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BRL/USD: Real Brasileiro Busca Estabilidade entre Pressões Eleitorais e Financeira

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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Conclusão executiva

O cenário central é de consolidação volátil, com o BRL/USD oscilando sobretudo entre 0,1950 e 0,2010, centro de gravidade em 0,1970 a 0,1990 e fechamento de sexta-feira mais provável entre 0,1965 e 0,1995. O viés é neutro a levemente favorável ao real, com convicção moderada: carry, fluxo e técnico semanal sustentam a moeda; pesquisas apertadas para o segundo turno de 25 de outubro e yields americanos acima de 5% pesam do outro lado.

É uma semana de reprecificação eleitoral. O BRL/USD saltou de cerca de 0,1915 para perto de 0,2005 após o primeiro turno, devolveu parte do ganho entre 12 e 16 de outubro (fechamento em 0,1966) e negocia agora perto de 0,1981 (+0,76%).

Atribuímos 50% ao cenário de consolidação, 25% a um real mais forte, com rompimento de 0,2005 e alvo em 0,2030, e 25% a um real mais fraco, com perda de 0,1960 e alvo em 0,1920.

Extensões acima de 0,2045 ou abaixo de 0,1894 exigiriam uma combinação de choques.

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Real brasileiro isoladamente

O que está sustentando o real

O suporte estrutural é o diferencial de juros: Selic em 13,75% contra Fed Funds em 3,75% a 4,00%, perto de 10 pontos percentuais. O Focus de 19 de outubro manteve a Selic de fim de 2026 em 13,25%, cortes graduais que não eliminam o carry.

O segundo é o fluxo. Após saída líquida de US$ 5,09 bilhões em setembro, entraram US$ 3,214 bilhões em outubro até o dia 9, sendo US$ 4,087 bilhões pelo canal financeiro; no ano, o saldo é de US$ 13,916 bilhões. O dado de quarta-feira mostrará se o fluxo resistiu à semana de devolução.

O petróleo tem sinal duplo. O Brent voltou para perto de US$ 110, maior nível desde maio, após ataques reivindicados pelos houthis contra instalações sauditas: melhora os termos de troca do Brasil, mas alimenta inflação e yields americanos.

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Eleição e prêmio fiscal

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,0% dos votos válidos e Lula 45,2%; o mercado leu o resultado como maior probabilidade de política fiscal mais restritiva, e o real valorizou cerca de 4% no dia seguinte.

Desde então, a vantagem estreitou: o Datafolha passou de 49% a 45% para 47% a 45%, a Quaest mostrou 46% a 44%, e na segunda-feira BTG/Nexus (46,5% a 45,9%) e AtlasIntel (49,8% a 47,6%) confirmaram a disputa apertada. Isso explica o recuo do BRL/USD de 0,2005 para 0,1966.

A narrativa fiscal carece de medidas detalhadas. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto (78,6% no fim de 2025) e o déficit nominal em 12 meses a 9,48% do PIB. Qualquer resultado só terá efeito duradouro se vier com equipe econômica crível e metas quantificadas.

Atividade e inflação

A economia desacelera sem contração: o IBC-Br subiu 0,3% em agosto e o Focus cortou o PIB de 2026 para 1,83%. O IPCA de setembro subiu 0,82%, acima dos 0,73% esperados, levando o acumulado em 12 meses a 4,58%, acima do teto de 4,5%; o Focus projeta 5,22% para 2026. A mediana de câmbio do Focus para o fim do ano, convertida, subiu de 0,1942 para 0,1949, ainda abaixo do preço atual.

O evento decisivo é o IPCA-15 de outubro, na sexta-feira, cuja coleta (16 de setembro a 14 de outubro) captura parte do choque de energia. Uma leitura moderada é o melhor resultado para o real; uma leitura alta preserva o carry, mas pode elevar o prêmio de risco.

Balanço do real

Driver

Sinal para o real

Força nesta semana

Carry Selic x Fed
Positivo
Forte
Fluxo financeiro pós-eleição
Positivo
Forte, mas reversível
Expectativa de consolidação fiscal
Positivo
Forte e parcialmente no preço
Dívida e déficit nominal
Negativo
Estrutural
Pesquisas mais apertadas
Negativo
Muito forte no horizonte semanal
IPCA-15
Depende da surpresa
Forte na sexta-feira

Dólar americano isoladamente

O Fed elevou os juros em 16 de setembro para 3,75% a 4,00%, a primeira alta desde julho de 2023, e a mediana dos dirigentes aponta 4,1% no fim de 2026. O CPI de setembro acelerou para 3,7% ao ano, com núcleo de 2,6%.

Ainda assim, o CME FedWatch indica cerca de 82% de chance de manutenção em 28 de outubro, com a alta esperada deslocada para dezembro. O yield de 10 anos caiu de 5,244% para 5,098% na semana passada, mas voltou a 5,14% na segunda-feira, puxado pelo petróleo. Com o Fed em período de silêncio, a curva responde a dados e ao apetite por risco, abalado pela queda de 11,41% dos semicondutores na semana passada.

DXY

Gráfico 1 - U.S. Dollar Index (DXY), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / TVC. 19 a 23 outubro 2026

Gráfico 1 - U.S. Dollar Index (DXY), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / TVC.

A penúltima vela (12 a 16 de outubro) é a mais relevante: o DXY marcou máxima de 102,94, topo de 52 semanas, acima da média de 200 semanas (102,12), mas fechou perto de 101,8. A sombra superior longa sinaliza rejeição na MM200, na primeira perda semanal em mais de um mês (-0,35%). A vela atual é pequena (101,85, +0,07%) e segue dentro da zona destacada, entre cerca de 100,7 e 102,0.

O médio prazo segue altista, com SAR (99,30) abaixo do preço e MACD (0,591) acima do sinal (0,393), mas sem fechamento acima de 102,12 a recuperação fica em pausa.

DXY

Leitura

102,94
Máxima de 52 semanas
102,12
MM200 semanal; resistência que rejeitou o preço
101,8 a 102,0
Topo da zona destacada / preço atual
101,58
Mínima de 16 de outubro; suporte imediato
100,7
Base da zona destacada
99,30
Parabolic SAR semanal

Cenário-base para o DXY: 101,2 a 102,6, com fechamento provável entre 101,5 e 102,2.

Conjugação BRL e USD

O DXY, muito ponderado pelo euro, não explica sozinho o BRL/USD; nesta semana, uma pesquisa eleitoral pode superar uma oscilação moderada do índice.

Real

DXY

Resultado provável no BRL/USD

Forte
Fraco, abaixo de 101,5
Rompe 0,2005; testes de 0,2017 e 0,2045
Forte
Estável
0,1980 a 0,2010
Neutro
Estável
Consolidação entre 0,1960 e 0,1995
Fraco
Forte, acima de 102,6
Perde 0,1960; 0,1916 a 0,1930 torna-se provável
Muito fraco
Forte
Risco de cauda para 0,1894 a 0,1909

A combinação mais provável é real firme com ganhos limitados e DXY estável. Uma virada eleitoral com DXY acima de 102,6 invalidaria o cenário-base.

Análise Técnica BRL/USD

Gráfico 2 - Brazilian Real / U.S. Dollar (BRL/USD), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / ICE. 19 a 23 Outubro 2026

Gráfico 2 - Brazilian Real / U.S. Dollar (BRL/USD), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / ICE.

A penúltima vela (12 a 16 de outubro) é de baixa: o par recuou de perto de 0,2005 para 0,1966, com mínima em torno de 0,1960, devolvendo menos da metade da alta pós-eleitoral e voltando ao corredor de junho a setembro (cerca de 0,1910 a 0,1985). A vela atual abriu na mínima (0,1966) e negocia em 0,1981: compradores defenderam o fundo.

A estrutura semanal segue construtiva para o real: preço acima da MM200 (0,1894), SAR (0,1909) abaixo do preço e MACD (0,0008) recém-cruzado acima do sinal (0,0007). O momentum voltou, mas é frágil.

Nível BRL/USD

Função

0,2040 a 0,2047
Máximas de 2026 / topo de 52 semanas
0,2005 a 0,2017
Máximas pós-primeiro turno
0,1990 a 0,2000
Resistência imediata e barreira psicológica
0,1966 a 0,1985
Zona de equilíbrio atual
0,1960
Mínima da penúltima vela; suporte imediato
0,1945 a 0,1950
Meio do corredor / mediana Focus convertida
0,1909 a 0,1916
SAR semanal e base pré-eleitoral
0,1894
MM200 semanal

Um fechamento diário acima de 0,2005 muda o viés para alta do real; abaixo de 0,1960, com DXY acima de 102,6, é o sinal de baixa mais limpo.

Agenda da semana

Dia

Evento

Canal cambial

Segunda, 19
Focus; IGP-10 (1,76%)
Expectativas de Selic e inflação
Terça, 20
Construção de casas nos EUA; novas pesquisas eleitorais
Yields e DXY; prêmio eleitoral
Quarta, 21
Fluxo cambial do Banco Central
Fluxos financeiro e comercial
Quinta, 22
Pedidos de seguro-desemprego nos EUA
Yields e DXY
Sexta, 23
IPCA-15; PMIs prévios dos EUA; debate final na TV Globo (21h20)
Dia de maior risco
Domingo, 25
Segundo turno
Risco de gap na abertura de segunda-feira

Na sexta-feira, IPCA-15 moderado e PMIs fracos favorecem o real; o contrário favorece o dólar. O debate, após o fechamento, aumenta a chance de redução de posições.

Plano de monitoramento

  • Confirmação do cenário-base: DXY entre 101,2 e 102,6; BRL/USD defende 0,1960 e não fecha acima de 0,2005.

  • Sinal pró-real: pesquisas favoráveis ao candidato preferido pelo mercado e fechamento acima de 0,2005.

  • Sinal pró-dólar: DXY retoma a MM200 e fecha acima de 102,6, com BRL/USD abaixo de 0,1960.

  • Invalidação do cenário-base: dois fechamentos diários fora de 0,1950 a 0,2010 ou mudança no favorito implícito da eleição.

  • Risco de execução: validar os níveis no feed da corretora, pois spreads aumentam fora do horário brasileiro.

Este forecast é uma análise de cenários macroeconômicos e técnicos, não uma recomendação de investimento. Com um evento eleitoral binário no domingo, o tamanho da posição e o risco de gap importam mais do que qualquer alvo pontual.

Gráfico em tempo real do par USD/BRL

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Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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