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BRL/USD - Cenário Fiscal e Copom Colocam o Real em uma Zona de Atenção

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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Visão Executiva

O cenário-base é de consolidação fraca do BRL/USD entre 0,1790 e 0,1870, com fechamento de sexta-feira mais provável entre 0,1805 e 0,1850. O viés segue levemente negativo para o real: o choque eleitoral já está no preço, mas o prêmio fiscal não diminuiu e o Copom chega à decisão com pouco espaço para surpreender positivamente.

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A previsão parte dos dados disponíveis na tarde de terça-feira, 3 de novembro. Na segunda-feira (2), feriado de Finados, o mercado brasileiro esteve fechado. O BRL/USD abriu a semana em 0,1834, chegou a 0,1851 na máxima e negocia perto de 0,1818 (-0,93%), contra 0,1835 no fechamento de sexta-feira. Na semana anterior, o real perdeu mais de 8%, a maior desvalorização semanal desde outubro de 2008.

Cenário
Prob.
Intervalo semanal
Fechamento provável
Condição dominante
Consolidação fraca
50%
0,1790-0,1870
0,1805-0,1850
Copom mantém 13,75% com tom firme; nenhuma novidade fiscal; DXY estável
Nova perna de queda do real
30%
0,1740-0,1820
0,1760-0,1795
Comunicado brando ou corte, ruído fiscal e/ou DXY acima de 102,5
Alívio
20%
0,1830-0,1900
0,1860-0,1894
Copom duro, sinal fiscal crível e dólar global mais fraco após as midterms

Convicção: moderada quanto à direção, baixa quanto ao nível exato. A decisão do Copom, na quarta-feira à noite, concentra o risco de gap na abertura de quinta-feira.

Primeiro: O Real

O Choque já Aconteceu, o Prêmio Continua

A reeleição de Lula, em 25 de outubro, desmontou posições compradas em real construídas desde o primeiro turno. Na semana seguinte, o Ibovespa acionou o circuit breaker, os juros futuros dispararam e o real perdeu mais de 8%.

O resultado eleitoral é conhecido. O catalisador agora é o que o governo disser, e conseguir provar, sobre gasto, orçamento, equipe econômica e dívida. Até aqui os sinais não ajudam: a discussão sobre um eventual tabelamento de juros, defendido por André Lara Resende, aumentou a cautela na terça-feira, mesmo com a equipe econômica negando a intenção.

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Fiscal Explica a Fragilidade

A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em setembro, o maior nível desde 2021 e 4,3 pontos acima do fim de 2025. O setor público teve déficit primário de cerca de R$ 5,5 bilhões no mês. Os juros nominais em 12 meses somam cerca de R$ 1,2 trilhão, perto de 9% do PIB, com déficit nominal de 9,51% do PIB.

A curva confirma a preocupação. Em 30 de outubro, o DI para janeiro de 2029 fechou perto de 14,94% e o de janeiro de 2031 em 15,21%. Aqui, juros mais altos não sustentam o real: refletem prêmio de risco, não credibilidade.

O Focus de 3 de novembro, o primeiro após a eleição, mostra a mudança de humor. A mediana de câmbio para o fim de 2026, convertida, caiu de 0,1980 para 0,1873; para 2027, de 0,1942 para 0,1852. As projeções de inflação subiram até 2029, e a Selic deve continuar com dois dígitos até o fim da década.

Copom: O Teste Imediato

A Selic está em 13,75%, depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto em 2026. A decisão sai na quarta-feira (4), às 18h30. Antes do segundo turno, mais de 70% das opções de Copom na B3 apontavam corte. Após o resultado, a probabilidade implícita de manutenção passou para cerca de 69%. Itaú, HSBC, C6 e BTG esperam pausa; Inter, ASA e Daycoval ainda veem corte de 0,25 ponto.

Como a pausa já está no preço, o que move o real é o comunicado: como o BC trata o repasse cambial e a desancoragem das expectativas.

Balanço do BRL

Força sobre o real
Direção
Intensidade semanal
Prêmio fiscal e dívida em 82,9% do PIB
Negativa
Muito alta
Indefinição da equipe econômica e ruído sobre juros
Negativa
Alta
Focus com câmbio e inflação piores
Negativa
Média
Selic a 13,75% e provável pausa
Positiva
Média, já no preço
Investimento direto (US$ 88,3 bi) acima do déficit externo (US$ 60,0 bi)
Positiva
Baixa no horizonte semanal
Balança comercial de outubro (sexta-feira)
Positiva
Média

Segundo: O Dólar

O que move o USD

O PCE de setembro mostrou inflação de 3,6% em 12 meses e núcleo de 3,1%, mas o consumo real ficou praticamente estagnado e a renda disponível real caiu 0,3%. O Fed manteve os juros em 3,75%-4,00% em 28 de outubro. A comunicação de Kevin Warsh reduziu parte das apostas em altas para 2027, mas o mercado segue vendo chance relevante de alta em dezembro.

Nesta terça-feira (3) acontecem as eleições de meio de mandato. A maioria das pesquisas aponta vantagem democrata na Câmara e no Senado.

Catalisadores americanos

  • Congresso dividido e payroll fraco: menor espaço para estímulo fiscal; o DXY tende a recuar e abre espaço para alívio parcial do real.

  • Resultado em linha e payroll neutro: impacto limitado; o BRL/USD segue guiado pelo Brasil.

  • Surpresa republicana ou payroll forte: yields sobem, o DXY rompe a MM200 e amplia a pressão sobre o real.

Terceiro: DXY

Gráfico 1 - DXY, semanal (TradingView)  semana 2 a 6 novembro 2026

Gráfico 1 - DXY, semanal (TradingView)

No gráfico semanal, o DXY negocia em 101,80 (-0,16% na semana), com máxima de 101,99 e mínima de 101,43. O índice voltou para baixo da média móvel de 200 semanas (102,10) e segue dentro da zona de resistência histórica de 100,8-102,1 (faixa sombreada). A vela anterior chegou perto de 102,5 e foi rejeitada, assim como a máxima de meados de outubro, perto de 103,0.

O Parabolic SAR em 99,86, abaixo do preço, mantém o sinal de alta. O MACD semanal (0,638 contra sinal de 0,478) segue positivo, mas o histograma (+0,160) vem encolhendo: o momentum perde força.

Nível DXY
Leitura
102,90-103,00
Máxima de 52 semanas; rompimento valida nova perna de alta
102,10-102,50
MM200 semanal e máxima da semana anterior
101,43
Mínima da semana; primeiro suporte
100,80-101,00
Base da zona sombreada
99,86
Parabolic SAR; perda inverte o sinal de tendência

Cenário-base do DXY para a semana: 101,0-102,5, com viés neutro.

Finalmente: BRL/USD

Interação das Duas Pernas

Na semana do choque, o DXY ficou praticamente estável enquanto o real perdeu mais de 8%. O movimento veio quase todo da perna BRL. Nesta semana, o DXY também recua levemente e, mesmo assim, o real volta a cair: mais uma evidência de que o problema é doméstico. Um dólar global mais fraco pode amortecer, mas, para o par voltar a 0,1894, seria necessária a combinação de DXY abaixo de 101,0 e sinal fiscal crível.

Análise Técnica Semanal

Gráfico 2 - BRL/USD, semanal (TradingView)  semana 2 a 6 novembro 2026

Gráfico 2 - BRL/USD, semanal (TradingView)

A vela de 26 a 30 de outubro abriu em 0,2010 e fechou em 0,1835, com sombra inferior longa até 0,1788, praticamente na mínima de 52 semanas (0,1783, dezembro de 2025). O par perdeu de uma só vez a MM200 semanal (0,1894), que sustentou a estrutura ao longo de 2026.

A vela atual abriu em 0,1834, testou 0,1851 e foi rejeitada, negociando em 0,1818. O Parabolic SAR em 0,2012, acima do preço, mantém o sinal de baixa, e o MACD (-0,0010 contra sinal de 0,0003, histograma -0,0012) cruzou para baixo da linha de sinal e da linha zero, com momentum negativo em expansão.

Zona BRL/USD
Função atual
Interpretação
0,2010
SAR e origem do movimento
Retorno nesta semana é improvável
0,1894
MM200 semanal
Recuperação acima anula boa parte do rompimento
0,1869-0,1873
Retração de 23,6% e Focus 2026
Primeira resistência relevante
0,1851
Máxima da semana
Resistência imediata
0,1810-0,1820
Zona atual
Pivot da semana
0,1783-0,1790
Mínima de 52 semanas
Fechamento abaixo confirma continuação
0,1740
Alvo de estresse
Extensão se o Copom decepcionar

Caminho Provável

  • Terça-feira: real pressionado por ruído fiscal e cautela antes das midterms e do Copom; par perto de 0,1818.

  • Quarta-feira: Caged e fluxo cambial à tarde e decisão do Copom às 18h30. O mercado reage ao resultado das midterms durante o dia.

  • Quinta-feira: reação ao comunicado. Tom firme favorece um teste de 0,1851-0,1869; tom brando reabre 0,1790.

  • Sexta-feira: payroll nos EUA e balança comercial de outubro. Superávit forte e payroll fraco favorecem o real; o contrário favorece o dólar.

Gatilhos Decisivos

Para vender BRL/USD

  • Fechamento diário abaixo de 0,1785.

  • Corte da Selic ou comunicado que minimize o repasse cambial.

  • Avanço da discussão sobre controle de juros ou ausência de nome para a Fazenda.

  • DXY acima de 102,5 após midterms ou payroll forte.

Para comprar BRL/USD

  • Defesa de 0,1790 seguida de fechamento acima de 0,1851.

  • Manutenção com comunicado duro e menção explícita aos riscos fiscais.

  • Equipe econômica vista como crível e metas fiscais quantificadas.

  • DXY abaixo de 101,0 após um Congresso dividido.

Invalidação

O cenário-base fica invalidado para baixo com fechamento diário abaixo de 0,1783, sobretudo com DXY acima de 102,5; nesse caso, 0,1740 vira o alvo dominante. Fica invalidado para cima com fechamento acima de 0,1873 após um Copom firme; nesse caso, a MM200 em 0,1894 passa a ser o objetivo.

A leitura central da semana: o choque eleitoral já está no preço, o prêmio fiscal não. Sem um sinal concreto de disciplina fiscal e com um Copom apenas em linha com o esperado, o BRL/USD tende a continuar abaixo da MM200, mesmo que o dólar global enfraqueça.

Este forecast é uma análise de cenários macroeconômicos e técnicos, não uma recomendação de investimento.

Gráfico em Tempo Real BRL/USD

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Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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