A semana de 15 a 19 de junho foi negativa para boa parte das ações analisadas, mas três papéis se destacaram pelo melhor desempenho relativo: VALE3, BBAS3 e ITUB4. A Vale foi a única das três a fechar em alta, enquanto Banco do Brasil e Itaú registraram quedas moderadas, menores do que as observadas em outros nomes da lista.
O critério utilizado foi a variação entre o fechamento de 12 de junho e o fechamento de 19 de junho. Nesse período, VALE3 avançou cerca de 2,0%, BBAS3 recuou apenas 0,21% e ITUB4 caiu 1,80%. Mesmo com duas quedas, os três papéis se destacaram por mostrarem maior resistência em uma semana marcada por pressão sobre o mercado.
Esse tipo de leitura é relevante porque, em momentos de correção, as ações que sobem ou caem menos tendem a indicar onde o mercado ainda enxerga fundamentos mais sólidos ou maior capacidade de recuperação. Vale, Banco do Brasil e Itaú representam teses diferentes: commodities e dividendos, recuperação com valuation barato e qualidade bancária com rentabilidade elevada.
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Vale (VALE3): Alta na Semana, Dividendos Fortes e Exposição ao Ciclo de Commodities
A Vale foi o principal destaque da semana. VALE3 subiu cerca de 2,0%, passando de R$ 79,17 para R$ 80,75, em um período em que vários papéis da lista fecharam em queda. Esse desempenho mostra força relativa e reforça a percepção de que a ação continua atraindo investidores pela combinação de exposição ao minério de ferro, geração de caixa e dividendos.
A empresa segue fortemente ligada ao ciclo das commodities, à demanda chinesa e ao comportamento do câmbio. Ainda assim, os fundamentos continuam relevantes. A receita líquida anual está em torno de R$ 213,6 bilhões, com lucro líquido próximo de R$ 13,8 bilhões em 2025. As margens permanecem positivas, embora abaixo dos melhores momentos do ciclo, com margem bruta próxima de 35%, margem EBIT ao redor de 15% e margem líquida entre 6% e 7%.
A rentabilidade mostra uma companhia ainda sólida, mas mais sensível ao ambiente externo. O ROE está perto de 7,5%, o ROIC em torno de 10,9% e o ROA próximo de 2,9%. Esses indicadores mostram que a Vale continua gerando valor, mas em um patamar mais baixo do que nos períodos de maior força do minério de ferro.
O valuation também ajuda a sustentar a tese. VALE3 negocia com P/L perto de 7,1 vezes, P/B próximo de 1,18 vez e dividend yield em torno de 8,8%. Para investidores focados em renda, esse conjunto continua interessante, embora seja importante lembrar que a previsibilidade dos dividendos depende muito do ciclo de commodities e da geração de caixa.
A estratégia recente também contribui para a leitura positiva. Em 2025, a Vale superou metas de produção, com minério de ferro atingindo 336 milhões de toneladas, além de crescimento em cobre e níquel. A empresa também vem avançando em eficiência, controle de custos e projetos de expansão. O ponto de atenção continua nos riscos ambientais, regulatórios e na volatilidade típica do minério.
Leitura técnica: força compradora, mas ainda dependente do ciclo

Do ponto de vista técnico, VALE3 terminou a semana em torno de R$ 80,75, depois de sair de R$ 79,17 no fechamento anterior. A alta de cerca de 2,0% mostra força relativa, sobretudo porque a maior parte dos papéis analisados caiu no mesmo período.
A região dos R$ 79 funciona agora como uma primeira zona de suporte de curto prazo, já que foi o ponto de partida do movimento positivo da semana. Enquanto o papel se mantiver acima dessa faixa, a leitura continua construtiva. Por outro lado, para confirmar uma retomada mais forte, VALE3 precisa sustentar preços acima de R$ 80 e buscar novas zonas de resistência acima do fechamento semanal. A leitura prática é positiva, mas ainda dependente da continuidade do fluxo comprador e do comportamento do minério de ferro.
Banco do Brasil (BBAS3): Valuation Barato Sustenta o Papel, mas a Recuperação Ainda está em Teste
O Banco do Brasil teve uma queda muito leve na semana, de apenas 0,21%, passando de R$ 19,46 para R$ 19,42. A variação foi pequena, mas suficiente para colocar BBAS3 entre os melhores desempenhos relativos da lista. Em uma semana pressionada, essa estabilidade chama atenção.
A tese do Banco do Brasil combina valuation barato, recuperação de resultados e risco político. O papel negocia com P/VP em torno de 0,6 vez, abaixo do valor patrimonial contábil. Isso indica desconto relevante, mas também mostra que o mercado ainda exige um prêmio de risco por se tratar de um banco estatal e por existir incerteza sobre a qualidade dos resultados futuros.
Os números recentes explicam parte dessa cautela. O lucro líquido ajustado de 2025 ficou em torno de R$ 20,7 bilhões, abaixo dos R$ 37,9 bilhões de 2024. O ROE caiu de cerca de 21,4% para a faixa de 11% a 12%, pressionado principalmente pelo aumento do custo de crédito, com destaque para o agronegócio.
Mesmo assim, há sinais de melhora. No quarto trimestre de 2025, o lucro ajustado avançou 51,7% em relação ao trimestre anterior, chegando a R$ 5,7 bilhões. No primeiro trimestre de 2025, o banco reportou lucro ajustado de R$ 7,4 bilhões, ROE de 16,7% e carteira de crédito expandida de R$ 1,28 trilhão. Ou seja, a atividade comercial continua relevante, mesmo com a rentabilidade abaixo dos melhores níveis históricos.
O ponto central é saber se essa recuperação será sustentável. A redução do payout para cerca de 30% diminui o apelo de dividendos no curto prazo, mas pode ajudar a reforçar capital e dar mais segurança ao balanço. Por isso, BBAS3 segue como uma tese de valor: barata nos múltiplos, mas ainda dependente de confirmação operacional.
Leitura técnica: suporte próximo, mas gráfico ainda frágil

No gráfico semanal, BBAS3 aparece em uma região delicada. O papel está cotado perto de R$ 19,64, depois de ter trabalhado na semana entre aproximadamente R$ 19,46 e R$ 19,66. A zona entre R$ 19 e R$ 20 funciona como o principal suporte de curto prazo. Enquanto essa faixa for respeitada, o papel ainda tenta construir uma base.
O problema é que BBAS3 continua abaixo de referências técnicas importantes. A média de 200 períodos aparece perto de R$ 22,01, a média de 50 períodos está próxima de R$ 23,86 e o SAR está em torno de R$ 22,26, todos acima do preço atual. Isso mostra que, apesar da resiliência na semana, o gráfico ainda não confirmou recuperação.
Para melhorar a leitura técnica, o papel precisaria primeiro recuperar a faixa dos R$ 22 a R$ 23 e depois voltar a negociar acima da região de R$ 24. Enquanto isso não acontecer, BBAS3 segue como uma ação barata nos fundamentos, mas tecnicamente ainda pressionada. A perda da região de R$ 19 enfraqueceria bastante a leitura de curto prazo.
Itaú (ITUB4): Qualidade Permanece, Apesar da Realização no Curto Prazo
O Itaú recuou 1,80% na semana, mas ainda assim ficou entre os três melhores desempenhos relativos da lista. A queda foi menor do que a de outros papéis mais pressionados e reforça o papel de ITUB4 como uma ação de qualidade dentro do setor bancário brasileiro.
A tese do Itaú é diferente da tese do Banco do Brasil. Enquanto BBAS3 chama atenção pelo desconto, ITUB4 negocia com prêmio porque entrega rentabilidade elevada, eficiência operacional e maior previsibilidade. O mercado aceita pagar mais caro pelo Itaú porque o banco tem conseguido manter resultados fortes de forma consistente.
Em 2025, o lucro líquido recorrente ficou em torno de R$ 46,8 bilhões, com crescimento de aproximadamente 12% a 14%. O ROE ficou entre 23,4% e 24,4%, um nível muito elevado para um grande banco. A carteira de crédito chegou a cerca de R$ 1,5 trilhão, com crescimento entre 6% e 8%.
A eficiência operacional também segue como um dos principais pontos fortes. O índice de eficiência ficou em torno de 39,6%, o melhor nível desde a fusão com o Unibanco. Isso mostra capacidade de crescer, controlar custos e defender margens, mesmo em um ambiente mais competitivo e com pressão dos bancos digitais.
Em valuation, ITUB4 negocia acima dos pares, com P/L entre 8 e 11 vezes e P/VP próximo de 2,0 vezes. Esse prêmio parece justificado pela combinação de ROE alto, qualidade de ativos, capital robusto e dividendos relevantes. O risco é que, por já ser uma ação mais valorizada, o espaço para surpresa positiva seja menor do que em bancos mais descontados.
Leitura técnica: tendência maior positiva, mas curto prazo pressionado

No gráfico semanal, ITUB4 está cotado perto de R$ 40,50, depois de ter negociado na semana entre aproximadamente R$ 40,10 e R$ 40,60. O papel corrigiu depois de ter atingido patamares mais altos no início de 2026, mas ainda se mantém em uma região tecnicamente importante.
A faixa dos R$ 40 é o primeiro suporte relevante. A média de 50 períodos aparece próxima dessa zona, em torno de R$ 40,14, o que torna esse nível ainda mais importante para a leitura de curto prazo. Se ITUB4 conseguir se manter acima de R$ 40, a correção pode ser interpretada como uma pausa dentro de uma tendência maior de alta.
Por outro lado, o SAR aparece acima do preço, perto de R$ 42,80, indicando que o curto prazo ainda está pressionado. Para voltar a ganhar força, o papel precisa recuperar primeiro a região dos R$ 42 a R$ 43. Depois disso, as próximas resistências ficam nas zonas de R$ 46 e R$ 48, próximas dos máximos recentes. A perda clara dos R$ 40 abriria espaço para uma correção mais profunda, com a próxima referência relevante abaixo dessa faixa.
Conclusão
Vale, Banco do Brasil e Itaú foram os três papéis de melhor desempenho relativo na semana de 15 a 19 de junho dentro da lista analisada. A Vale foi a única a subir, enquanto Banco do Brasil e Itaú caíram menos do que a maioria dos demais nomes.
VALE3 se destacou pela força ligada a commodities, dividendos e produção robusta. BBAS3 mostrou resiliência por estar barata, mas ainda precisa provar que a recuperação de rentabilidade é sustentável. ITUB4 segue como a tese de maior qualidade entre os bancos, com lucro recorde, ROE elevado e eficiência operacional, embora o gráfico indique realização no curto prazo.
A leitura final é que as três ações se destacaram por razões diferentes. Vale entregou força efetiva na semana. Banco do Brasil resistiu pelo desconto. Itaú caiu, mas continua sustentado por fundamentos superiores. Em um mercado pressionado, esse desempenho relativo mostra onde os investidores ainda encontram histórias defensáveis: commodities com geração de caixa, bancos baratos em recuperação e bancos premium com qualidade comprovada.
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