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BRL/US: O Primeiro Turno Tira o Prêmio Fiscal do Real e Leva o par aos 0,20

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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Escrevo na quarta-feira, 7 de outubro, com o BRL/USD já em outro patamar. O primeiro turno da eleição presidencial produziu o maior choque de preço do ano para o real: o par abriu a semana em 0,1909, tocou a máxima de 0,2017 e opera em 0,2003, alta de 4,70% sobre o fechamento anterior, de 0,1913. Para o fechamento de sexta-feira, trabalho com faixa central entre 0,1975 e 0,2030 e ponto de gravidade entre 0,1990 e 0,2015. A direção foi decidida na segunda-feira; o que está em aberto agora é quanto do ganho se sustenta. A convicção é moderada, porque a semana ainda reserva a ata do Fed, nesta quarta, e o IPCA de setembro, na sexta.

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Onde o Par está No Meio da Semana

A PTAX, convertida em dólares por real, mostra a dimensão do movimento: 0,1915 na sexta-feira, 2 de outubro, e 0,2012 na terça-feira, 6. Na segunda, o real teve a maior valorização diária desde junho de 2018 e foi a moeda que mais subiu entre as mais líquidas do mundo. Na terça, a bolsa realizou lucros, mas o real voltou a ganhar cerca de 0,5% e fechou no melhor nível desde maio. Os juros futuros recuaram com força e passaram a embutir Selic de 13% em dezembro; o Tesouro IPCA+ 2032 saiu de 7,66% para 7,01% de juro real em um único pregão.

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O que Move o Real, do Lado Brasileiro

O vetor dominante é político e fiscal. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões, contra 45,16% de Lula, cerca de 53,9 milhões, contrariando as pesquisas. O segundo turno será em 25 de outubro. O PL elegeu 121 deputados, a maior bancada de um partido desde a Constituição de 1988, e passará a ter a maior bancada do Senado, mas nenhuma legenda terá maioria sozinha na Câmara.

O mercado leu o resultado como maior probabilidade de alternância de poder e de uma trajetória fiscal mais crível a partir de 2027. O ponto de partida é frágil: a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, e a Fitch projeta déficit nominal de 8,6% do PIB em 2026. A campanha de Flávio fala em economia de 1,5% do PIB, corte de ministérios e nova regra fiscal, mas ainda não detalhou as medidas nem anunciou nomes para a equipe econômica. É expectativa, não entrega, e isso limita a extensão do movimento antes de 25 de outubro.

O carry continua a sustentar o real. A Selic está em 13,75% desde 16 de setembro, quinto corte consecutivo de 0,25 ponto, e o próximo Copom só acontece em 3 e 4 de novembro, depois do segundo turno. O IPCA de agosto teve deflação de 0,32% e 4,22% em 12 meses, mas o IPCA-15 de setembro subiu 0,70%, acima da mediana de 0,53%, e acelerou para 4,47%, colado ao teto da meta. O Banco Central projeta IPCA de 0,65% em setembro. Com juro real perto de 9%, a queda da curva reduz marginalmente o prêmio, mas não o elimina.

O que Move o Dólar, do Lado Americano

O Fed elevou os juros em setembro para a faixa de 3,75% a 4,00%. O payroll de setembro enfraqueceu a tese de nova alta já em outubro: apenas 29 mil vagas, desemprego em 4,2% e salário por hora com alta de 0,1% no mês. Ainda assim, o mercado segue precificando cerca de 85% de chance de nova alta até o fim do ano. O ISM de serviços de segunda-feira veio em 54,9, praticamente em linha, mas o índice de preços subiu para 74, o maior desde julho de 2022, o que mantém o viés duro do Fed.

O yield de 10 anos marcou 5,31% na segunda, máxima em 52 semanas, e recuou para 5,27% na terça. O petróleo Brent perto de US$ 100 e a escalada no Oriente Médio sustentam a procura por dólar. A ata do FOMC sai nesta quarta; o CPI americano, em 14 de outubro; e a próxima reunião do Fed, em 27 e 28 de outubro.

O Termômetro do Dólar Global: DXY

Gráfico 1 - U.S. Dollar Index (DXY), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / TVC. 07/10/2026

Gráfico 1 - U.S. Dollar Index (DXY), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / TVC.

O índice abriu a semana em 101,917, oscilou entre 101,754 e 102,535 e opera em 102,246, alta de 0,32%, a caminho da quarta semana seguida de ganhos e no maior nível desde abril de 2025. O dado técnico mais relevante é que o preço superou a média longa, em 102,149, que funcionava como teto. O Parabolic SAR, em 98,758, segue abaixo do preço, e o MACD confirmou o momentum altista, com a linha em 0,482 acima do sinal em 0,293 e histograma positivo de 0,188. Suporte em 101,75 a 101,65; resistência em 102,54 e depois 102,85. O ponto central é que o real subiu quase 5% com o dólar global forte: o movimento é idiossincrático, e por isso mais sensível a notícias domésticas do que ao DXY nesta semana.

O Mapa Técnico do BRL/USD no semanal

Gráfico 2 - Brazilian Real / U.S. Dollar (BRL/USD), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / ICE. 07/10/2026

Gráfico 2 - Brazilian Real / U.S. Dollar (BRL/USD), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / ICE.

A vela da semana o par BRL/USD rompeu de uma vez o teto do intervalo que vinha desde junho, entre 0,1910 e 0,1975, e levou o par para longe da média longa, em 0,1893. O Parabolic SAR, em 0,1909, coincide com a abertura da semana e está bem abaixo do preço, o que sustenta o viés pró-real. O MACD está no ponto de virada: linha em 0,0005, sinal em 0,0006 e histograma em menos 0,0001. Um fechamento semanal acima de 0,1990 deve completar o cruzamento altista, o primeiro desde maio. A sombra superior, com máxima em 0,2017 e preço em 0,2003, mostra venda perto dos 0,20.

As Balizas que Interessam Seguir

Do lado do real forte, a primeira barreira é a máxima da semana, em 0,2017, seguida da máxima do ano, em 0,2038, registrada em 11 de maio. Acima dela, a referência passa a ser 0,2083, que corresponde ao limite superior das estimativas de bancos estrangeiros para as próximas semanas, entre 0,2020 e 0,2083. O Goldman Sachs vê 0,2083 a 0,2222 como plausível num cenário de austeridade fiscal confirmada, horizonte de semanas, não de dias. Do lado contrário, a primeira defesa está no redondo 0,2000, depois em 0,1975, antigo teto do intervalo, e em 0,1958. Um fechamento semanal abaixo de 0,1958 indicaria que o mercado devolveu o essencial do choque eleitoral; abaixo de 0,1909, o SAR vira contra o real.

Três Desfechos Possíveis para 5 a 9 de Outubro

No trilho mais provável, ao qual atribuo em torno de 55% de probabilidade, o par consolida entre 0,1975 e 0,2030. A ata do Fed não traz surpresa relevante, o IPCA sai perto dos 0,65% projetados pelo Banco Central e a campanha não produz fatos novos. Nesse enredo, o fechamento vem entre 0,1990 e 0,2015.

Num roteiro mais amigo do real, com cerca de 25% de chance, a ata soa menos dura, o DXY perde 101,65 e as primeiras pesquisas de segundo turno confirmam a vantagem de Flávio, idealmente acompanhadas de sinais concretos sobre equipe e medidas fiscais. O par testa a máxima do ano em 0,2038, com fechamento entre 0,2020 e 0,2045.

No enredo oposto, com os 20% restantes, a ata reforça a disposição do Fed de subir juros, o DXY rompe 102,54 em direção a 102,85, o IPCA vem bem acima do esperado ou uma pesquisa mostra recuperação de Lula. A realização de lucros levaria o par de volta a 0,1958 a 0,1975, com fechamento provável entre 0,1955 e 0,1985. O real ainda ficaria acima do nível pré-eleição.

A Agenda que Decide o Resto da Semana

A quarta-feira traz a ata do FOMC, o evento externo de maior risco. Na quinta, sai a produção industrial regional do IBGE. A sexta-feira concentra o IPCA e o INPC de setembro no Brasil e a prévia da confiança do consumidor da Universidade de Michigan nos Estados Unidos. Pesquisas de segundo turno e sinais sobre a equipe econômica de Flávio tendem a pesar mais no par do que os dados.

A Síntese da Semana

Fecho com o veredito ajustado ao pulso do mercado: o primeiro turno retirou do real boa parte do prêmio fiscal em dois pregões e deslocou o BRL/USD para a região de 0,20, com rompimento técnico limpo do intervalo de quatro meses. O carry continua a ancorar o par, mas o dólar global está mais forte do que estava antes da eleição, e o ganho do real depende de expectativas que ainda não se converteram em medidas. A tradução prática é viés pró-real com gestão de risco: fechamento acima de 0,2038 abriria nova perna de alta; fechamento abaixo de 0,1958 sinalizaria que o choque eleitoral foi devolvido. Esta é uma análise de mercado de curto prazo, e não uma recomendação individual de investimento ou de cobertura cambial.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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