O Bradesco entra em junho de 2026 com uma tese de recuperação em andamento, mas ainda não totalmente validada pelo mercado. Do lado fundamental, o banco vem mostrando melhora de resultados, avanço da margem financeira e recuperação gradual da rentabilidade. No 1T26, o lucro líquido recorrente ficou em torno de R$ 6,8 bilhões, alta de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando mais um trimestre de expansão dos lucros.
Ainda assim, o ponto central para junho não é apenas a melhora do resultado. O mercado já reconhece que o Bradesco está em processo de normalização, mas continua exigindo sinais mais claros de que essa recuperação será sustentável. A principal dúvida segue concentrada na qualidade do crédito. A inadimplência acima de 90 dias permanece em torno de 4,2%, enquanto as despesas com provisões continuam elevadas. Isso ajuda a explicar por que a ação ainda negocia com múltiplos baixos e por que a reprecificação continua limitada.
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Em termos práticos, Bradesco chega a junho como uma tese de valor em recuperação: barato em múltiplos, melhorando em resultados, mas ainda dependente de confirmação em crédito e eficiência. O viés fundamental é ligeiramente construtivo, mas o gráfico semanal mostra que o mercado ainda não comprou a história de forma agressiva. Junho tende, portanto, a ser mais um mês de teste e consolidação do que de forte movimento direcional.
Fundamentos: Recuperação Existe, Mas ainda Precisa Ganhar Qualidade
O 1T26 reforçou a leitura de que o Bradesco deixou para trás a fase mais difícil do ciclo recente. O lucro recorrente avançou, o ROAE melhorou e a margem financeira mostrou crescimento, sustentada por uma carteira de crédito mais robusta e pela contribuição relevante do negócio de seguros.
A carteira de crédito expandida ficou próxima de R$ 1,1 trilhão, mostrando que o banco voltou a crescer depois de um período mais defensivo. No entanto, esse avanço ainda precisa ser analisado com cautela. O mercado não quer apenas crescimento; quer crescimento com qualidade, menor custo de risco e menor volatilidade em provisões.
O principal ponto de atenção continua sendo a inadimplência. O índice acima de 90 dias permaneceu em torno de 4,2%, nível administrável, mas ainda suficientemente elevado para manter o mercado cauteloso. Além disso, as provisões para perdas de crédito continuam pressionadas, refletindo riscos em segmentos como micro, pequenas e médias empresas, crédito rural e alguns casos corporativos.
Assim, a leitura fundamental para junho é positiva, mas com reservas. O banco está melhor do que estava há um ano, a rentabilidade voltou a subir e a margem financeira ajuda a recompor o resultado. Mas, para que a ação ganhe tração de forma mais consistente, Bradesco precisará continuar entregando melhora de ROE sem nova deterioração relevante da carteira.
Valuation: Múltiplos Baixos Sustentam a Tese, mas Refletem Risco
O valuation continua sendo um dos principais argumentos a favor de Bradesco. A ação negocia a múltiplos baixos para um banco privado sistêmico, com P/E em faixa de um dígito alto e preço sobre valor patrimonial abaixo ou próximo de 1x, dependendo da base utilizada. Isso sugere que o mercado ainda aplica um desconto relevante ao banco.
Esse desconto, porém, não é gratuito. O mercado não penaliza Bradesco por falta de escala ou relevância competitiva. O banco continua sendo uma das maiores instituições financeiras do Brasil, com forte presença em varejo, empresas, seguros, asset management e investimentos. O desconto existe porque o investidor ainda questiona a previsibilidade dos resultados, a estabilidade da qualidade da carteira e a velocidade de recuperação do ROE.
A remuneração ao acionista também permanece como fator de suporte. O dividend yield continua atrativo em termos relativos, especialmente para investidores que buscam exposição a bancos brasileiros com retorno recorrente. Ainda assim, para junho, dividendos não parecem suficientes para provocar, sozinhos, um movimento forte de alta. O gatilho principal continua sendo a percepção sobre crédito e continuidade da recuperação operacional.
Análise Técnica: BBDC4 Perde Força e Negocia Abaixo das Médias Longas

O gráfico semanal de BBDC4 mostra uma leitura técnica mais cautelosa do que a tese fundamental. O candle mais recente aparece com abertura em R$ 17,98, máxima em R$ 18,34, mínima em R$ 16,94 e fechamento em R$ 17,33, acumulando queda semanal de 3,29%. A leitura visual é de pressão vendedora no curto prazo, depois da forte recuperação observada ao longo de 2025 e início de 2026.
O ponto mais importante é que o papel corrigiu depois de testar regiões mais altas, próximas de R$ 21,00–22,00. Essa zona agora passa a ser uma resistência relevante de médio prazo. O movimento recente mostra que o mercado não conseguiu sustentar o preço acima desse patamar e iniciou uma realização mais forte.
As médias móveis reforçam essa leitura. No gráfico semanal, a média de 50 períodos aparece em torno de R$ 21,69 e a média de 200 períodos em torno de R$ 19,21. O preço atual, próximo de R$ 17,33, está abaixo das duas médias. Isso indica que, apesar da melhora fundamental, o papel ainda não recuperou uma configuração claramente compradora no semanal.
O Parabolic SAR também aparece acima do preço, por volta de R$ 20,62, confirmando pressão vendedora no curto prazo. O MACD semanal também não favorece uma leitura agressivamente positiva: o indicador aparece em território negativo, com histograma abaixo da linha zero, sugerindo perda de momentum.
Suportes e Resistências para Junho
A primeira zona de suporte está entre R$ 17,00 e R$ 16,90, região próxima da mínima semanal recente. Se BBDC4 conseguir defender esse intervalo, o mercado pode interpretar o movimento como uma realização controlada dentro de uma recuperação maior.
Abaixo dessa região, o próximo suporte relevante aparece próximo de R$ 16,00. Uma perda clara desse nível, especialmente com candle semanal negativo e aumento de volume, enfraqueceria bastante a leitura de curto prazo e poderia abrir espaço para busca de regiões próximas de R$ 15,00–15,50.
Do lado das resistências, a primeira barreira está entre R$ 18,30 e R$ 18,50, região próxima da máxima semanal recente. Uma recuperação acima desse patamar seria o primeiro sinal de alívio técnico. Acima disso, a faixa de R$ 19,20 ganha importância por coincidir com a média móvel de 200 semanas.
A resistência mais importante está entre R$ 20,60 e R$ 21,70, região onde aparecem o Parabolic SAR e a média móvel de 50 semanas. Enquanto BBDC4 não recuperar essa área, o papel continuará tecnicamente pressionado no semanal.
Leitura para Junho: Fundamentos Melhores, mas Técnico Ainda Defensivo
A mensagem combinada entre fundamentos e gráfico é clara. Bradesco está melhor do ponto de vista operacional, mas BBDC4 ainda não confirmou essa melhora no preço. Os resultados recentes mostram avanço de lucro, ROE e margem financeira, mas o gráfico semanal indica que o mercado segue cauteloso, com preço abaixo das médias longas, MACD negativo e SAR acima dos candles.
Para junho, o cenário-base é de consolidação. O papel pode tentar formar uma base entre R$ 16,90 e R$ 17,50, desde que não haja nova piora na percepção sobre crédito. Se essa região for preservada, a ação pode tentar uma recuperação moderada em direção a R$ 18,30–18,50. Para transformar essa reação em melhora técnica mais relevante, seria necessário romper R$ 19,20 e voltar a negociar acima da média de 200 semanas.
O cenário positivo depende de estabilidade macro, menor preocupação com inadimplência, manutenção da trajetória de lucro e fluxo comprador para bancos. Nesse caso, BBDC4 poderia recuperar primeiro R$ 18,50 e depois buscar R$ 19,20–20,60. Ainda assim, o movimento mais provável seria gradual, não explosivo.
O cenário negativo ganharia força se o papel perdesse R$ 16,90 e, principalmente, R$ 16,00. Nesse caso, o mercado poderia interpretar que a correção deixou de ser apenas uma realização curta e passou a ser uma consolidação mais profunda.
Previsão Mensal para Junho de 2026
O Previsão Mensal para junho é de um Bradesco em recuperação fundamental, mas com leitura técnica ainda frágil. O banco entra no mês com resultados melhores, valuation atrativo e uma tese de turnaround mais crível do que nos trimestres anteriores. No entanto, a ação ainda carrega dúvidas sobre qualidade de crédito e não conseguiu sustentar uma configuração técnica claramente positiva.
O cenário mais provável é de lateralização com viés seletivo. A região de R$ 16,90–17,50 deve funcionar como principal zona de defesa no curto prazo. Se esse intervalo for preservado, BBDC4 pode tentar uma recuperação em direção a R$ 18,30–18,50. Acima disso, a média de 200 semanas, próxima de R$ 19,20, será o primeiro teste técnico realmente importante. Apenas uma recuperação mais consistente acima de R$ 20,60–21,70 recolocaria o papel em uma configuração mais claramente compradora no gráfico semanal.
Em resumo, junho tende a ser um mês de confirmação para Bradesco. Os fundamentos estão melhorando, o valuation continua descontado e a tese de recuperação permanece válida. Mas o gráfico mostra que o mercado ainda não está convencido o suficiente para acelerar a compra do papel. A ação precisa defender suportes, reconstruir momentum e provar que a melhora operacional pode se transformar em reprecificação sustentada.
Síntese do forecast: Bradesco entra em junho com fundamentos em recuperação, valuation atrativo e risco de crédito ainda no centro da tese. Tecnicamente, BBDC4 segue pressionado, abaixo das médias longas e com perda de momentum no semanal. A região de R$ 16,90–17,50 é o suporte principal; R$ 18,30–19,20 é a primeira zona de recuperação; e R$ 20,60–21,70 continua sendo a grande resistência para confirmar uma retomada mais forte.
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