A semana de 6 a 10 de julho de 2026 foi de valorização relevante para três nomes do universo analisado: BBDC4, B3SA3 e PETR4, todos com altas em torno de 5% na janela. Bradesco foi o grande protagonista, com o melhor desempenho relativo, seguido de perto por B3 e Petrobras, num movimento que mistura recuperação cíclica no setor bancário, reprecificação estrutural da bolsa e retomada em commodities após correção.
O critério utilizado foi a variação entre o primeiro e o último fechamento do período 6–10 de julho de 2026. Nessa janela, BBDC4 avançou aproximadamente 5,90%, B3SA3 subiu cerca de 5,40% e PETR4 ganhou perto de 5,37%. Os demais papéis da lista tiveram desempenho inferior, com PRIO3 e ITUB4 também no positivo, mas com magnitude menor, enquanto EMBR3 e VALE3 chegaram a fechar a semana no vermelho.
Em semanas de altas concentradas em nomes de peso, o desempenho relativo mostra onde o fluxo comprador está enxergando reprecificação. Bradesco, B3 e Petrobras representam três teses distintas e complementares: banco tradicional em turnaround de rentabilidade, infraestrutura de mercado com recompras agressivas e estatal de commodities com forte geração de caixa.
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Bradesco (BBDC4): Turnaround Bancário No Centro do Movimento
O Bradesco foi o grande destaque da semana. BBDC4 subiu cerca de 5,90%, liderando o universo analisado. O movimento pode ser lido como continuidade da tese de turnaround bancário, com o mercado precificando a recuperação consistente de rentabilidade que o banco vem entregando desde 2025 e um valuation que ainda embute desconto relevante frente a pares.
O Bradesco é um dos maiores bancos privados do Brasil, com atuação diversificada em varejo, atacado, seguros, cartões e consórcios. Depois de anos de pressão em crédito e inadimplência, entrou em ciclo claro de recuperação, com o braço de seguros funcionando como importante gerador de resultado.
Nos fundamentais, o banco encerrou 2025 com lucro líquido recorrente anual em torno de R$ 24,6–24,7 bilhões, crescimento de aproximadamente 26% frente a 2024, e ROE recorrente na faixa de 14,8%–15,2%. No 4T25, o lucro líquido recorrente foi de cerca de R$ 6,5 bilhões, alta de mais de 20% ante o mesmo trimestre do ano anterior. O braço de seguros teve lucro líquido anual próximo de R$ 10,1 bilhões em 2025, com ROE entre 21,9% e 24,3%. As receitas de tarifas cresceram cerca de 9% no ano, e o índice de capital principal permaneceu confortável.
O guidance para 2026 projeta lucro em torno de R$ 27–28 bilhões e ROE próximo de 15,5%, com expansão de carteira de crédito entre 8,5% e 10,5% e aumento de 6% a 8% no resultado de seguros. O Bank of America manteve recomendação de compra para BBDC4, com preço-alvo em torno de R$ 23 e múltiplo próximo de 1,2x valor patrimonial estimado para 2026. O papel segue negociando com múltiplos de lucros e preço/valor patrimonial relativamente baixos, perfil atrativo para investidores em busca de dividend yield e recuperação cíclica.
Leitura técnica: reação em suporte com tendência maior positiva

No gráfico semanal, considerando a penúltima candle, BBDC4 está cotada perto de R$ 18,70, depois de recuar dos topos próximos de R$ 22 registrados no início de 2026 e testar a região dos R$ 17,50 a R$ 18. A alta da semana confirma reação compradora justamente sobre essa zona de suporte, que coincide com a média de 200 períodos, próxima de R$ 18,57. A média de 50 períodos, em torno de R$ 15,58, aparece bem abaixo do preço, mostrando que a tendência maior segue positiva desde os fundos de aproximadamente R$ 11 em 2025. O SAR aparece em R$ 19,99, logo acima do preço, indicando que o curto prazo ainda precisa de confirmação. Para o papel ganhar força adicional, seria importante ver a recuperação sustentada acima de R$ 19 e, na sequência, o rompimento da faixa dos R$ 20 em direção aos topos de R$ 22.
B3 (B3SA3): Reprecificação Estrutural e Recompras Sustentando a Tese
A B3 foi o segundo destaque da semana, com alta de cerca de 5,40%. O movimento é consistente com a tese de reprecificação estrutural que o papel vem consolidando desde os fundos próximos a R$ 11 em 2024, apoiada por uma política ativa de recompra de ações, margens elevadas e visibilidade de fluxo em cenário de maior atividade na bolsa.
A B3 é a bolsa de valores brasileira e opera como infraestrutura central do mercado de capitais, com receitas ligadas a listagem, negociação, pós-negociação, balcão e serviços de dados. É um negócio de alta rentabilidade, baixa necessidade de capex e forte alavancagem operacional.
Nos fundamentais, a companhia vem negociando com P/L entre 18x e 19x, dividend yield de aproximadamente 3% a 3,5%, lucro líquido anual em torno de R$ 5 bilhões e margem líquida superior a 40%. As margens de EBITDA recorrente ficam perto de 70%, como visto no 1T25, quando o EBITDA recorrente foi de cerca de R$ 1,66 bilhão, com margem de 69,5% e lucro líquido atribuído a acionistas de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Um ponto estrutural forte é a política ativa de recompra de ações, que reduziu a base de aproximadamente 6,17 bilhões para cerca de 5,1 bilhões de papéis, elevando o lucro por ação.
Modelos de fluxo de caixa descontado apontam faixa de valor justo entre R$ 19 e R$ 24 por ação, com upside potencial de 10% a 15% em cenário conservador e superior a 25% em cenário mais otimista. Comunicações recentes indicam que o payout projetado entre 90% e 110% do lucro líquido deve ser mantido em 2026, ao mesmo tempo em que a empresa aceita leve aumento de alavancagem, com o teto de dívida bruta sobre EBITDA subindo de 2,1x para até 2,2x, para financiar maior ciclo de investimentos em tecnologia e infraestrutura de mercado.
Leitura técnica: teste de médias após correção do topo

No gráfico semanal, considerando a penúltima candle, B3SA3 aparece cotada perto de R$ 15,10, depois de uma correção relevante a partir dos topos próximos de R$ 20 atingidos no início de 2026. O papel está justamente testando a região da média de 200 períodos, próxima de R$ 15,21, que passa a funcionar como suporte técnico relevante. A média de 50 períodos, em torno de R$ 13,05, aparece bem abaixo do preço, mostrando que a tendência maior segue positiva desde os fundos próximos a R$ 9 em 2025. O SAR está em R$ 17,28, acima do preço, indicando que o curto prazo ainda opera pressionado. Para destravar o próximo movimento, seria importante ver a recuperação sustentada da faixa dos R$ 16 e, na sequência, o rompimento da região dos R$ 18, com projeções técnicas na direção dos R$ 19 a R$ 22.
Petrobras (PETR4): Commodity de Peso com Forte Geração de Caixa e Ruído Político
A Petrobras fechou entre os melhores desempenhos da semana, com alta próxima de 5,37%. O movimento é relevante pela dimensão sistêmica do papel e reflete a combinação de resultados excepcionais recentes, política robusta de proventos e algum alívio no ruído político que costuma pressionar a ação.
A Petrobras é a maior companhia de óleo e gás do Brasil, com atuação integrada em exploração, produção, refino, transporte e comercialização. Qualquer movimento expressivo no papel costuma estar ligado à combinação de preços internacionais do petróleo, política de preços domésticos, dividendos e percepção de interferência política.
Nos fundamentais, em 2025 a Petrobras reportou lucro líquido de cerca de R$ 110,1 bilhões, praticamente triplicando o resultado de 2024, num contexto de maior produção de óleo e gás e mesmo com queda de aproximadamente 14% no preço médio do petróleo. Os trimestres reforçam a força operacional: cerca de R$ 35,2 bilhões de lucro no 1T25 e R$ 26,6 bilhões no 2T25, com EBITDA recorrente acima de R$ 50 bilhões por trimestre. A estatal distribuiu aproximadamente R$ 41–45 bilhões em proventos relativos a 2025, mantendo política de remuneração atrelada a cerca de 45% do fluxo de caixa livre quando o endividamento bruto está abaixo de US$ 75 bilhões.
Diversas casas de análise apontam que a Petrobras negocia com múltiplos descontados em P/L e EV/EBITDA na comparação com majors globais, com relatórios de bancos como BTG Pactual destacando valor na geração de caixa e na política de dividendos, ainda que com risco político relevante. Matérias de mercado destacam que 2025 foi um ano de correção após quatro anos consecutivos de altas, com PETR4 recuando cerca de 9% no ano, mas ainda renovando máximas em torno de R$ 36,02 e entrando 2026 em movimento mais lateral.
Leitura técnica: correção após topo com suportes em teste

No gráfico semanal, considerando a penúltima candle, PETR4 aparece cotada perto de R$ 40, depois de um forte movimento de alta que levou o papel dos R$ 30 até topos próximos de R$ 50 no início de 2026. Desde então, o ativo entrou em correção. A média de 50 períodos, próxima de R$ 26,35, e a de 200 períodos, em torno de R$ 30,02, seguem bem abaixo do preço, confirmando que a tendência maior permanece positiva. O SAR aparece em R$ 26,09, também bem abaixo, reforçando a leitura de correção dentro de tendência primária de alta. Para retomar força, o papel precisa consolidar acima da faixa dos R$ 42 e, na sequência, superar a região dos R$ 46 a R$ 48. Abaixo, os suportes relevantes ficam em R$ 38 e, mais adiante, na região dos R$ 34 a R$ 35.
Conclusão
Bradesco, B3 e Petrobras foram os três papéis de melhor desempenho na semana dentro do universo analisado, cada um por razões diferentes, mas complementares. BBDC4 confirmou a tese de turnaround bancário, com melhora consistente de rentabilidade e valuation ainda descontado. B3SA3 reforçou a tese de reprecificação estrutural, sustentada por margens altas, recompras agressivas e payout elevado. PETR4 mostrou reação após correção, apoiada por geração de caixa robusta, política de proventos e desconto relativo frente a pares internacionais.
Em uma semana de altas em torno de 5%, esse trio mostra onde o mercado ainda encontra histórias defensáveis: turnaround bancário com múltiplos baixos, infraestrutura de mercado com previsibilidade de fluxo e commodities com geração de caixa e proventos elevados.
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