A semana de 1 a 5 de junho foi negativa para a maior parte das ações analisadas, mas três papéis chamaram atenção por terem apresentado maior resiliência relativa: Embraer, Sabesp e Bradesco. Nenhuma das três ações fechou em alta, mas todas caíram menos do que os demais nomes da amostra, com perdas próximas de 1,5%.
No período, EMBR3 recuou de aproximadamente R$ 73,67 para R$ 72,59, queda de 1,47%. SBSP3 saiu de R$ 27,95 para R$ 27,54, também com baixa de 1,47%. Já BBDC4 caiu de R$ 17,80 para R$ 17,52, uma queda de 1,57%. Em uma semana em que outros papéis sofreram correções mais fortes, esse desempenho colocou as três ações entre as mais defensivas do grupo.
Esse tipo de leitura é relevante porque, em semanas de mercado pressionado, os ativos que caem menos muitas vezes indicam onde ainda existe maior confiança dos investidores. Embraer, Sabesp e Bradesco representam histórias bem diferentes: a primeira combina crescimento global e melhora operacional; a segunda traz uma tese mais defensiva, com margens elevadas e previsibilidade; e a terceira carrega uma narrativa de recuperação ainda em andamento.
Melhores Corretores de Forex Online
Embraer (EMBR3): crescimento global, margens melhores e queda controlada
A Embraer foi uma das ações com melhor comportamento relativo na semana. Mesmo em um ambiente negativo, EMBR3 caiu apenas 1,47%, o que mostra uma correção mais limitada em comparação com outros papéis da amostra. A ação não ficou imune ao movimento de realização, mas conseguiu preservar parte da confiança do mercado.
A tese da companhia continua apoiada em fundamentos relevantes. A Embraer é um player global em aviação comercial regional, jatos executivos e defesa, com exposição relevante ao dólar e carteira de pedidos robusta. Essa presença internacional reduz a dependência do ciclo doméstico brasileiro e dá à empresa uma característica mais global.
Do ponto de vista operacional, a evolução recente é importante. A receita líquida saiu de cerca de US$ 4,2 bilhões para US$ 7,6 bilhões entre 2021 e 2025, enquanto a margem EBITDA ajustada ficou em torno de 14,4% e a margem EBIT ajustada próxima de 11,1% em 2025. Esses números indicam uma empresa mais eficiente e com maior capacidade de transformar crescimento em resultado.
Os indicadores consolidados reforçam essa leitura. A Embraer apresentou receita próxima de R$ 39,8 bilhões, EBITDA em torno de R$ 5,9 bilhões e lucro líquido de aproximadamente R$ 2,1 bilhões. A margem EBITDA ficou perto de 15%, enquanto a margem líquida ficou entre 5% e 6%. Para uma empresa industrial e exposta a ciclos globais, esse conjunto mostra recuperação consistente.
Outro ponto relevante é a desalavancagem. O ROE gira em torno de 13%, enquanto a dívida líquida/EBITDA está perto de 1,4 vez. Isso sugere uma estrutura financeira mais equilibrada e reduz o risco da tese. Olhando para frente, a história continua apoiada na normalização da cadeia de suprimentos, no aumento de produção da família E2, na retomada dos jatos executivos e no crescimento do segmento de defesa, com destaque para programas como o C-390.
Leitura técnica: correção forte, mas com tentativa de estabilização

No gráfico semanal, EMBR3 aparece em uma região de tentativa de estabilização depois de uma correção relevante. O preço está próximo da faixa de R$ 72 a R$ 73, mas ainda abaixo de referências técnicas importantes, como a média de 50 períodos exibida no gráfico. Isso mostra que, apesar da resiliência na semana, o papel ainda precisa recuperar força para voltar a uma tendência semanal mais clara.
O MACD também aparece em terreno negativo, indicando perda de momentum no curto prazo. Ainda assim, a queda limitada sugere que a ação pode estar tentando formar uma base. A leitura prática é que o fundamento parece mais forte do que o gráfico neste momento: a empresa tem crescimento, margens em recuperação e alavancagem controlada, mas o preço ainda precisa confirmar estabilização.
Sabesp (SBSP3): ativo defensivo, rentabilidade elevada e tese estrutural forte
A Sabesp teve desempenho praticamente igual ao da Embraer na semana, com queda de 1,47%. SBSP3 passou de aproximadamente R$ 27,95 para R$ 27,54, mostrando maior resistência em um ambiente de correção mais ampla. Esse comportamento é coerente com o perfil da companhia: uma empresa de saneamento, com receitas reguladas, geração de caixa relevante e tese estrutural de longo prazo.
A Sabesp tem uma natureza mais defensiva do que Embraer e Bradesco. O setor de saneamento tende a ser menos sensível ao ciclo econômico, e a empresa combina escala, previsibilidade regulatória e potencial de ganhos de eficiência. Além disso, a narrativa ligada à privatização e à universalização dos serviços continua sendo um dos principais motores da tese.
Os fundamentos são fortes. A receita líquida anual está na faixa de R$ 39 bilhões a R$ 40 bilhões, com EBITDA acima de R$ 15 bilhões e lucro líquido entre cerca de R$ 8,7 bilhões e R$ 11 bilhões, dependendo da janela analisada. As margens também chamam atenção: margem bruta em torno de 36% a 37%, margem EBIT próxima de 33% e margem líquida acima de 20%. Em algumas janelas, a margem EBITDA chega perto de 50% a 60%.
A rentabilidade reforça a qualidade do ativo. O ROE aparece entre 20% e 31%, o ROA entre 7% e 14% e o ROIC entre 14% e 18%. Esses indicadores mostram que a companhia consegue gerar retorno elevado sobre o capital investido, algo especialmente relevante em um negócio intensivo em capital.
A alavancagem também parece administrável, com dívida líquida/EBITDA próxima de 1,9 vez. O principal ponto de atenção está no capex, já que a empresa precisa executar um ciclo pesado de investimentos em universalização sem comprometer margens, eficiência e disciplina financeira. Enquanto o mercado acreditar nessa execução, a tese tende a continuar sendo tratada como uma história de qualidade.
Leitura técnica: tendência ainda preservada, mas com perda de momentum

No gráfico semanal, SBSP3 aparece em correção depois de uma tendência anterior bastante forte. O preço está próximo de uma região técnica importante, ao redor da média longa exibida no gráfico. Essa faixa funciona como uma zona relevante para a continuidade da tese.
O ponto de atenção está no momentum. O MACD mostra enfraquecimento, com histograma negativo e deterioração das linhas. Isso indica que o movimento de curto prazo perdeu força, mesmo que os fundamentos continuem sólidos. Assim, a leitura é de cautela tática, mas sem desmontar a visão estrutural.
Enquanto essa região de suporte for respeitada, a queda pode ser interpretada como uma pausa dentro de uma tendência mais ampla. Se a faixa for perdida com força, o mercado pode procurar uma nova base antes de retomar a valorização.
Bradesco (BBDC4): recuperação em andamento, mas ainda sem confirmação plena
Bradesco foi o terceiro papel de melhor desempenho relativo na semana. BBDC4 caiu de aproximadamente R$ 17,80 para R$ 17,52, recuo de 1,57%. A queda foi ligeiramente maior do que a de Embraer e Sabesp, mas ainda assim bem mais moderada do que a observada em outros nomes da lista.
A tese de Bradesco é diferente. O banco não é uma história de crescimento global, como Embraer, nem um ativo defensivo regulado, como Sabesp. BBDC4 é uma tese de recuperação. Depois de anos mais difíceis, marcados por inadimplência, provisões elevadas, compressão de margens e rentabilidade abaixo dos níveis históricos, os números começaram a melhorar.
Em 2025, o lucro líquido recorrente ficou em torno de R$ 24,7 bilhões, alta superior a 26% em relação a 2024. O ROE recorrente chegou à casa de 15% no quarto trimestre, sinalizando que o banco voltou a entregar um retorno mais próximo de um patamar aceitável. Esse avanço é importante, porque uma das principais críticas ao Bradesco nos últimos anos foi justamente a queda de rentabilidade.
Ainda assim, a recuperação não está completamente consolidada. O ROE entre 13% e 15% é razoável, mas ainda abaixo dos melhores momentos históricos do banco. O dividend yield, entre 6% e 10% dependendo do período analisado, ajuda a compor a tese, mas o ponto central continua sendo a execução: normalização de provisões, melhora na qualidade da carteira, eficiência operacional e recuperação consistente das margens.
Do ponto de vista de valuation, BBDC4 costuma negociar com desconto em relação a outros grandes bancos brasileiros. Esse desconto reflete o risco de execução do turnaround, mas também pode abrir espaço para valorização caso a melhora dos resultados se confirme.
Leitura técnica: recuperação incompleta e resistência ainda no caminho

No gráfico semanal, BBDC4 mostra uma configuração intermediária. O preço aparece acima da média de 50 períodos, mas ainda abaixo da média de 200 períodos. Isso resume bem o momento do papel: houve recuperação em relação aos níveis mais baixos, mas ainda não existe confirmação plena de uma virada estrutural.
A região de R$ 17 funciona como suporte relevante, enquanto a faixa próxima de R$ 18,30 a R$ 18,50 aparece como resistência importante. Um rompimento consistente dessa zona poderia indicar que o mercado está comprando com mais convicção a tese de recuperação do banco. Por outro lado, uma perda do suporte enfraqueceria a leitura de curto prazo.
O MACD ainda aparece pressionado, indicando que o momentum comprador não está totalmente estabelecido. Portanto, Bradesco segue como uma tese em teste: os fundamentos melhoraram, mas o gráfico ainda pede confirmação.
Conclusão
Embraer, Sabesp e Bradesco se destacaram na semana de 1 a 5 de junho por terem caído menos do que os demais papéis da amostra. Em um mercado pressionado, isso já é uma informação relevante, porque mostra onde os investidores ainda enxergam fundamentos mais defensáveis ou histórias com potencial de continuidade.
A Embraer combina crescimento em dólar, melhora de margens e desalavancagem, mas precisa confirmar estabilização técnica. A Sabesp apresenta margens elevadas, rentabilidade forte e uma tese defensiva de longo prazo, embora o gráfico mostre perda de momentum. O Bradesco, por sua vez, carrega uma história de recuperação, com resultados melhores, mas ainda dependente de confirmação operacional e técnica.
A leitura final é que essas três ações não foram vencedoras absolutas da semana, mas foram vencedoras relativas. O fundamento ajuda a explicar a resiliência; o gráfico define o timing. Enquanto os suportes forem respeitados, as quedas podem ser vistas como ajustes. Se esses níveis forem perdidos, o mercado provavelmente vai exigir novos pontos de entrada antes de voltar a comprar essas histórias com mais força.
Quer acompanhar melhor as oportunidades no mercado brasileiro? Veja nossas análises atualizadas sobre ações do Brasil e acompanhe os principais movimentos da bolsa. Para operar com mais segurança, compare também os melhores brokers no Brasil antes de escolher sua plataforma.