A semana de 22 a 26 de junho mostrou uma rotação clara dentro da lista analisada. Enquanto Petrobras, Vale e PRIO ficaram para trás, os destaques vieram de utilities e bancos, com Sabesp (SBSP3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil (BBAS3) liderando as valorizações.
Pelo critério usado - preços intraday como proxy de início e fim da semana — a Sabesp subiu cerca de 9,75%, o Itaú Unibanco avançou aproximadamente 5,48% e o Banco do Brasil valorizou em torno de 4,11%. O trio reúne três teses diferentes: uma utility em forte reprecificação, um banco privado de alta qualidade e um banco estatal barato, mas ainda pressionado por risco de crédito.
Melhores Corretores de Forex Online
Sabesp (SBSP3): o destaque da semana e uma tese sustentada por execução
A Sabesp foi o principal destaque, com alta aproximada de 9,75%, saindo de R$ 27,07 para R$ 29,71. O movimento reforça uma tendência positiva mais ampla, apoiada numa combinação de setor defensivo, receitas reguladas, potencial de eficiência e uma agenda de investimentos relevante para saneamento.
Do lado fundamentalista, a empresa apresenta características típicas de infraestrutura: geração de caixa relativamente previsível, margens saudáveis e necessidade elevada de capex. Os dados indicam ROE em torno de 10,75%, margem bruta de 34,63%, margem EBIT de 21,02% e margem líquida de 14,15%. A dívida líquida/EBITDA aparece perto de 3,44x, um nível relevante, mas compatível com uma companhia regulada e intensiva em investimentos.
Os resultados recentes também ajudam a explicar o interesse do mercado. No 1T26, a Sabesp reportou lucro líquido ajustado de cerca de R$ 1,55 bilhão, alta de 32,2% em relação ao ano anterior. O EBITDA ajustado avançou cerca de 26%, para aproximadamente R$ 3,8 bilhões, com receita líquida ajustada próxima de R$ 6 bilhões. A melhora veio de maior eficiência, redução de custos, otimização de energia e aumento de receita tarifária.
Um gráfico semanal forte, mas ainda a pedir confirmação de momentum

No gráfico semanal, SBSP3 mantém uma leitura estrutural positiva. O preço segue acima das médias móveis relevantes, com a MM50 perto de R$ 27,21 e a MM200 próxima de R$ 17,79, mostrando que a tendência de médio e longo prazo continua preservada.
A semana foi claramente positiva: o papel saiu da região dos R$ 27,06, tocou máxima perto de R$ 29,82 e fechou em torno de R$ 29,60. A reação é importante porque veio depois de uma correção forte desde as máximas recentes, acima de R$ 34.
O ponto de atenção está no MACD, que ainda mostra perda de força no curto prazo. Ou seja, o preço reagiu bem, mas o indicador ainda não confirma totalmente uma nova perna limpa de alta. A leitura mais equilibrada é: tendência principal positiva, reação semanal forte, mas necessidade de confirmação nas próximas semanas.
A região entre R$ 27 e R$ 28 funciona como suporte relevante. Para cima, a faixa dos R$ 30 é a primeira resistência importante. Um rompimento consistente dessa zona melhoraria bastante a leitura técnica.
Itaú Unibanco (ITUB4): qualidade bancária e recuperação técnica
O Itaú Unibanco foi o segundo melhor desempenho da semana, com alta aproximada de 5,48%, saindo de R$ 40,16 para R$ 42,36. O movimento reforça o papel do banco como um dos nomes de maior qualidade da bolsa brasileira, especialmente em momentos em que o mercado valoriza previsibilidade, rentabilidade e solidez.
A tese do Itaú continua baseada em consistência. No 1T26, o banco reportou lucro líquido recorrente gerencial de cerca de R$ 12,3 bilhões, alta de 10,4% em relação ao mesmo trimestre de 2025. O ROE anualizado consolidado ficou em torno de 24,8%, enquanto o ROE das operações no Brasil chegou a aproximadamente 26,4%.
A carteira de crédito total atingiu cerca de R$ 1,48 trilhão, com crescimento entre 7% e 9% em 12 meses. A margem financeira gerencial ficou em torno de R$ 32,3 bilhões, com expansão de aproximadamente 4%. A qualidade de crédito também segue controlada, com inadimplência acima de 90 dias próxima de 1,9%.
Essa combinação — lucro elevado, ROE forte, inadimplência controlada e carteira em expansão — explica por que ITUB4 continua sendo tratado como um papel de qualidade dentro do setor bancário. Mesmo com dividend yield menor que o Banco do Brasil, em torno de 6,37%, o banco compensa com maior previsibilidade e melhor percepção de risco.
Um gráfico semanal em recuperação, ainda dentro de uma tendência maior

No gráfico semanal, ITUB4 fechou próximo de R$ 42,24, depois de abrir em R$ 40,16, fazer mínima em R$ 40,10 e máxima em R$ 42,54. A vela semanal foi positiva e mostra uma recuperação relevante após a correção iniciada nas máximas recentes, próximas de R$ 48–49.
O preço segue acima das médias móveis principais. A MM50 está perto de R$ 40,17, muito próxima da zona de suporte recente, enquanto a MM200 aparece em torno de R$ 30,75, bem abaixo do preço atual. Isso preserva a leitura estrutural de alta.
O MACD, porém, ainda está negativo, indicando que a recuperação técnica ainda precisa de continuidade. A zona dos R$ 40 passa a ser o suporte mais importante. Enquanto o papel se mantiver acima dessa região, a leitura continua construtiva. Para cima, a faixa entre R$ 42,50 e R$ 43 é a primeira resistência. Um rompimento consistente poderia abrir espaço para o mercado voltar a mirar regiões mais próximas das máximas anteriores.
Banco do Brasil (BBAS3): reação semanal, mas ainda com fundamentos pressionados
O Banco do Brasil fechou o top 3, com alta aproximada de 4,11%, saindo de R$ 19,48 para R$ 20,28. A valorização mostra uma recuperação de curto prazo, mas a tese é mais sensível do que em Sabesp e Itaú. O papel continua barato e com bom apelo de dividendos, mas os resultados recentes trouxeram sinais claros de pressão.
No 1T26, o Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de cerca de R$ 3,4 bilhões, queda de aproximadamente 53,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O principal problema foi o aumento do custo de risco, sobretudo ligado ao crédito rural. O banco também revisou para baixo a projeção de lucro para 2026, de R$ 22–26 bilhões para R$ 18–22 bilhões.
O ROE caiu para cerca de 7,3%, contra 16,7% um ano antes. A carteira de crédito expandida chegou a aproximadamente R$ 1,3 trilhão, mas a inadimplência acima de 90 dias subiu para cerca de 5,05%. Na carteira rural, a inadimplência chegou a aproximadamente 6,22%, contra 2,76% um ano antes.
Ainda assim, BBAS3 mantém alguns atrativos. O dividend yield de 12 meses é referido em torno de 8,33%, acima do Itaú, e o banco mantém conforto regulatório, com Basileia de 14,23% e capital principal de 11,59%. A questão é que o mercado exige desconto porque ainda há incerteza sobre crédito, governança e recuperação da rentabilidade.
Um gráfico semanal em repique, mas ainda abaixo das médias

No gráfico semanal, BBAS3 abriu em R$ 19,48, fez mínima em R$ 19,33, máxima em R$ 20,45 e fechou próximo de R$ 20,34. A semana foi positiva, mas a leitura técnica ainda é mais fraca do que em Sabesp e Itaú.
O preço continua abaixo da MM50, perto de R$ 22,02, e também abaixo da MM200, em torno de R$ 23,86. Isso indica que, apesar da reação, o papel ainda está numa estrutura semanal pressionada. A alta parece mais um repique técnico do que uma reversão já confirmada.
O MACD também segue negativo, com as linhas abaixo de zero. Para melhorar a leitura, BBAS3 precisaria primeiro recuperar a região dos R$ 22 e, depois, voltar a testar a faixa dos R$ 23–24. Enquanto isso não acontece, a zona dos R$ 19–20 continua sendo o suporte mais importante.
Conclusão
As três ações contam histórias diferentes. A Sabesp foi o destaque absoluto da semana, com alta forte, tendência ainda positiva e uma tese apoiada em eficiência, regulação e investimentos. O Itaú Unibanco aparece como o caso mais equilibrado, combinando fundamentos sólidos, alta rentabilidade e recuperação técnica. Já o Banco do Brasil teve uma boa semana, mas continua sendo o papel mais desafiador do trio, com valuation atrativo e dividendos elevados, porém pressionado por crédito rural e queda de rentabilidade.
Para a próxima semana, os níveis técnicos ficam bem definidos: SBSP3 precisa confirmar força acima dos R$ 30, ITUB4 precisa sustentar a região dos R$ 40–42, e BBAS3 precisa recuperar pelo menos os R$ 22 para começar a mudar a leitura técnica de forma mais convincente.
Descubra hoje mesmo os movimentos do mercado de ações com a análise técnica de Sabesp (SBSP3) · Itaú Unibanco (ITUB4) · Banco do Brasil (BBAS3) o DailyForex e confira a lista dos melhores brokers para investir em ações brasileiras para investir no Brasil. Não espere mais!