misto para o S&P500. Por um lado, continuam os sinais de fraqueza econômica e o dado do PCE evidenciou que a inflação segue elevada. Ainda assim, as perspectivas de que o Fed eleve os juros em setembro permanecem baixas.
Por outro lado, a possibilidade de retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz está gerando certo otimismo nos mercados.
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O Que Mudou na Narrativa do S&P500 nos Últimos Dias?
No início da semana, a narrativa em torno do S&P500 era marcada por três fatores: a continuidade dos sinais de fraqueza econômica observados na semana anterior, expectativas um pouco menores de uma alta de juros pelo Fed em setembro e o pessimismo gerado pela situação em torno do Irã e do Estreito de Ormuz.
Os acontecimentos dos últimos dias introduziram algumas mudanças nesse cenário, que podem dar certo suporte ao principal índice de referência dos Estados Unidos.
A economia dos Estados Unidos continua mostrando sinais de fraqueza
Os dados publicados durante a semana ofereceram um panorama misto, embora com um leve viés de esfriamento econômico. As licenças de construção, os pedidos de bens duráveis e as vendas de casas novas referentes a julho, junto com o relatório de confiança do consumidor de agosto, vieram mais fracos do que o esperado.
Por outro lado, o índice PCE de julho, o indicador de inflação preferido do Fed, ficou acima do esperado. Portanto, a imagem deixada pelos dados não é a de uma economia enfraquecendo de forma clara, mas sim a de um crescimento que continua mostrando alguns sinais de perda de impulso enquanto persistem certas pressões inflacionárias.
O PCE não altera as expectativas sobre o Fed para setembro
Apesar do dado de PCE acima do esperado, as expectativas de uma alta de juros em setembro quase não mudaram. Segundo o FedWatch, a probabilidade está atualmente em 38,1%, contra 39,86% no início da semana.
Isso é relevante porque o mercado parece estar dando mais peso aos sinais de moderação da atividade econômica do que à alta observada no PCE. Por enquanto, a narrativa de um Fed menos restritivo no curto prazo permanece praticamente intacta, o que pode contribuir para gerar certo otimismo em torno do S&P500.
Melhora o panorama em torno do Estreito de Ormuz
A maior mudança na narrativa ocorreu no front geopolítico. Se, no início da semana, a situação em torno do Estreito de Ormuz contribuía para aumentar o pessimismo dos mercados, as últimas notícias reduziram parte dessa preocupação.
Os indícios de que Irã e Omã estariam negociando um acordo para restabelecer o tráfego marítimo na região provocaram uma forte reação no mercado de petróleo: o WTI caiu 6,01% no acumulado da semana. A possibilidade de normalização do tráfego por um dos principais pontos de trânsito energético do mundo reduziria o risco de novas interrupções no fornecimento de petróleo.
Além disso, foi divulgado que os Estados Unidos estariam enviando de volta ao Oriente Médio o pessoal diplomático de suas embaixadas que havia sido evacuado durante a guerra com o Irã. Essa medida também aponta para uma normalização progressiva da situação e reduz a aversão ao risco nos mercados.
Fluxos e Posicionamento no S&P500
O setor de materiais básicos está ganhando protagonismo. Subiu 3,85% nesta semana e acumula alta de 13,75% no último mês. Esse comportamento sugere que há uma demanda importante por companhias ligadas a commodities e materiais e pode ser interpretado como um sinal de que o mercado não está precificando uma deterioração econômica severa.
No horizonte trimestral, porém, a liderança muda. Saúde (+15,01%) e financeiro (+11,42%) ocupam as primeiras posições, enquanto energia avança 6,57%. No lado oposto, serviços de comunicação acumulam queda de 8,93%, seguidos por serviços públicos (-4,99%) e consumo defensivo (-3,90%).
Atualmente, a liderança não está concentrada exclusivamente nas grandes empresas de tecnologia. De fato, tecnologia aparece entre os três setores mais fortes do último mês (+6,99%), mas não entre os líderes desta semana nem do trimestre.
Os Fluxos de ETFs Mostram Compras, mas sem uma Direção Totalmente Clara
Os fluxos de capital para os principais ETFs que acompanham o S&P500 indicam que ainda existe demanda pela renda variável dos Estados Unidos. Durante a última semana, o SPY registrou saídas de 9,533 bilhões, enquanto o IVV sofreu saídas ainda maiores, de cerca de 10,069 bilhões. Em contrapartida, o VOO recebeu entradas de aproximadamente 10,725 bilhões e o RSP, que oferece exposição equiponderada ao S&P500, captou cerca de 554 milhões.
O QQQ, que acompanha o Nasdaq-100 e tem elevada exposição às grandes empresas de tecnologia, recebeu aproximadamente 1,930 bilhão. Uma parte importante do dinheiro que saiu de SPY e IVV acabou entrando em VOO, enquanto o QQQ também registrou entradas. Isso aponta mais para uma redistribuição de posições do que para uma saída generalizada do mercado.
A média das últimas quatro semanas reforça essa leitura. O VOO registra entradas médias de cerca de 5,037 bilhões por semana e o QQQ, de 4,232 bilhões. O SPY mantém um saldo médio positivo, embora muito mais moderado (+2,089 bilhões).
Fatores que Podem Aumentar a Volatilidade do S&P500 no Restante da Semana
Para o restante da semana, será preciso acompanhar o que mostrarão os seguintes relatórios macroeconômicos:
Novos pedidos de auxílio-desemprego (quinta-feira)
Renovações de pedidos de auxílio-desemprego (quinta-feira)
PMI de Chicago (sexta-feira)
Dados melhores do que o esperado podem reduzir o pessimismo em torno de um possível esfriamento econômico e atrair pressão compradora para o S&P500. Por outro lado, números mais fracos do que o previsto teriam o efeito oposto.
Análise Técnica do S&P500
Gráfico semanal:

Gráfico diário:

Recentemente, o S&P500 se aproximou das imediações da antiga resistência de 7.632$ e reagiu para cima. A lateralização ocorrida sobre esse nível e o movimento de alta observado hoje durante a sessão asiática vieram acompanhados de uma subida no indicador RSI. Isso sinaliza que a pressão compradora estaria aumentando e que poderíamos ver novas altas no curto prazo. No entanto, o histograma do MACD continua em território bearish, o que contradiz essa teoria.
Caso o preço continue subindo, é preciso considerar que a região da máxima histórica pode atuar como resistência, por isso é um bom ponto para realizar lucros, pelo menos parcialmente. Se o preço virar para baixo e romper os 7.632$, seria um sinal de fraqueza, que poderia vir acompanhado de uma visita às proximidades dos 7.400$.
Análise Técnica das 7 Magníficas
Apple (AAPL)

A Apple subiu 1,33% no acumulado da semana e o preço está se mantendo acima do fechamento da semana passada. É um sinal de força e sugere que a cotação pode continuar se recuperando no curto prazo. Uma queda abaixo dos 300$ colocaria essa teoria em dúvida e poderia fazer a correção continuar até a média móvel de 50 períodos.
Microsoft (MSFT)

Após duas semanas de quedas, a Microsoft voltou a subir. A vela atual quase não tem sombras e tanto a máxima quanto a mínima estão acima das da semana anterior. São sinais de força, indicando que o pullback teria sido concluído e que a cotação poderia seguir subindo.
É preciso considerar que a região dos 513$ pode atuar como resistência, assim como as imediações de 531$.
Alphabet (GOOGL)

Por enquanto, a vela da semana atual está deixando sinais mistos em torno da Alphabet. A máxima e a mínima acima das da semana passada indicam certa força. No entanto, a longa sombra superior e o pequeno corpo baixista sugerem que a oferta continuaria intensa. Se a mínima da semana passada for ultrapassada, há alta probabilidade de que as quedas continuem em direção à região dos 314$ - 324$.
Amazon (AMZN)

Depois de 3 semanas consecutivas de queda, a cotação da Amazon está se mantendo errática. Pode se tratar de uma consolidação antes de um novo recuo. Se o preço cair abaixo da mínima da semana passada, é provável que continue em direção às proximidades da EMA50. Por outro lado, se superar sua máxima, há certa probabilidade de que se dirija aos 274$.
Meta (META)

A Meta subiu 4,77% no acumulado da semana e está marcando máximas e mínimas mais altas do que na semana passada. Essa alta reforça a ideia de que o mercado estaria mudando de uma fase baixista para uma lateralização. Enquanto o suporte de 520$ - 528$ não for rompido, essa teoria ganhará força.
Nvidia (NVDA)

Esta é a segunda semana consecutiva de quedas na Nvidia e o preço caiu abaixo dos 211$. Isso indica que a antiga zona de resistência não está atuando como suporte e que a pressão vendedora poderia empurrar os preços novamente em direção ao suporte de 190$ - 194$, que coincide com a localização da EMA50. Essa tese perderia força se a cotação voltasse a ficar acima dos 214$ nos próximos dias.
Tesla (TSLA)

A cotação da Tesla acumula queda de 4,70% no acumulado da semana. A pergunta agora é se isso seria uma correção após as últimas 3 semanas de alta ou se seria o início de uma continuação baixista.
Se a máxima da semana passada for rompida, a primeira teoria ganharia força e poderíamos ver uma nova alta em direção às imediações da EMA50. Por outro lado, uma queda abaixo da mínima reforçaria a segunda hipótese e poderíamos ver uma nova visita à EMA200 no curto prazo.
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