A semana de 13 a 17 de julho de 2026 mostrou uma rotação clara dentro da lista analisada. Enquanto nomes ligados a bancos, mineração e utilities ficaram para trás, os destaques vieram do setor de óleo & gás e da infraestrutura de mercado, com PRIO (PRIO3), Petrobras (PETR4) e B3 (B3SA3) concentrando a atenção da semana.
Pelo critério usado — variação de cinco dias com base nos preços de fechamento até 17/07 — a PRIO subiu cerca de 4,33%, a Petrobras avançou aproximadamente 3,15% e a B3 recuou em torno de 1,43%. O trio reúne três teses diferentes: uma E&P de crescimento apoiada em Wahoo, uma major integrada com foco em disciplina de capital e dividendos, e uma infraestrutura de mercado com trimestre recorde, mas em fase de digestão de preço.
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PRIO (PRIO3): O Destaque da Semana e uma Tese Sustentada por Wahoo e lifting Cost em Queda
A PRIO foi o principal destaque, com alta aproximada de 4,33%, chegando a R$ 57,85 no fechamento de 17/07. O movimento reforça uma tendência de curto prazo apoiada em fundamentos operacionais fortes e num pipeline claro de crescimento orgânico via Wahoo e Frade.
Do lado fundamentalista, a empresa apresenta características típicas de uma E&P pura: estrutura enxuta (pouco mais de 200 colaboradores), foco em aquisição e reenergização de campos maduros e alta alavancagem operacional. Com EBITDA ajustado representando algo próximo de 70–75% da receita, a PRIO se posiciona no topo da rentabilidade entre produtores independentes, combinando forte geração de caixa, lifting cost baixo e projetos de alto retorno, como Wahoo e novos poços em Frade.
Os resultados recentes também ajudam a explicar o interesse do mercado. No 1T26, a PRIO reportou receita líquida em torno de US$ 1,2 bilhão, alta de cerca de 67% ano contra ano, impulsionada pelo início da produção em Wahoo. O EBITDA ajustado ficou próximo de US$ 850 milhões, avanço de aproximadamente 90% no comparativo anual, com lucro líquido em torno de US$ 460 milhões (alta de ~33%). O lifting cost caiu para cerca de US$ 9,4 por barril, o menor nível desde 2023, com produção média de aproximadamente 155 mil bpd e vendas de 14,8 milhões de barris, apoiadas por Brent perto de US$ 83–84.
Um gráfico semanal em recuperação após correção das máximas recentes

No gráfico semanal, PRIO3 mantém uma leitura estrutural positiva. O preço fechou em R$ 57,85, com máxima da semana em R$ 58,00 e mínima em R$ 55,64. A vela semanal foi claramente positiva e mostra reação relevante depois da correção iniciada nas máximas recentes, próximas de R$ 72.
O preço segue acima das médias móveis principais. A MM50 está em torno de R$ 43,42 e a MM200 próxima de R$ 49,73, ambas bem abaixo do preço atual, o que preserva a tendência de médio e longo prazo. O SAR aparece em torno de R$ 66,29, funcionando como referência de resistência de curto prazo.
O ponto de atenção está no MACD, que ainda mostra perda de força depois do forte pico registrado no início de 2026, com histograma negativo. A leitura mais equilibrada é: tendência principal preservada, reação semanal boa, mas necessidade de confirmação. A região dos R$ 55–56 passa a ser suporte relevante. Para cima, a faixa entre R$ 60 e R$ 66 é a primeira zona de resistência mais robusta.
Petrobras (PETR4): Dividendos, Disciplina de Capital e Recordes de Produção
A Petrobras foi o segundo melhor desempenho da semana, com alta aproximada de 3,15%, fechando em R$ 40,90 em 17/07. O movimento reforça o papel da companhia como combinação de yield elevado, crescimento moderado e forte sensibilidade ao preço do petróleo e à percepção de risco político.
A tese da Petrobras continua baseada em disciplina de capital e geração de caixa. A companhia mantém foco declarado em convergência da dívida bruta para a faixa de US$ 65–67 bilhões até 2026, abaixo do teto do plano de negócios (~US$ 75 bilhões), com sólida geração de caixa operacional (cerca de US$ 8,4 bilhões no trimestre) e robusta posição de liquidez. Quase 90% do capex está concentrado em E&P, ancorando um pipeline relevante no pré-sal (P-80, P-82 e P-83, com capacidade de 225 mil bpd cada).
Os resultados recentes também sustentam o case. No 1T26, a Petrobras reportou lucro líquido de aproximadamente R$ 32,7 bilhões, praticamente em linha com o consenso, ainda que cerca de 7% abaixo do 1T25. O EBITDA ajustado ficou próximo de R$ 59,6 bilhões, com leve queda ano contra ano, e a receita atingiu R$ 123,9 bilhões (+0,4% a/a). Do lado operacional, a produção somou 2,58 milhões de bpd no trimestre, com abril registrando recorde de 2,73 milhões de bpd — cerca de 30% acima da média de 2024, graças às novas plataformas P-78 e P-79 em Búzios. O fator de utilização das refinarias superou 97% em março, reforçando a redução de importações de diesel S10 e a aprovação de dividendos superiores a R$ 9 bilhões no trimestre.
Um gráfico semanal em recuperação, com estrutura de alta preservada

No gráfico semanal, PETR4 fechou próximo de R$ 40,90, depois de abrir em R$ 40,51, tocar mínima em R$ 39,89 e máxima em R$ 41,31. A vela semanal foi positiva e dá continuidade à recuperação iniciada após a correção que levou o papel das máximas próximas de R$ 50 para a região dos R$ 38.
O preço segue confortavelmente acima das médias móveis principais. A MM50 está em torno de R$ 34,23 e a MM200 próxima de R$ 36,90, o que preserva uma leitura estrutural construtiva. O SAR aparece em torno de R$ 44,29, marcando a primeira referência de resistência técnica.
O MACD, porém, ainda mostra perda de força após o pico registrado no início de 2026 e segue com histograma negativo, indicando que o movimento é mais reação do que impulso limpo. A zona dos R$ 38–39 passa a ser o suporte mais importante. Para cima, a faixa entre R$ 44 e R$ 46 é a primeira resistência relevante. Um rompimento consistente melhoraria a leitura técnica e recolocaria os R$ 50 no radar.
B3 (B3SA3): Trimestre Recorde e Realização de Preço no Curto Prazo
A B3 fechou o trio, mas na contramão dos outros dois: recuo aproximado de 1,43%, com o papel encerrando a semana em R$ 15,20. A queda reflete mais realização de lucros e reprecificação de expectativas do que deterioração de fundamentos, num contexto em que a companhia acaba de entregar um trimestre recorde.
A tese da B3 é apoiada no seu papel de infraestrutura central do mercado de capitais brasileiro: bolsa, derivativos, balcão, serviços de financiamento, registro, compensação e liquidação, além de um braço crescente de dados e serviços analíticos. O modelo combina receitas pró-cíclicas com receitas recorrentes, o que gera alta alavancagem operacional quando o mercado aquece. Em disciplina de custos, as despesas totais cresceram cerca de 10–11% ano contra ano, mas, excluindo itens ligados à receita e one-offs, o crescimento ajustado ficou próximo da inflação (~6%), abrindo espaço para expansão adicional de margem.
Os resultados recentes reforçam a qualidade do case. No 1T26, a B3 reportou receita total recorde de cerca de R$ 3,2 bilhões (+20–21% a/a), com receita líquida em torno de R$ 2,87 bilhões e EBITDA recorrente de aproximadamente R$ 2,1 bilhões, com margem próxima de 71,6%. O lucro líquido recorrente ficou em torno de R$ 1,5 bilhão (+33% a/a), com EPS recorrente perto de R$ 0,30 (+38–39% a/a). Nos volumes, o ADTV de ações atingiu R$ 34,8 bilhões (+46% a/a), com fluxo estrangeiro líquido de aproximadamente R$ 54 bilhões no trimestre, e o ADV de derivativos ficou em torno de 13,2 milhões de contratos (+16% a/a). ETFs, BDRs e fundos listados cresceram cerca de 58%, com forte expansão em Tesouro Direto e nos produtos de dados (marca Trillia).
Um gráfico semanal em correção, testando as médias

No gráfico semanal, B3SA3 fechou próximo de R$ 15,20, com abertura em R$ 15,29, máxima em R$ 15,85 e mínima em R$ 14,93. Apesar da queda no acumulado da semana, o candle mostra alguma reação vinda da região dos R$ 14,90–15,00, num contexto de correção mais ampla depois das máximas próximas de R$ 20.
O preço está exatamente em cima da MM200, próxima de R$ 15,21, enquanto a MM50 aparece mais abaixo, em torno de R$ 13,05, o que ainda preserva a estrutura de médio prazo. O SAR em torno de R$ 17,28 sinaliza a primeira zona de resistência técnica.
O MACD segue negativo e com histograma pressionado, indicando que a força vendedora ainda não se dissipou. Enquanto o papel oscilar em torno da MM200, o cenário é de indefinição: perder R$ 14,90 abriria espaço para revisitar a MM50 nos R$ 13; recuperar consistentemente a região dos R$ 16 devolveria a leitura construtiva e recolocaria os R$ 17 no radar.
Conclusão
As três ações contam histórias diferentes. A PRIO foi o destaque da semana, com alta forte, tendência ainda positiva e uma tese apoiada em Wahoo, lifting cost em queda e pipeline de novos poços em Frade. A Petrobras aparece como o caso mais equilibrado, combinando disciplina de capital, dividendos relevantes e recordes de produção, com recuperação técnica em andamento. Já a B3 teve uma semana negativa no preço, mas continua sendo o papel com fundamentos mais robustos do trio no curto prazo — trimestre recorde, alta alavancagem operacional e crescimento consistente de volumes — apenas em fase de digestão pelo mercado.
Para a próxima semana, os níveis técnicos ficam bem definidos: PRIO3 precisa segurar a região dos R$ 55–56 e romper os R$ 60 para recolocar as máximas no radar, PETR4 precisa sustentar a zona dos R$ 38–39 e romper os R$ 44 para retomar tendência de alta clara, e B3SA3 precisa reconquistar consistentemente a MM200 acima de R$ 15,20 e romper os R$ 16 para começar a mudar a leitura técnica de forma mais convincente.
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