As 3 ações que mais chamaram atenção na semana: PETR4, PRIO3 e SBSP3
A semana entre 2 e 6 de março de 2026 destacou três histórias bem diferentes na Bolsa brasileira. Petrobras apareceu como a ação que combinou resultado forte, produção robusta, geração de caixa relevante e um pano de fundo externo favorável para o petróleo. PRIO seguiu como uma das teses de crescimento mais fortes do mercado, impulsionada por catalisadores operacionais importantes para 2026. Sabesp, mesmo encerrando a semana no negativo, ainda teve desempenho melhor do que outros nomes relevantes da carteira, sustentada por uma tese estrutural forte após a privatização.
Dentro do universo das dez ações analisadas, PETR4 subiu cerca de 3,6% na semana, PRIO3 avançou aproximadamente 3,1% e SBSP3 recuou perto de 5,0%, mas ainda assim ficou à frente de bancos e de Vale em performance relativa. Isso ajuda a explicar por que as três merecem destaque: duas subiram de forma consistente, enquanto a terceira caiu menos do que boa parte do restante, preservando uma leitura mais construtiva no curto prazo.
Petrobras (PETR4): resultado forte, petróleo no radar e tese de valor preservada
PETR4 foi o melhor papel da lista na semana, refletindo um conjunto de fatores que se reforçaram ao mesmo tempo. O mercado recebeu bem o resultado do 4T25, marcado pela reversão do prejuízo do ano anterior, melhora operacional e reforço da percepção de que a Petrobras continua entregando forte geração de caixa. No trimestre, a companhia reportou lucro líquido de cerca de US$ 2,9 bilhões. Em reais, análises destacaram receita de R$ 127,4 bilhões, EBITDA ajustado de R$ 59,9 bilhões e lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, com destaque para o segmento de Exploração & Produção.
No acumulado de 2025, a estatal lucrou perto de R$ 110 bilhões, triplicando o resultado de 2024. A produção total de óleo e gás cresceu 11%, enquanto a reposição de reservas veio em nível bastante forte. Isso sustenta a leitura de que a Petrobras continua sendo mais do que uma ação de dividendos: trata-se também de uma empresa com escala, eficiência e crescimento em ativos competitivos do pré-sal.
A alta da semana também conversa com o ambiente externo. A tensão no Oriente Médio ajudou a manter o petróleo no centro das atenções, reforçando a leitura de risco geopolítico para a commodity e dando suporte adicional ao setor. No caso da Petrobras, esse pano de fundo externo somou-se a um noticiário corporativo já positivo. O mercado segue vendo a ação como uma tese de valor, ainda negociada com desconto frente às grandes petroleiras globais, embora com debate crescente sobre capex mais pesado e menor espaço para dividendos extraordinários.
Um gráfico semanal de aceleração, com preço acima das médias e MACD positivo

No gráfico semanal, PETR4 fechou a R$ 42,54, depois de trabalhar entre R$ 39,93 na mínima e R$ 43,12 na máxima da semana. O movimento foi forte, com alta semanal de 8,16%, e colocou o papel novamente numa faixa de preço que chama bastante atenção do mercado. A ação está bem acima das médias longas, que aparecem na região de R$ 32,36 e R$ 33,00, o que reforça a leitura de tendência positiva. O MACD segue em terreno favorável, com a linha principal acima da linha de sinal e histograma positivo. Em termos de preço, o gráfico mostra uma Petrobras forte acima de R$ 42, depois de sair de uma base mais perto de R$ 30–32 ao longo dos meses anteriores.
PRIO (PRIO3): crescimento acelerado e um gatilho operacional muito claro para 2026
PRIO3 foi a segunda melhor ação da semana, mantendo o forte embalo que já vinha marcando 2026. A tese aqui é bastante direta: o mercado enxerga a companhia como uma história de crescimento operacional com forte assimetria. O papel já vinha acumulando valorização importante no ano, e a semana reforçou essa percepção.
Os números ajudam a explicar o movimento. No 3T25, a companhia reportou receita líquida de US$ 607 milhões, produção média de 88,2 mil barris de óleo equivalente por dia e margem EBITDA perto de 57%, mesmo com impactos operacionais temporários em Peregrino. No 4T25, os dados operacionais vieram ainda mais fortes, com produção média de 127,9 mil boe/d e vendas de 10,86 milhões de barris. Com a normalização dos ativos e a expansão da base produtiva, a expectativa para 2026 ficou ainda melhor.
O principal gatilho da semana foi a notícia de que a companhia recebeu a Licença de Operação para o campo de Wahoo, último passo regulatório antes do início da produção. Esse foi exatamente o tipo de evento que o mercado costuma premiar rápido, porque aumenta a visibilidade sobre crescimento futuro, eficiência operacional e geração de caixa. Em valuation, a leitura continua bastante favorável, com múltiplos baixos para o crescimento esperado e uma narrativa cada vez mais forte de que a empresa pode combinar expansão com retorno relevante ao acionista nos próximos anos.
Um gráfico semanal de rompimento, com tendência forte e MACD em expansão

O gráfico semanal de PRIO3 é o mais claramente associado a momentum entre os três nomes. O preço trabalha bem acima das médias longas e a inclinação recente do movimento é bastante forte, mostrando aceleração no curto prazo dentro de uma tendência maior de alta.
A PRIO3 fechou então a R$ 59,03, com máxima de R$ 60,18 e mínima de R$ 53,57 na semana. Foi uma alta semanal de 8,33%, num movimento bastante forte e com cara de rompimento. O papel está muito acima das médias longas, posicionadas em R$ 39,87 e R$ 41,06, o que deixa clara a distância entre o preço atual e a região em que a ação vinha negociando antes da aceleração recente. Tecnicamente, o mercado está olhando para PRIO como um papel que saiu da faixa de R$ 38–41 e agora tenta se consolidar perto de R$ 59–60. O MACD também confirma esse impulso, com abertura positiva entre as linhas e histograma crescente.
Sabesp (SBSP3): correção na semana, mas tese estrutural continua firme
SBSP3 fechou a semana em queda de cerca de 5,0%, mas ainda assim terminou como a terceira melhor performance relativa entre as dez ações analisadas. Isso mostra que, mesmo em correção, o papel segurou melhor do que boa parte do restante da carteira. A leitura faz sentido: Sabesp vem de uma reprecificação muito forte desde a privatização e, depois de uma alta tão expressiva, ajustes de curto prazo passam a ser naturais.
Do lado fundamental, a tese continua sólida. Após a privatização, os resultados mostraram melhora relevante de margens, ganhos de eficiência e disciplina operacional maior. Em um dos trimestres citados no material, a companhia reportou lucro líquido próximo de R$ 1,28 bilhão, EBITDA ajustado em torno de R$ 3,2 bilhões e margem EBITDA perto de 58%. Em outro período, o lucro ajustado chegou a R$ 1,96 bilhão, reforçando a percepção de que a nova gestão começou a capturar ganhos concretos.
A grande discussão aqui está menos na qualidade do case e mais no equilíbrio entre preço, execução e risco. A companhia encerrou 2025 com capex recorde, planeja investimentos muito elevados até 2030 e ainda prioriza reinvestimento em vez de distribuição mais agressiva de dividendos. Isso sustenta a tese de crescimento de longo prazo, mas também limita parte do upside imediato aos olhos de alguns analistas. Ainda assim, o mercado segue vendo valor na combinação entre empresa regulada, ganhos de eficiência e expansão operacional.
Um gráfico semanal ainda construtivo, apesar da correção, com preço acima das médias

No gráfico semanal, a estrutura segue positiva mesmo após a queda recente. O preço continua bem acima das médias longas, o que mostra que a correção da semana ainda acontece dentro de uma tendência mais ampla de alta, e não como sinal claro de reversão.
A ação fechou a R$ 145,05, depois de marcar máxima de R$ 154,09 e mínima de R$ 143,26. A queda da semana foi de 5,74%, mas o ponto importante é que o papel continua muito acima das médias longas, que aparecem em R$ 122,93 e R$ 80,37. Isso mostra que, apesar da correção, a estrutura de alta segue preservada. Em termos de preço, Sabesp continua numa faixa muito superior àquela em que negociava há alguns trimestres, e a correção recente aconteceu depois de o papel encostar na região de R$ 154. O MACD permanece positivo, sugerindo mais acomodação de curto prazo do que reversão estrutural da tendência.
Fecho da semana
As três ações se destacaram por motivos diferentes. PETR4 liderou porque reuniu resultado forte, geração de caixa robusta, petróleo em foco e valuation ainda atrativo. PRIO3 confirmou sua posição como uma das teses de crescimento mais fortes da Bolsa, com Wahoo funcionando como catalisador claro para o movimento recente. SBSP3 ficou no vermelho, mas mostrou força relativa ao cair menos do que outros nomes relevantes, mantendo uma tese estrutural positiva.
O retrato da semana foi direto: Petrobras representou geração de caixa com suporte externo para o petróleo, PRIO simbolizou crescimento com gatilho concreto e Sabesp mostrou que, em certos momentos, força relativa também significa simplesmente cair menos quando a tese continua de pé.