A semana de 13 a 16 de outubro de 2026, encurtada pelo feriado de segunda-feira, foi de devolução. O Ibovespa encerrou a sexta-feira em 205.430 pontos, alta de 0,54% no dia, mas queda de 1,74% no período. O pano de fundo foi um choque de inflação: o CPI americano subiu 0,6% em setembro e 3,7% em doze meses, acima do esperado. No Brasil, a incerteza do segundo turno pesou sobre o real, e o dólar fechou a R$ 5,0735, alta semanal de 1,77%. A exceção foi o petróleo: o Brent fechou a sexta-feira a US$ 109,86, alta de 3,7% no dia e de 4,9% na semana, o maior nível desde maio, com a escalada no Oriente Médio.
Dentro da carteira acompanhada, de dez papéis, só três subiram, e dois deles foram petroleiras. As líderes foram a PRIO (PRIO3), a alavanca mais direta ao Brent, com produção em máxima; a Petrobras (PETR4), que superou pela primeira vez R$ 800 bilhões em valor de mercado; e a Embraer (EMBJ3), que recuperou parte da queda de 9,2% da semana anterior. O filtro é o de sempre: as maiores valorizações do período, de fechamento a fechamento, com os fundamentos a sustentar a história e o gráfico semanal a confirmar, ou não, a tendência.
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PRIO (PRIO3): A Alavanca mais Pura ao Petróleo
Foi a maior alta da carteira, de 8,77%, com o papel a subir nos quatro pregões. Como produtora independente, sem refino e sem a componente política de uma estatal, a PRIO transfere quase integralmente a alta do Brent para a receita.
A base operacional sustenta o movimento. Em setembro, a produção chegou a 192,6 mil barris de óleo equivalente por dia, alta de 3,5% sobre agosto, com o novo poço MUP7 em Frade; no terceiro trimestre, a média foi de 191,6 mil, 11,4% acima do segundo. No 2T26, o lucro líquido foi de US$ 413,3 milhões, alta de 169%, com EBITDA ajustado de US$ 878,6 milhões e lifting cost de US$ 8,90 por barril, queda de 36% em doze meses. Na semana anterior, a companhia venceu na ANP os blocos Magnetita e Hematita, vizinhos de Frade e Wahoo.
A XP mantém compra, com alvo de R$ 78, o que deixa cerca de 11% de potencial sobre o fechamento. O risco é o mesmo que hoje impulsiona a tese: um recuo do Brent atinge a PRIO antes e com mais força. O balanço do 3T26 sai a 4 de novembro.
Um gráfico semanal de retomada em direção ao topo do ano, com MACD a reacelerar acima da linha de sinal.

A penúltima candle, referente à semana de 13 a 16 de outubro, abriu em R$ 63,95, marcou mínima de R$ 63,72 logo no primeiro pregão, tocou R$ 70,95 e fechou em R$ 70,10, alta de 8,77%. O corpo branco é longo e a sombra superior é curta, sinal de compra sustentada ao longo da semana, com pouca realização na máxima. O preço opera muito acima da média de 200 períodos, em R$ 45,43, com SAR em R$ 56,98, e o MACD em 2,73 contra linha de sinal em 1,94 voltou a abrir distância. A resistência é a máxima de 52 semanas, em R$ 72,98. Suportes em R$ 63,72 e R$ 60,00. A última candle, ainda em formação, sobe para R$ 71,00.
Petrobras (PETR4): R$ 800 Bilhões e Máxima Histórica
A alta de 6,57% levou a ação ao maior fechamento da sua história, R$ 59,68, e a companhia ao recorde de valor de mercado. A barreira de R$ 800 bilhões foi superada na quarta-feira; na sexta-feira, a ação subiu mais 4,04%, acompanhando o Brent. Em 2026, a PETR4 já sobe cerca de 100%. Além do petróleo, o mercado reagiu aos acordos de equalização das jazidas compartilhadas de Berbigão e Sururu, na Bacia de Santos, que renderão à Petrobras cerca de US$ 859 milhões líquidos até novembro.
Os fundamentos continuam fortes. No 2T26, o lucro líquido foi de R$ 52,4 bilhões e o EBITDA ajustado de R$ 93,8 bilhões, com produção própria de óleo no Brasil de 2,7 milhões de barris por dia, alta de 15% em doze meses. A companhia aprovou R$ 17,4 bilhões em proventos, com pagamentos previstos para novembro e dezembro.
O ponto de atenção é o preço. A cotação já está no topo da faixa de alvos de R$ 56 a R$ 60 de Santander, BTG e Safra, o que deixa a tese mais dependente de o Brent se manter acima de US$ 100. O petróleo caro também aumenta a pressão sobre a política de preços, risco de estatal.
Um gráfico semanal em tendência de alta, com fechamento na máxima e momentum no nível mais forte do ciclo.

A penúltima candle, referente à semana de 13 a 16 de outubro, abriu em R$ 55,65, marcou mínima de R$ 55,58, tocou R$ 59,68 e fechou exatamente na máxima, alta de 6,57%. É um corpo branco longo sem sombra superior, o que indica que o comprador terminou a semana no controle. O preço opera muito acima da média de 200 períodos, em R$ 35,59, com SAR em R$ 48,62, e o MACD em 4,03 contra linha de sinal em 2,53, com histograma em expansão, é a leitura de momentum mais forte das três, mas também a mais esticada. Resistência na máxima de R$ 59,68. Suportes em R$ 56,00 e R$ 55,58. A última candle, ainda em formação, recua 2,82%, para R$ 58,00, primeiro sinal de realização.
Embraer (EMBJ3): Recuperação Parcial Depois do Tombo
A alta de 2,74% não muda a leitura do mês, mas interrompe a queda: na semana anterior, a ação tinha perdido 9,2%, de R$ 98,25 para R$ 89,21. O ganho concentrou-se em dois pregões. Na terça-feira, dia em que a companhia apresentou a tese a investidores num evento da XP, o papel subiu 2,01%. Na quinta-feira, avançou 2,70%, com o anúncio de que a Portugália Airlines voltou ao Pool Program de componentes para os seus 19 E-Jets.
No 2T26, a receita foi recorde para o período, R$ 11,3 bilhões, alta de 10%, e o EBIT ajustado somou R$ 1,5 bilhão, com margem de 13,4%. Parte desse número é extraordinária: sem o crédito tributário e o efeito das tarifas americanas, a margem teria sido de 10,6%. A companhia elevou a projeção de margem EBIT de 2026 para 10% a 10,6% e a de fluxo de caixa livre para pelo menos US$ 400 milhões. A carteira de pedidos chegou a US$ 34,5 bilhões, e no 3T26 foram entregues 66 aeronaves, alta de 6%.
A cerca de 29 vezes lucro, o valuation é o mais exigente das três. A XP mantém compra, com alvo de R$ 116, o que deixa cerca de 27% de potencial.
Um gráfico semanal ainda em correção, com uma candle de pausa depois da forte queda da semana anterior.

A penúltima candle, referente à semana de 13 a 16 de outubro, abriu em R$ 89,31, marcou mínima de R$ 88,30 na quinta-feira, tocou R$ 93,00 na sexta-feira e fechou em R$ 91,65, alta de 2,74%. O corpo branco é curto e há sombras dos dois lados, desenho de indecisão: o comprador apareceu na região de R$ 88, mas não conseguiu sustentar a máxima. A candle fica dentro da amplitude da semana anterior e ainda não reverte a queda. O preço segue muito acima da média de 200 períodos, mas o MACD perdeu força e aproxima-se da linha de sinal, sem confirmação de nova perna de alta. Resistência em R$ 93,00 e, acima, em R$ 98,25. Suportes em R$ 88,30 e R$ 88,12, mínima da semana anterior. A última candle, ainda em formação, opera perto de R$ 92.
Conclusão
Numa semana em que o índice caiu quase 2%, as três líderes subiram por motivos diferentes. A PRIO é o caso de alavancagem: a maior alta, com produção em máxima e custos em queda, mas a mais exposta a um recuo do Brent. A Petrobras é o caso de escala: fundamentos robustos, recorde de valor de mercado e proventos, num preço que já encosta nos alvos de consenso e num gráfico esticado. A Embraer é o caso de qualidade em correção: carteira de pedidos e serviços a sustentar a tese, mas um gráfico que ainda não confirmou a retomada.
Enquanto o semanal respeitar R$ 63,72 em PRIO3, R$ 55,58 em PETR4 e R$ 88,12 em EMBJ3, as três teses seguem vivas; a perda desses pisos é que exigiria novo ponto de entrada. Vale a distinção final: maior alta da semana não é sinônimo de melhor investimento, e nada aqui constitui recomendação personalizada.
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