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PRIO3 Lidera a Semana, PETR4 Mantém Resiliência e B3SA3 segue no Radar da Bolsa Brasileira

De Frederico Aragão Morais
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A semana entre 20 e 24 de abril de 2026 destacou três histórias diferentes na Bolsa brasileira.

  • PRIO3 foi o nome que mais chamou atenção, combinando valorização no período com uma tese estrutural ainda apoiada em crescimento de produção, eficiência operacional e forte sensibilidade ao petróleo.
  • PETR4 teve uma semana positiva, ainda que moderada, sustentada pela robustez da geração de caixa, pela relevância dos ativos do pré-sal e pela percepção de que a companhia segue forte em fundamentos, mesmo sob ruído político.
  • B3SA3, por sua vez, permaneceu entre os papéis relevantes do mercado ao mostrar uma performance relativamente mais defensiva em um ambiente ainda pressionado por juros altos e incertezas fiscais.

Mais concretamente, a PRIO3 subiu cerca de 1,62% no período, saindo de R$ 61,63 para R$ 62,63, enquanto PETR4 avançou aproximadamente 0,30%, de R$ 47,02 para R$ 47,16. Já a B3SA3 encerrou a semana em R$ 18,98, após recuar em relação aos R$ 19,25 do início do período. No caso da PRIO, as referências de fechamento em reais na B3 para o período aparecem em R$ 61,63 em 20/04/2026 e R$ 62,63 em 24/04/2026.

PRIO3: Petróleo Forte, Tendência Positiva e a Ação que Mais se Destacou na Semana

PRIO3 foi o principal destaque da semana. O movimento reforçou uma tese que o mercado já acompanha há algum tempo:

  • A de uma petroleira independente com capacidade de gerar valor por meio da aquisição de ativos maduros, do ganho de eficiência operacional e da expansão de produção.
  • O foco em campos offshore e a expectativa em torno de projetos como Wahoo e Peregrino continuam sustentando uma leitura positiva para a companhia, especialmente em um contexto em que o petróleo segue em patamar elevado.

Os fundamentos ajudam a manter essa visão. Em 2025, a companhia registrou receita de aproximadamente R$ 15,6 bilhões e lucro líquido da ordem de R$ 2,25 bilhões. Ainda que esse lucro tenha ficado abaixo do patamar extraordinário observado em 2024, a leitura predominante segue sendo a de normalização após uma base muito forte, e não de deterioração estrutural do case. O mercado continua tratando PRIO3 como uma história de crescimento, com alta alavancagem ao Brent e forte dependência de boa execução operacional.

O desempenho da semana reforça essa percepção. Em um ambiente mais volátil para os ativos brasileiros, a ação conseguiu fechar no positivo e manter sua tese preservada. O fechamento de R$ 62,63 em 24/04/2026 consolida esse movimento no período.

Um gráfico semanal ainda muito forte, mas já mostrando acomodação depois de uma arrancada intensa nas últimas semanas

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No gráfico semanal da PRIO3 na B3, a leitura técnica continua positiva, mas menos linear do que em uma fase inicial de rompimento. O papel vem de uma arrancada muito forte desde o início de 2026, acelerou acima da região dos R$ 50 e chegou a testar níveis próximos de R$ 70, antes de entrar em uma fase mais clara de realização. A última semana fechou em R$ 62,63, com recuperação em relação às mínimas do período, mas ainda abaixo das máximas recentes, o que sugere perda de impulso no curtíssimo prazo.

  • A estrutura mais ampla, porém, continua construtiva.
  • O preço segue acima das principais médias móveis no gráfico semanal, preservando a tendência de alta no horizonte mais amplo.
  • O MACD permanece em território positivo, embora com desaceleração em relação ao pico recente, o que reforça a leitura de um papel ainda forte, mas em processo de digestão depois de uma alta muito intensa.

A faixa entre R$ 60 e R$ 61 passa a funcionar como o primeiro suporte mais relevante, enquanto a região entre R$ 68 e R$ 70 segue como a principal zona de resistência.

PETR4: Caixa Robusto, Valuation Descontado e Risco Político Sempre no Radar

PETR4 também terminou a semana em alta. O movimento foi discreto, mas suficiente para manter a Petrobras entre os papéis que seguem sustentados por fundamentos muito sólidos. A leitura de mercado continua bastante conhecida:

  • Trata-se de uma companhia que reúne ativos de alta qualidade, forte geração de caixa e histórico relevante de remuneração ao acionista, mas que convive permanentemente com um desconto estrutural ligado ao risco político e regulatório.
  • Os fundamentos seguem robustos. Em 2025, a companhia reportou receita próxima de US$ 90,8 bilhões e lucro líquido superior a US$ 20 bilhões, em forte crescimento frente ao ano anterior.
  • A estrutura de capital também permanece confortável, com caixa elevado e endividamento sob controle.
  • Isso ajuda a sustentar a percepção de que Petrobras continua sendo uma das empresas mais fortes da Bolsa brasileira do ponto de vista operacional.

Ao mesmo tempo, o valuation descontado mostra que o mercado continua embutindo cautela. Temas como política de preços, governança, investimentos e interferência estatal seguem influenciando a forma como o ativo é precificado. Ainda assim, a companhia continua beneficiada por um ambiente de petróleo mais firme, por ativos competitivos no pré-sal e por forte capacidade de geração de caixa.

Um gráfico semanal ainda forte, mas já com sinais mais claros de acomodação depois do rali recente

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Na leitura técnica, PETR4 segue em posição favorável no médio prazo, negociando na metade superior da sua faixa de preços das últimas 52 semanas. O movimento mais recente, porém, sugere um papel menos explosivo do que em momentos anteriores, com maior probabilidade de consolidação no curto prazo. A faixa entre R$ 45 e R$ 46 aparece como suporte importante, enquanto a região entre R$ 50 e R$ 51 continua sendo a principal resistência. A tendência principal segue positiva, mas com leitura mais tática no curtíssimo prazo.

B3SA3: Juros Altos Ainda Pesam, mas a Tese continua Ligada à Virada do Ciclo

B3SA3 seguiu no radar do mercado ao manter uma tese bastante sensível ao ambiente macroeconômico brasileiro. A lógica do papel continua clara:

  • A B3 funciona como uma forma direta de capturar a evolução do mercado de capitais no país.
  • Quando os juros reais permanecem elevados, uma parte importante dos investidores segue alocada em renda fixa, o que limita volumes de negociação e pressiona o desempenho operacional da companhia.
  • Quando o mercado começa a embutir cortes mais consistentes da Selic, a ação tende a reagir antes.

Os fundamentos seguem sólidos. Em 2025, a companhia registrou receita próxima de R$ 10,1 bilhões e lucro líquido ao redor de R$ 4,6 bilhões, preservando margens elevadas e forte geração de caixa. O modelo de negócios continua altamente rentável, com boa estrutura financeira e capacidade consistente de monetização da infraestrutura do mercado brasileiro. O desafio continua sendo menos a qualidade do ativo e mais o ritmo de retomada do ambiente de Bolsa no país.

É justamente por isso que o comportamento de B3SA3 segue tão ligado à expectativa para a Selic e para a percepção de risco fiscal. Se o mercado passar a enxergar um ciclo mais favorável para juros, o papel tende a ganhar força mais rapidamente. Se o ambiente continuar travado, a recuperação tende a seguir mais gradual.

Um gráfico semanal de consolidação em região elevada, com o papel ainda sustentando uma estrutura construtiva

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Na leitura técnica, B3SA3 segue em uma zona importante depois da recuperação expressiva desde os níveis mais baixos do ciclo anterior. O papel ainda não confirma uma nova perna de alta, mas continua operando em uma região tecnicamente relevante.

  • A faixa entre R$ 18 e R$ 19 funciona como suporte de curto prazo, enquanto a região entre R$ 20 e R$ 21 segue como principal resistência.

A leitura mais adequada aqui é a de uma ação em consolidação, mas ainda bem posicionada para reagir caso o ambiente doméstico fique mais amigável.

Fecho da Semana

As três ações chamaram atenção por razões diferentes. PRIO3 foi o destaque mais claro, combinando a melhor performance da semana com uma tese de crescimento ainda forte e um gráfico semanal que segue positivo, embora já em fase de acomodação depois de uma arrancada intensa. PETR4 avançou pouco, mas preservou sua posição como um dos principais nomes da Bolsa brasileira ao reunir geração de caixa, ativos de qualidade e valuation descontado, mesmo sob risco político. B3SA3 continuou relevante como uma tese diretamente ligada à expectativa de melhora do ambiente doméstico e à possibilidade de uma virada mais favorável no ciclo de juros.

O retrato da semana ficou claro. PRIO3 representou crescimento, petróleo forte e tendência ainda positiva. PETR4 simbolizou solidez operacional com desconto estrutural por risco político. B3SA3 apareceu como a tese macro que continua à espera de um ambiente mais amigável para o mercado de capitais brasileiro.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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