A companhia segue com dominância do pré-sal e produção total acima de 3,3 milhões de boed, mas o mercado ainda precifica com desconto o risco de interferência governamental e a sensibilidade da tese ao Brent. Todo o mês gira em torno de um único evento: o resultado do 2T26, previsto para 6 de agosto, após o fechamento, com webcast no dia 7.
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O ponto central não é apenas o valuation atrativo. A prévia operacional de 28 de julho já mostrou um trimestre forte, com produção recorde e refino a 101% de utilização. As estimativas apontam EBITDA ajustado entre US$ 18 e 19 bilhões e lucro próximo de US$ 9,5 bilhões, quase o dobro do 2T25 e o melhor trimestre desde 2022. Mas o mercado já sabe disso desde a prévia. O que move a ação em agosto não é o EBITDA, e sim o dividendo anunciado e a decisão sobre o imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto. O viés fundamental é neutro a construtivo, e o gráfico semanal mostra tendência primária de alta intacta, com o papel a recuperar terreno em julho depois da correção de junho.
Fundamentos: Produção Recorde, Refino a 101% e Forte Geração de Caixa
O núcleo da Petrobras está organizado em três blocos: Exploração e Produção (E&P), com foco no pré-sal; Refino, Transporte e Marketing; e Gás e Energias de Baixo Carbono. A companhia mantém a disciplina de capital do Plano de Negócios 2026-2030, que prevê CAPEX total de US$ 109 bilhões e pico de produção de 2,7 milhões de bpd em 2028.
A prévia operacional do 2T26 reforça a tese. A produção total atingiu 3,336 milhões de boed, alta de 3,5% no trimestre e cerca de 14% em doze meses; o petróleo somou 2,689 milhões de bpd, avanço de 15% ano a ano. O refino chegou a 101% de utilização, ante 95% no 1T26, impulsionado pelas plataformas Maria Quitéria (Jubarte), Alexandre de Gusmão (Mero) e P-78, além do arranque da P-79. As exportações ficaram em cerca de 1 milhão de bpd, alta de 40% em doze meses, e a destocagem de aproximadamente 198 mil bpd contribuiu positivamente.
A base de comparação é o 1T26, quando a companhia reportou EBITDA ajustado recorrente de US$ 11,7 bilhões e lucro de US$ 6,2 bilhões, com o EBITDA 8,9% abaixo do consenso por atraso na precificação do petróleo exportado - foi o trimestre em que a Petrobras não capturou a subida do Brent, e o 2T26 é onde essa captura aparece. Para o novo balanço, as estimativas apontam EBITDA de US$ 18,9 bilhões e lucro de US$ 9,5 bilhões (BTG), US$ 18,1 bilhões de EBITDA (JPMorgan) e R$ 87,5 bilhões de EBITDA (Santander). O principal ponto de atenção segue sendo o risco político: como estatal controlada pela União, a companhia é sensível à agenda do governo em preços, imposto de exportação e CAPEX.
Valuation: Múltiplos Comprimidos Seguem Baratos, mas Embutem Risco de Estatal
O valuation é um dos principais argumentos a favor da Petrobras. A preço de referência próximo de R$ 38,80, o papel negocia com P/L de 4,65, EV/EBITDA de 3,72 e P/VP de 1,12, contra um EV/EBITDA de 8,55 do segmento; ao redor de R$ 43 os múltiplos ajustam para P/L de cerca de 5,0x e EV/EBITDA de cerca de 3,9x. A margem EBITDA de 46,35%, o ROE de 24,17% e o dividend yield de 12 meses, de 7,58%, completam o quadro de uma tese de renda. Um EV/EBITDA mais de metade abaixo do segmento não é anomalia, e sim o desconto estrutural de estatal, que reflete risco político, CAPEX elevado e discricionariedade sobre dividendos.
A remuneração ao acionista segue como principal suporte da tese: para o 2T26, os dividendos esperados estão na casa dos US$ 3 bilhões, com o BTG apontando US$ 2,5 bilhões, cerca de 2,2% de yield trimestral. Vale o alerta da XP: parte do impacto positivo no fluxo de caixa só aparece no 3T26, por atraso no recebimento das subvenções, e este é o principal risco de desapontamento a 6 de agosto. No consenso, os preços-alvo vão de R$ 45 (BB Investimentos) a R$ 63 (XP), passando por R$ 56 do BTG, R$ 55 do BofA e R$ 50 da Genial, sinalizando upside relevante frente ao preço atual.
Análise Técnica: Gráfico Semanal em Retomada Depois de Correção Respeitada em Fibonacci

O gráfico semanal de PETR4 tem leitura construtiva na estrutura, mas com um sinal de momentum que pede cautela. O último candle semanal abriu em R$ 41,20, com máxima em R$ 43,20, mínima em R$ 40,82 e fechamento em R$ 43,17, alta de 2,27% na semana. O máximo do ciclo aconteceu perto de R$ 50 a 51 (máximo de R$ 50,70), coincidente com o pico do Brent a US$ 120,88 em 30 de abril. A partir daí, o papel corrigiu até a zona de R$ 37 a 38, cerca de 25% abaixo do topo, e voltou a subir, para a faixa atual de R$ 43, respeitando a retração de 38,2% de Fibonacci entre o último fundo e o último topo.
As médias móveis semanais confirmam a estrutura de alta. A MM50 semanal está em R$ 34,35 e a MM200 semanal em R$ 37,39, ambas claramente abaixo do preço atual de R$ 43,17. A MM50 está abaixo da MM200, herança da correção de 2025, mas o preço recuperou-se com força acima de ambas. O ponto mais relevante é a confluência de suporte: a MM200 semanal, em R$ 37,39, coincide com o fundo da correção e com o Parabolic SAR semanal, em R$ 37,52, que aparece abaixo do preço e sinaliza viés comprador. Essa tripla confluência transforma a faixa de R$ 37 a 38 no suporte estrutural mais importante do gráfico.
O MACD semanal é o principal contraponto à leitura altista. Depois do pico do início de 2026, a linha MACD cruzou para baixo da linha de sinal, num cruzamento negativo: atualmente a linha MACD está em 0,62, abaixo do sinal em 1,17, com histograma negativo em -0,55. O lado positivo é que o histograma vem comprimindo à medida que o preço recupera para R$ 43, o que sugere que o momentum vendedor pode estar a esgotar-se, mas ainda não há cruzamento altista confirmado. Em price action, o padrão é de recuperação depois do impulso até R$ 50,70 e da correção subsequente: um rompimento semanal com fechamento acima de R$ 45 valida a retomada; a perda de R$ 37 a 38 invalida a tese de curto prazo.
Suportes e Resistências para Agosto
A primeira e mais importante zona de suporte está em R$ 37 a 38, reforçada pela confluência da MM200 semanal (R$ 37,39), do SAR semanal (R$ 37,52) e do fundo da correção. Se PETR4 defender esse intervalo, eventuais quedas serão lidas como realização controlada dentro de tendência ainda comprada. Abaixo, o próximo suporte relevante é a MM50 semanal, em R$ 34,35, e depois a zona de R$ 30 a 32, mínimos de 2025. Do lado das resistências, a primeira barreira está entre R$ 44 e R$ 45, onde o papel vem falhando; acima dela abre-se espaço para R$ 47 a 48. A resistência mais importante está no topo do ciclo, em R$ 50 a 51 (máximo de R$ 50,70). Enquanto o papel não recuperar a área de R$ 45 com força, o gráfico continuará em consolidação.
Monthly Forecast para Agosto de 2026
O forecast para agosto é de uma Petrobras com fundamentos fortes e valuation ainda muito descontado, em fase de retomada técnica depois da correção de junho. O que decide o mês não é o balanço, e sim a magnitude do dividendo e a decisão sobre o imposto de exportação. Trabalhamos com três cenários.
Cenário base (50%): range de R$ 40 a 46. Resultado forte a 6 de agosto, mas já em boa parte antecipado. Brent estabilizado entre US$ 85 e 95, dividendo em linha com os US$ 2,5 a 3,0 bilhões e consolidação acima do suporte de R$ 37 a 38. É o desfecho mais provável.
Cenário de alta (25%): R$ 48 a 51. Reescalada da tensão em Ormuz com Brent acima de US$ 100, dividendo acima de US$ 3 bilhões ou anúncio extraordinário e resultado positivo do poço Morpho. O papel rompe R$ 45, confirma o cruzamento altista do MACD semanal e testa o máximo do ciclo.
Cenário de baixa (25%): R$ 36 a 38. Desescalada efetiva em Ormuz, com Brent recuando para a casa dos US$ 70, somada a dividendo abaixo do esperado por atraso das subvenções. O papel perde o suporte de R$ 37 a 38 e busca a MM50 semanal, em R$ 34,35.
O calendário concentra os gatilhos: 6 de agosto, resultados do 2T26 e dividendos, após o fechamento; 7 de agosto, webcast; por volta de 9 de agosto, reavaliação do imposto de exportação de 12%; 20 de agosto, pagamento de JCP de R$ 0,35048636 por ação; e, ao longo do mês, a conclusão do poço Morpho e os dados de trânsito em Ormuz.
Síntese do forecast: a Petrobras entra em agosto com fundamentos muito sólidos, valuation comprimido e dividend yield elevado, mas com risco político e sensibilidade ao Brent no centro da tese. A questão do mês é de commodity e de política: o que move a ação é o dividendo e o imposto de exportação, e o verdadeiro swing factor é Ormuz. Tecnicamente, a estrutura semanal é construtiva - preço a R$ 43,17, acima da MM200 semanal (R$ 37,39) e da MM50 semanal (R$ 34,35), com SAR em R$ 37,52 abaixo do preço -, mas o MACD semanal ainda está negativo (linha 0,62 abaixo do sinal 1,17), sinal de que o momentum precisa de confirmação. O suporte estrutural é R$ 37 a 38 (MM200 semanal + SAR); a MM50 semanal em R$ 34,35 é a defesa seguinte; R$ 44 a 45 é a primeira resistência; e R$ 50,70 segue como a grande resistência para confirmar a retomada do bull trend.
Este material tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Os múltiplos referem-se a preço de referência próximo de R$ 38,80 e precisam de ajuste ao preço corrente; os dados técnicos foram lidos do gráfico semanal (1W) de PETR4. Confirme todos os dados na sua plataforma antes de qualquer decisão.