A semana de 2 a 5 de fevereiro de 2026 reforçou três narrativas que o mercado costuma entender rápido, cada uma com um “motor” diferente:
- Vale como exposição a commodities com execução operacional a favor
- Sabesp como reprecificação estrutural pós-privatização, combinando eficiência e investimento pesado
- B3 como alavanca do mercado de capitais, com margens muito altas e sensibilidade ao ciclo de volumes
Quando essas teses ganham tração, o filtro prático costuma ser o mesmo:
Os fundamentos continuam a sustentar a história; o semanal confirma tendência e momentum, ou o preço pede uma pausa antes de continuar.
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Vale (VALE3): Execução no 4T25, Geração de caixa e um Papel que voltou a Trabalhar Tendência
A Vale apareceu no material com pano de fundo operacional construtivo no 4T25: minério de ferro em 90,4 Mt no trimestre (+6% a/a) e 336 Mt no ano, ligeiramente acima do guidance; cobre em 108 kt no 4T, maior nível desde 2018, também com alta anual; níquel em trajetória de crescimento com suporte de ramp-up de projetos como Onça Puma e Voisey’s Bay. A leitura que se forma é a de entrega acima do esperado em pontos-chave, o tipo de sinal que costuma reduzir desconto quando o mercado volta a confiar na execução.
No bloco de valuation e retorno ao acionista, o material trouxe uma combinação interessante: múltiplos ainda abaixo de pares globais (EV/EBITDA citado na faixa de 4,8–5,5x, abaixo de majors australianas) e expectativa de dividend yield em torno de 9% para 2026, com alavancagem baixa (dívida líquida/EBITDA ~0,79x). Nos indicadores, aparecem P/L ~13x, EV/EBITDA ~5,49x, margem líquida ~14,15%, ROE ~13,84% e ROIC ~11,18%, reforçando uma tese de geração de caixa com resiliência, mesmo num setor naturalmente cíclico.

No recorte de fechamentos do período, VALE3 saiu de R$ 84,82 para R$ 86,45, alta aproximada de 1,9%. No semanal apresentado, o preço seguiu acima das médias longas exibidas no gráfico (MA50 ~56,26 e MA200 ~82,67), preservando uma leitura estrutural positiva no horizonte semanal e sugerindo que a tendência continuou “bem montada”.
No MACD (12,26), as linhas ficaram em terreno positivo (8,83 e 8,94), com histograma levemente negativo (-0,11), combinação que costuma aparecer quando o movimento segue de pé, mas perde um pouco de aceleração no curtíssimo prazo. A leitura tática fica bem prática: suportes citados no material em R$ 84–85 e, abaixo, a faixa de R$ 80, funcionam como regiões onde uma realização curta poderia “parar” sem mudar a história; acima, a zona psicológica de R$ 90–100 continua como área natural de disputa.
Sabesp (SBSP3): Re-rating pós-privatização, Eficiência operando e o Desafio de Executar Capex Agressivo
Sabesp apareceu como um case de reprecificação estrutural: privatização recente, aumento de investimentos e busca por ganhos de eficiência. No material, os resultados do 3T25 foram descritos como sólidos e consistentes: receita líquida ajustada perto de R$ 5,5 bilhões, volume faturado em alta (+2,5% a/a), OPEX com queda forte (~15% a/a) puxada por eficiência e energia, EBITDA ajustado em torno de R$ 3,1–3,2 bilhões (+14–15% a/a) e lucro líquido ajustado perto de R$ 1,28–1,3 bilhão (+9,5% a/a). A tese fica clara: não é “mágica” de curto prazo, é uma curva de melhoria operacional ancorada em execução.
Nos indicadores, o material apontou dividend yield por volta de 4,4%, P/L ~14,15x, P/VP ~2,39x e margens e retornos saudáveis (margem líquida ~20,8%, ROE ~16,9%). A alavancagem apareceu como administrável (dívida líquida/EBITDA ~1,9x) dentro do contexto de capex muito elevado, com destaque para capex recorde no 3T25 (~R$ 4 bi) e mais de R$ 10 bi no 9M25, crescendo forte ano a ano. O mercado tende a premiar essa história enquanto a execução do plano continuar limpa, sem derrapagens de custo e cronograma.

No recorte de fechamentos do período, SBSP3 passou de R$ 143,54 para R$ 145,00, alta aproximada de 1,0%, mantendo a ação perto das máximas recentes. No semanal apresentado, o preço seguiu bem acima das médias longas exibidas (MA50 ~78,25 e MA200 ~118,48), o tipo de configuração que costuma sustentar tendências fortes por mais tempo, desde que os pullbacks não violem bases relevantes.
No MACD (12,26), os números exibidos ficaram positivos (0,19; 5,99; 5,80), coerentes com momentum ainda favorável no semanal, mesmo com oscilações comuns quando o preço trabalha região de topo. No plano tático, o material já deixava um mapa simples: suporte importante em R$ 135–140 como região de defesa de tendência; resistência imediata em R$ 145–150 como faixa onde o mercado tende a alternar realização e tentativa de continuação.
B3 (B3SA3): Volumes Melhorando, Margens altíssimas e Valuation que Exige Disciplina
B3 apareceu como a “proxy” direta do mercado de capitais: ganha com volume, número de investidores e diversidade de produtos, com alavancagem operacional muito alta. No material do 4T25, o destaque foi um trimestre considerado positivo: ADTV de ações em R$ 26,2 bilhões (+5% a/a), derivativos listados em alta (+7% a/a) e emissões em renda fixa subindo (+16% a/a), com OTC como ponto mais fraco. A leitura é direta: quando os volumes melhoram, a máquina de receita tende a responder rápido; quando o ciclo esfria, a sensibilidade aparece na mesma velocidade.
Nos fundamentos, o material reforçou o “trade-off” clássico do papel: qualidade e rentabilidade muito altas, com múltiplos mais exigentes. Foram citados P/L ~17,6x, P/VP ~4,33x, margens muito elevadas (bruta ~90,6%, EBITDA ~77,7%, líquida ~44,8%) e ROE ~24,6%, além de dividend yield por volta de 3,65%. A tese estrutural segue forte, mas o valuation abre menos espaço para erro, o que aumenta a importância do timing e do comportamento do ciclo de mercado.

No recorte de fechamentos do período, B3SA3 saiu de R$ 16,35 para R$ 16,26, queda leve de cerca de 0,5%, com cara de acomodação depois de movimento forte anterior. No semanal apresentado, o preço permaneceu acima das médias longas exibidas (MA50 ~12,50 e MA200 ~13,43), preservando uma leitura estrutural positiva, ainda que o curto prazo tenha oscilado.
No MACD (12,26), os números exibidos também ficaram positivos (0,26; 0,71; 0,45), compatíveis com momentum comprador no horizonte semanal, mesmo com ruídos na caminhada. O mapa tático do próprio material já organiza bem o risco: suporte em R$ 15,80–16,00 como região a ser respeitada para manter a estrutura; resistência psicológica em R$ 16,50–17,00 como faixa onde o preço tende a “travar” e exigir força extra para continuar.
Conclusão
As três ações se encaixaram num padrão útil para leitura semanal:
- Vale combinou execução e narrativa de caixa com tendência preservada
- Sabesp sustentou a tese de re-rating pós-privatização, com eficiência e investimento como pilares
- B3 manteve fundamentos de altíssima qualidade, enquanto o preço oscilou mais perto de consolidação do que de reversão
A regra prática se mantém:
Enquanto o semanal respeitar a estrutura, a tese continua “viva”; quando o preço perder os pisos que sustentam o movimento, o mercado normalmente exige um novo ponto de entrada mais claro.
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