O destaque não veio de fortes altas, mas da capacidade de cair menos — ou, no caso de VALE3, até fechar levemente positiva. Na medição da semana, VALE3 avançou cerca de 0,47%, B3SA3 ficou praticamente estável, com queda próxima de 0,11%, e BBAS3 recuou cerca de 1,98%, desempenho ainda melhor do que o de outros papéis relevantes da lista.
Em semanas de maior pressão, esse tipo de leitura é importante: o mercado costuma revelar quais ativos mantêm maior resiliência, seja por fundamentos, fluxo, qualidade operacional ou suporte técnico.
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VALE3: geração de caixa, commodities e resiliência no preço
A Vale foi o principal destaque relativo da semana. A ação fechou com leve alta, em um contexto em que várias blue chips recuaram de forma mais intensa.
Do ponto de vista fundamentalista, a empresa continua sendo uma forte geradora de caixa, embora muito dependente do ciclo do minério de ferro, da China e do câmbio. Em 2024, a Vale reportou lucro líquido de cerca de US$ 6,1 bilhões, Ebitda ajustado próximo de US$ 14,8 bilhões e receita líquida em torno de US$ 38 bilhões. O 4T24 foi mais fraco no resultado contábil, com prejuízo líquido de aproximadamente US$ 694 milhões, mas a operação continuou mostrando margens relevantes.
A empresa apresentou margem bruta em torno de 36%, margem EBIT próxima de 35% e margem líquida perto de 14,8%, com ROE em torno de 15% e ROIC próximo de 16,2%. Esses números mostram uma companhia eficiente, mas exposta a ciclos fortes de preço de commodities.
A tese de longo prazo passa também pela diversificação para cobre, níquel e metais ligados à transição energética. Esse movimento reduz gradualmente a dependência do minério de ferro, mas ainda exige execução, disciplina de capital e atenção aos riscos ambientais e regulatórios.
Um gráfico semanal ainda positivo, mas com sinais de acomodação

No gráfico semanal, VALE3 abriu em R$ 81,18, fez máxima em R$ 81,79, mínima em R$ 77,97 e fechou em R$ 81,49. O candle mostra volatilidade durante a semana, mas também recuperação suficiente para encerrar no campo positivo.
O preço segue acima das médias de 50 e 200 semanas, ambas próximas da região de R$ 67, o que mantém a leitura estrutural positiva. Por outro lado, o MACD já sugere perda de força após o rali recente. A tendência de médio prazo segue construtiva, mas o ativo parece mais em fase de consolidação do que no início de um novo movimento.
B3SA3: qualidade operacional e consolidação após forte alta
A B3 também se destacou por resiliência. A ação ficou praticamente estável na semana, mesmo depois de uma forte valorização acumulada em 2026.
O modelo de negócio continua sendo o grande diferencial. A B3 opera a principal infraestrutura do mercado financeiro brasileiro, com atuação em bolsa, derivativos, renda fixa, balcão, clearing, custódia, dados e tecnologia. Essa posição dominante garante margens elevadas, forte geração de caixa e alta rentabilidade.
No 4T24, a companhia reportou receita próxima de R$ 2,7 bilhões, Ebitda recorrente de cerca de R$ 1,6 bilhão e lucro líquido recorrente em torno de R$ 1,2 bilhão. Em 2024, a receita total atingiu cerca de R$ 10,6 bilhões e o lucro líquido recorrente ficou próximo de R$ 4,8 bilhões.
A B3 combina crescimento moderado com retorno elevado. O ROE fica na faixa de 25% a 26%, com margem líquida acima de 40%. O ponto de atenção está no valuation: a empresa é de alta qualidade, mas o mercado já paga um prêmio por essa qualidade.
Para 2025, a tese continua apoiada em disciplina de custos, diversificação de receitas e crescimento gradual dos resultados. O risco é que, depois da forte alta recente, parte desse cenário positivo já esteja refletida no preço.
Um gráfico semanal forte, mas perto de resistência

No gráfico semanal, B3SA3 abriu em R$ 17,99, fez máxima em R$ 18,59, mínima em R$ 17,71 e fechou em R$ 17,93. A queda foi leve, mas ocorre após uma sequência de valorização relevante.
O preço continua acima das médias longas, com a média de 50 semanas em torno de R$ 12,87 e a de 200 semanas perto de R$ 14,81. A tendência permanece positiva, mas a região entre R$ 19 e R$ 20 tende a funcionar como resistência natural.
O MACD ainda está em terreno positivo, embora com menor aceleração. A leitura é de uma ação de qualidade, com tendência preservada, mas que pode precisar de pausa antes de tentar novas máximas.
BBAS3: valuation descontado, dividendos altos e gráfico pressionado
O Banco do Brasil caiu na semana, mas menos do que outros papéis relevantes da carteira. A queda próxima de 1,98% manteve BBAS3 entre os destaques relativos do período.
A tese fundamentalista segue baseada em três elementos: lucro elevado, valuation descontado e dividendos atrativos. Em 2024, o banco reportou lucro líquido ajustado de cerca de R$ 37,9 bilhões, alta de 6,6% frente ao ano anterior. No 4T24, o lucro ajustado ficou próximo de R$ 9,6 bilhões, com ROE acima de 21%.
Os múltiplos continuam chamando atenção. BBAS3 negocia com P/L na faixa de 5x a 9x, P/VP em torno de 0,64x a 0,7x e dividend yield próximo de 10% a 11%. Isso sustenta a narrativa de uma ação barata e boa pagadora de dividendos.
O desconto, porém, reflete riscos conhecidos: controle estatal, possível interferência política, exposição ao agronegócio, inadimplência rural e guidance mais cauteloso para 2026. Por isso, apesar dos fundamentos fortes, o mercado ainda exige desconto para carregar o papel.
Um gráfico semanal mais fraco, ainda sem confirmação de retomada

No gráfico semanal, BBAS3 abriu em R$ 22,21, fez máxima em R$ 22,60, mínima em R$ 21,69 e fechou em R$ 21,80. O candle mostra pressão vendedora e fechamento próximo da parte inferior da semana.
O preço está abaixo da média de 50 semanas, em torno de R$ 23,83, e também abaixo da média de 200 semanas, próxima de R$ 22,28. O MACD aparece em terreno negativo, reforçando uma leitura técnica mais fraca no curto prazo.
A tese de valor continua relevante, mas o gráfico ainda não confirma recuperação. Para melhorar a leitura técnica, seria importante o papel recuperar as médias e mostrar maior força compradora.
Conclusão
VALE3, B3SA3 e BBAS3 foram os principais destaques relativos da semana de 4 a 8 de maio de 2026 dentro da carteira analisada.
VALE3 mostrou a melhor performance, com leve alta e estrutura técnica ainda positiva, apoiada por geração de caixa e exposição a commodities. B3SA3 manteve comportamento resiliente, sustentada por um negócio de alta qualidade, margens elevadas e forte rentabilidade, embora já negocie em patamar mais exigente. BBAS3 segue como uma tese de valor e dividendos, mas com gráfico mais pressionado e maior cautela do mercado em relação a crédito e risco político.
Em resumo, a semana mostrou três perfis diferentes: VALE3 como resiliência em commodities, B3SA3 como qualidade em consolidação e BBAS3 como ação descontada ainda à espera de confirmação técnica.