A semana de 18 a 22 de maio de 2026 reforçou três leituras diferentes dentro do setor financeiro brasileiro. O Banco do Brasil foi o destaque da amostra, sendo o único papel que fechou em alta; a B3 mostrou resiliência, mesmo em leve queda; e o Bradesco continuou a sinalizar melhora operacional, embora o gráfico ainda não confirme uma retomada mais forte.
O ponto central é que as três ações contam histórias distintas. BBAS3 teve um movimento de alívio em meio a fundamentos ainda pressionados. B3SA3 segue como um case de qualidade, com margens elevadas e volumes fortes, mas em fase de consolidação. BBDC4, por sua vez, combina recuperação de rentabilidade com um preço que ainda exige confirmação técnica.
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Banco do Brasil (BBAS3): destaque da semana, mas ainda em ajuste
O Banco do Brasil foi o melhor desempenho entre os papéis analisados. Entre o fechamento de 15 de maio e o fechamento de 22 de maio, BBAS3 passou de R$ 20,70 para R$ 20,94, alta de aproximadamente 1,16%. Em uma semana fraca para boa parte dos ativos da amostra, o fato de o banco ter sido o único a fechar no positivo chama atenção.
Do lado fundamental, porém, a leitura ainda é de cautela. O banco encerrou 2025 com lucro líquido ajustado próximo de R$ 20,7 bilhões, uma queda relevante frente ao resultado recorde de 2024, quando havia reportado R$ 35,7 bilhões. A principal pressão veio da piora da inadimplência no agronegócio, que elevou fortemente o custo de crédito e reduziu a rentabilidade.
O ROE caiu para algo em torno de 12%, bem abaixo dos níveis superiores a 20% que o Banco do Brasil já entregou em ciclos mais favoráveis. Ainda assim, a posição de capital segue confortável, com índice de Basileia próximo de 15%, o que dá ao banco margem para atravessar esse período mais difícil sem comprometer sua solidez.
Para 2026, o guidance aponta para uma recuperação gradual, com lucro líquido ajustado entre aproximadamente R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A mensagem da administração parece clara: crescer com mais disciplina, priorizar qualidade de carteira, preservar capital e reduzir gradualmente a pressão das provisões.
No valuation, BBAS3 segue com uma leitura atrativa. O papel negocia com P/L na faixa de 9 a 11 vezes, P/VP abaixo de 1 vez e dividend yield em torno de 4% a 5%. O desconto é evidente, mas também reflete riscos ainda presentes, como o ciclo adverso no agro, lucros pressionados e a percepção de risco político associada a uma empresa estatal.
Um gráfico semanal ainda pressionado, com reação mais parecida com alívio do que reversão

No gráfico semanal, BBAS3 fechou a R$ 20,94, ainda abaixo das médias móveis exibidas. A média de 50 períodos aparece perto de R$ 23,87 e a média de 200 períodos próxima de R$ 22,21. Isso mostra que, apesar da alta semanal, o papel ainda não recuperou uma estrutura técnica positiva.
O Parabolic SAR também aparece acima do preço, em torno de R$ 25,05, reforçando que a tendência ainda exige cautela. O MACD permanece em terreno negativo, sem sinal claro de virada. Na prática, a alta da semana foi positiva, mas ainda insuficiente para mudar a leitura principal.
A região próxima de R$ 20 funcionou como zona de defesa no curto prazo. Para melhorar o gráfico, o papel precisaria recuperar a faixa de R$ 22 a R$ 24. Enquanto isso não acontece, BBAS3 continua sendo uma tese de valor em processo de ajuste.
B3 (B3SA3): fundamentos fortes, mas preço em consolidação
A B3 caiu apenas 0,24% na semana, passando de R$ 16,70 para R$ 16,66. Apesar da leve queda, o papel ficou entre os melhores desempenhos relativos da amostra, com volume médio diário próximo de 42,1 milhões de ações, o maior entre os nomes analisados.
Fundamentalmente, a B3 segue sendo um dos negócios de maior qualidade da bolsa brasileira. A companhia combina margens muito altas, forte geração de caixa, baixa necessidade de capital adicional e exposição direta ao ciclo de volumes do mercado. Quando a atividade cresce, a operação captura rapidamente esse movimento.
Nos últimos trimestres, os resultados continuaram sólidos. No 1T25, a companhia reportou receita líquida próxima de R$ 2,4 bilhões, EBITDA de cerca de R$ 1,7 bilhão e lucro líquido em torno de R$ 1,1 bilhão. No 3T25, o lucro líquido ficou próximo de R$ 1,25 bilhão, com margens ainda acima de 60%.
Em 2026, o destaque foi o crescimento dos volumes, especialmente em derivativos, com ADTV de cerca de 13,2 milhões de contratos no 1T26, alta de 16,4% na comparação anual. Renda fixa, dados e tecnologia também ajudam a diversificar a receita, reduzindo parcialmente a dependência do mercado à vista de ações.
O ponto de atenção está no valuation. B3SA3 negocia com P/L entre 14 e 18 vezes, P/VP entre aproximadamente 3,6 e 4,7 vezes e dividend yield entre 2% e 3,7%. O prêmio se justifica pela qualidade do negócio, pelo ROE próximo de 25%–26% e pelas margens elevadas, mas deixa menos espaço para erro.
Um gráfico semanal ainda positivo, mas com perda de fôlego no curto prazo

No gráfico semanal, B3SA3 fechou a R$ 16,66, ainda acima das médias de 50 e 200 períodos, próximas de R$ 12,93 e R$ 14,93. Essa configuração mantém uma leitura estrutural positiva, mesmo depois da correção recente.
O Parabolic SAR aparece acima do preço, em torno de R$ 20,25, indicando perda de momentum após a alta anterior. O MACD também sugere desaceleração, compatível com uma fase de acomodação.
A leitura tática é simples: enquanto B3SA3 respeitar a faixa de R$ 15 a R$ 16, a estrutura semanal segue saudável. Para voltar a ganhar tração, o papel precisa superar novamente a região de R$ 17 a R$ 18. Até lá, o cenário é mais de consolidação do que de reversão.
Bradesco (BBDC4): recuperação fundamental ainda sem confirmação plena no gráfico
Bradesco fechou a semana em queda de 0,40%, saindo de R$ 17,69 para R$ 17,62. A queda foi pequena e manteve o papel entre os melhores desempenhos relativos da amostra, mas também mostrou que o mercado ainda não comprou totalmente a tese de recuperação.
A história do Bradesco é de normalização. Depois de um período difícil, com inadimplência elevada, provisões fortes e queda de rentabilidade, os números recentes indicam melhora gradual. Em 2025, o banco reportou lucro líquido recorrente de aproximadamente R$ 24,65 bilhões, alta de cerca de 26% frente a 2024, com ROE em torno de 15,2% no 4T25.
No 1T26, a recuperação continuou. O lucro líquido recorrente ficou próximo de R$ 6,8 bilhões, crescimento de 16,1% na comparação anual, com ROE de cerca de 15,8%. A margem financeira líquida também avançou, e a carteira de crédito expandida chegou a aproximadamente R$ 1,1 trilhão.
O guidance de 2026 aponta continuidade da melhora, com crescimento da carteira entre 8,5% e 10,5%, margem financeira líquida entre R$ 42 bilhões e R$ 48 bilhões e avanço em serviços e seguros. O desafio será controlar despesas e sustentar a trajetória de ROE.
Em valuation, BBDC4 segue interessante: P/L perto de 8 a 9 vezes, P/VP pouco acima de 1 vez e dividend yield em torno de 7% a 9%. É uma tese de banco grande, líquido, com recuperação em andamento e remuneração atrativa ao acionista.
Um gráfico semanal em zona de decisão

No gráfico semanal, BBDC4 fechou a R$ 17,62, acima da média de 50 períodos, próxima de R$ 15,62, mas ainda abaixo da média de 200 períodos, em torno de R$ 18,27. Isso mostra uma ação em transição: melhor que no passado recente, mas ainda sem confirmação estrutural.
O Parabolic SAR está acima do preço, perto de R$ 21,51, e o MACD mostra enfraquecimento. A região de R$ 18 a R$ 18,30 é decisiva. Se o papel recuperar esse patamar, a leitura melhora. Se perder a faixa de R$ 17, a recuperação pode voltar a ser questionada.
Conclusão
As três ações tiveram leituras bem diferentes. O Banco do Brasil liderou a semana, mas ainda enfrenta um ciclo de crédito difícil e um gráfico pressionado. A B3 segue como um case de qualidade, com fundamentos fortes e tendência estrutural positiva, embora em consolidação. O Bradesco mostra recuperação operacional, valuation atrativo e dividendos relevantes, mas ainda precisa confirmar força no preço.
A síntese da semana é direta: BBAS3 entregou alívio, B3SA3 consolidou uma tendência ainda saudável e BBDC4 ficou em zona de decisão.