O mercado de ouro atravessa uma fase em que os fatores macroeconômicos e os sinais técnicos apontam em direções diferentes. A queda dos juros reais e a incerteza geopolítica oferecem algum suporte ao metal precioso, mas a força do dólar e as expectativas de novas altas dos juros limitam seu potencial de recuperação.
Enquanto isso, os gráficos diário e semanal apresentam predominantemente sinais de fraqueza, que podem intensificar a pressão vendedora sobre o XAU/USD.
Melhores Corretores de Forex Online
Nova Queda dos Juros Reais traz Sinal Ligeiramente Altista para o Ouro
Os juros reais dos Estados Unidos recuaram de 2,66% para 2,63% na última semana, prolongando a trajetória de queda das quatro semanas anteriores. No entanto, vale lembrar que os juros reais mantêm uma tendência de alta desde o fim de fevereiro e que, há cinco semanas, atingiram os níveis mais elevados dos últimos 18 anos. Ainda é cedo para concluir que as quedas recentes representam uma reversão de tendência.
A evolução dos juros é relevante para o ouro porque reflete a rentabilidade dos títulos após descontar a inflação esperada. Quando os juros reais sobem, os títulos do Tesouro americano se tornam relativamente mais atraentes do que o metal precioso, o que costuma pressionar sua cotação para baixo. Por outro lado, a queda dos juros reais tende a favorecer o ouro.
Por sua vez, as expectativas de inflação para dez anos (breakeven de inflação) permaneceram estáveis em 2,34%, sem alterações em relação à semana anterior. Esse indicador segue em movimento lateral desde o início de setembro, depois de ter avançado a partir do fim de junho.
Em conjunto, os dados oferecem um sinal ligeiramente altista para o ouro na semana que começa. A queda dos juros reais reduz a pressão exercida pelos títulos sobre o metal precioso. Contudo, a magnitude do recuo semanal é pequena, e a tendência de alta dos juros reais desde fevereiro continua sendo um fator de risco para o ouro.
Dólar mais Forte pode Reduzir a Demanda por Ouro
O dólar se fortaleceu na semana passada, e o índice do dólar subiu de 101,751 para 101,963 pontos. A perspectiva de que o Federal Reserve (Fed) mantenha uma política monetária restritiva nos próximos meses dá sustentação à moeda americana. No momento, a ferramenta FedWatch aponta uma probabilidade de 70,74% de uma nova alta dos juros em dezembro. Além disso, a instabilidade geopolítica no Oriente Médio está impulsionando a demanda pelo dólar como moeda de proteção.
Esses fatores representam um sinal baixista para o ouro. O fortalecimento do dólar torna o metal mais caro para compradores que utilizam outras moedas, o que pode reduzir sua demanda.
Apetite por Risco
O comportamento dos mercados na última semana aponta para um ambiente de certa aversão ao risco. O S&P 500 recuou 0,60%, o Dow Jones perdeu 0,91% e o Nasdaq registrou queda de 2%. Resultados e projeções abaixo das expectativas em algumas empresas de tecnologia aumentaram a preocupação dos investidores e provocaram episódios pontuais de nervosismo.
Essa inquietação se refletiu no VIX. Embora tenha encerrado a semana praticamente estável (com leve queda de 19,44 para 19,41), o indicador atingiu na sexta-feira os maiores níveis dos últimos seis meses. Entretanto, devolveu grande parte da alta antes do fechamento. Já o índice CNN Fear & Greed melhorou de 16 pontos (medo extremo) para 26 (medo), indicando uma moderação do pessimismo entre os investidores, embora o sentimento continue negativo.
O contexto geopolítico também não ajuda a melhorar o apetite por risco. As perspectivas de um acordo temporário de paz no Oriente Médio continuam pouco animadoras, enquanto a possibilidade de os Estados Unidos retomarem os ataques ao Irã após as eleições legislativas de 3 de novembro acrescenta incerteza aos mercados. Nesse cenário, o petróleo WTI avançou 0,82% na semana, registrando a quarta semana consecutiva de alta e atingindo, na sexta-feira, os maiores níveis dos últimos 43 dias. A incerteza no Oriente Médio pode continuar sustentando o ouro, embora parte da demanda por proteção também possa se direcionar ao dólar americano.
Esse cenário deixa um sinal moderadamente altista para o ouro nesta semana.
Quais Fatores Podem Aumentar a Volatilidade do Ouro nesta Semana?
Nesta semana, o preço do ouro poderá reagir aos resultados dos seguintes indicadores macroeconômicos:
PMI industrial de outubro (segunda-feira)
Pesquisa JOLTS de vagas de emprego de setembro (terça-feira)
Variação do emprego não agrícola de outubro (quarta-feira)
PMI de serviços de outubro (quarta-feira)
PMI não industrial do ISM de outubro (quarta-feira)
Pedidos iniciais de seguro-desemprego (quinta-feira)
Pedidos contínuos de seguro-desemprego (quinta-feira)
Relatório de empregos não agrícolas (payroll) de outubro (sexta-feira)
Taxa de desemprego de outubro (sexta-feira)
Ganhos médios por hora de outubro (sexta-feira)
Dados mais fortes do que o esperado poderiam dar suporte ao dólar americano, provocando quedas no mercado de ouro. Por outro lado, números abaixo das projeções tenderiam a produzir o efeito contrário.
Análise Técnica do Ouro
Gráfico semanal do XAU/USD

O ouro acaba de romper a região de suporte entre US$ 3.953 e US$ 4.000 e registrou uma nova mínima, dando continuidade à correção iniciada no começo do ano. A cotação está nos níveis mais baixos dos últimos 13 meses. O candle da semana passada revela forte pressão vendedora, devido ao seu pavio superior longo e ao fechamento praticamente na mínima.
Diante desses sinais de fraqueza, se a cotação não recuperar o nível psicológico de US$ 4.000, há uma probabilidade elevada de novas quedas no curto e médio prazo. O próximo nível relevante fica nas proximidades de US$ 3.500.
Gráfico diário do XAU/USD

As quedas recentes na cotação do ouro foram acompanhadas por sinais baixistas no Índice de Força Relativa (IFR/RSI) e no MACD. Esses indicadores confirmam que a pressão vendedora está mais intensa do que a compradora neste momento, o que pode resultar em novas desvalorizações.
Conclusão
O balanço semanal continua desfavorável para o ouro. A força do dólar e as expectativas de juros mais elevados nos Estados Unidos neutralizam o suporte proporcionado pela queda dos juros reais e pela incerteza geopolítica.
Além disso, os sinais de fraqueza técnica aumentam o risco de novas quedas. Se a cotação do ouro permanecer abaixo de US$ 4.000 e o dólar continuar mostrando força, o cenário baixista ganhará sustentação. Por outro lado, indícios de que o Fed poderia adotar uma política monetária mais flexível, um enfraquecimento do dólar ou a recuperação do nível psicológico de US$ 4.000 colocariam em dúvida a perspectiva de baixa.
Gráfico em tempo real do XAU/USD
O preço do ouro vai subir ou cair nos próximos dias? Acompanhe a resposta em tempo real com nossa análise técnica do ouro. Confira também as orientações da FP Markets e saiba mais sobre como investir no mercado de ouro.