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BRL/USD - Weekly Forecast, 26 a 30 de outubro de 2026

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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Visão executiva

O cenário-base para o restante da semana é de consolidação muito volátil do BRL/USD entre 0,1800 e 0,1890, com fechamento de sexta-feira mais provável entre 0,1825 e 0,1870. O viés segue assimétrico para baixo no par, isto é, contra o real: o choque eleitoral e a incerteza fiscal brasileira dominam um DXY que, embora firme, não é o motor principal do movimento.

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A previsão parte dos dados disponíveis na manhã de terça-feira, 27 de outubro. O BRL/USD abriu a semana em 0,2010, chegou a 0,1788 na mínima e negocia perto de 0,1843 a 0,1861, contra 0,2009 no fechamento de sexta-feira. A vela semanal acumula queda de cerca de 8,3%; a dimensão do movimento confirma uma mudança de regime e de prêmio de risco, não uma oscilação macro normal.

Cenário

Prob.

Intervalo semanal

Fechamento provável

Condição dominante

Consolidação pós-choque
45%
0,1800-0,1890
0,1825-0,1870
Sinal fiscal incompleto, sem escalada institucional; Fed mantém juros
Estresse prolongado
35%
0,1700-0,1830
0,1720-0,1800
Ausência de âncora fiscal ou equipe econômica crível, saída de estrangeiros e/ou Fed hawkish
Alívio forte
20%
0,1850-0,1940
0,1870-0,1910
Equipe econômica ortodoxa, compromisso fiscal e atuação convincente do BCB

Convicção: moderada a baixa quanto ao nível exato, elevada quanto à volatilidade. O choque de segunda-feira tornou obsoletos os intervalos construídos antes da eleição e elevou o risco de gaps e de rompimentos rápidos de níveis técnicos.

Primeiro: O Real

O que movia o BRL

Antes do segundo turno, o real se apoiava em três fatores: juros nominais muito elevados, exportações fortes de commodities e a expectativa de uma mudança política mais favorável ao ajuste fiscal. Após o primeiro turno, em 4 de outubro, quando Flávio Bolsonaro terminou à frente, o BRL/USD saltou de cerca de 0,1918 para 0,2002 em uma única sessão.

O carry seguia favorável. Em setembro, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto, para 13,75%, o quinto corte consecutivo, mantendo diferencial de quase 10 pontos percentuais em relação ao teto dos Fed funds, em 4,00%. Esse diferencial atraía posições compradas em real, mas também deixava a moeda vulnerável a uma liquidação violenta caso a tese política falhasse.

Sua experiência de negociação do real brasileiro com a FP Markets, de 26 a 30 de outubro de 2026

O choque eleitoral

Lula foi reeleito no domingo, 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o TSE. O mercado estava posicionado para o resultado oposto.

A reação foi imediata: o real recuou cerca de 8% a 10% na segunda-feira e o Ibovespa caiu perto de 14%. O ponto central é que a venda não reflete apenas preferência partidária. O mercado reprecifica ao mesmo tempo trajetória da dívida, composição da equipe econômica, governabilidade no Congresso e velocidade do ajuste fiscal.

Política monetária brasileira

A inflação limita a margem do BCB. O IPCA acumulado segue acima do teto de 4,5% da meta, e o Focus projetava IPCA de cerca de 5,2% para 2026. Antes da eleição, o mercado esperava corte para 13,50% na reunião de 3 e 4 de novembro. Com o real mais fraco, cresce a probabilidade de pausa do Copom, já que novos cortes poderiam ampliar a depreciação e o repasse cambial.

Uma pausa seria marginalmente positiva para o BRL, ao preservar o carry, mas não resolve o problema fiscal. Intervenções via swaps ou leilões podem reduzir disfuncionalidades, não reverter uma reprecificação baseada em credibilidade.

Balanço do BRL

Força sobre o real

Direção

Intensidade semanal

Surpresa eleitoral e desmonte de posições compradas em real
Negativa
Muito alta
Dúvidas fiscais e dívida elevada
Negativa
Muito alta
Ruído institucional pós-eleição
Negativa
Média a alta
Selic a 13,75% e possível pausa
Positiva
Média
Balança comercial e commodities
Positiva
Média
Possível intervenção do BCB
Positiva no curto prazo
Média, mas temporária

Segundo: o Dólar

O que move o USD

O dólar chega à semana apoiado por inflação americana ainda elevada e por um Fed que voltou a subir juros em 16 de setembro, para 3,75%-4,00%, a primeira alta desde 2023. O CPI de setembro acelerou para 3,7% em 12 meses e o núcleo para 2,6%, acima das leituras anteriores.

Ainda assim, a manutenção na quarta-feira, 28 de outubro, é amplamente esperada: em 22 de outubro, o CME FedWatch atribuía cerca de 90% de chance de juros inalterados. O mercado projeta nova alta em 9 de dezembro. O efeito sobre o dólar dependerá menos da decisão e mais da comunicação de Kevin Warsh sobre dezembro.

Catalisadores americanos

  • Fed hawkish e dados acima do consenso: DXY rompe resistências e amplia a pressão sobre o BRL/USD.

  • Manutenção com tom firme e dados em linha: impacto limitado; o BRL/USD segue guiado pelo Brasil.

  • Fed dovish e PCE fraco: DXY recua, abrindo espaço para recuperação parcial do BRL/USD, sem eliminar o prêmio eleitoral.

Terceiro: DXY

DXY semanal 26 a 30 outubro 2026

Gráfico 1 - DXY, semanal (TradingView)

No gráfico semanal, o DXY negocia em 102,25 (+0,49% na semana), com máxima de 102,29 e mínima de 101,58. O índice está ligeiramente acima da média móvel de 200 semanas (102,12), que rompeu no início de outubro, e acima da zona de resistência histórica de 100,7-102,1 (faixa sombreada), agora convertida em suporte. O Parabolic SAR em 99,59, abaixo do preço, mantém sinal de alta, e o MACD semanal (0,649 contra sinal de 0,443, histograma +0,206) segue positivo e em expansão.

O limite é a máxima de meados de outubro, perto de 102,9-103,0, que rejeitou o preço. A estrutura de médio prazo é construtiva, mas o índice ainda precisa confirmar fechamento semanal acima da MM200.

Nível DXY

Leitura

102,90-103,00
Resistência decisiva; rompimento valida nova perna de alta
102,10-102,30
Pivot imediato e MM200 semanal
101,60
Mínima da semana; primeiro suporte
100,70-101,00
Base da antiga resistência, agora suporte
99,60
Parabolic SAR; perda inverte o sinal de tendência

Cenário-base do DXY para a semana: 101,6-103,0, com viés neutro a ligeiramente positivo enquanto se mantiver acima da MM200.

Finalmente: BRL/USD

Interação das duas pernas

A queda de cerca de 8% do BRL/USD ocorreu com um DXY subindo menos de 0,5% na semana. O movimento veio quase todo da perna BRL: alta do prêmio de risco doméstico e liquidação de posições. Uma queda do DXY pode apenas amortecer o choque; para o par voltar rapidamente a 0,1950-0,2000 seria necessária a combinação de dólar global fraco e sinal fiscal brasileiro crível.

Análise Técnica Semanal

Gráfico 2 - BRL/USD, semanal (TradingView) 26 a 30 outubro 2026

Gráfico 2 - BRL/USD, semanal (TradingView)

A vela semanal abriu em 0,2010 e fechou provisoriamente em 0,1843 (-8,31%), com sombra inferior longa até 0,1788, praticamente na mínima de 52 semanas (0,1783, dezembro de 2025). O par perdeu de uma só vez a MM200 semanal (0,1894) e todo o suporte de 0,1910-0,1920 que sustentou o ano. O Parabolic SAR saltou para 0,2017, acima do preço, invertendo o sinal para baixa, e o MACD (0,0001 contra sinal de 0,0006, histograma -0,0005) cruzou para negativo.

A sombra inferior indica absorção compradora perto de 0,1790, mas uma vela dessa amplitude aumenta o risco de reversões bruscas. Indicadores baseados em fechamentos passados ainda não incorporam a descontinuidade; o comportamento do preço em 0,1790, 0,1850 e 0,1894 é a informação mais útil.

Zona BRL/USD

Função atual

Interpretação

0,2000-0,2017
Origem do movimento e SAR
Retorno nesta semana exige reversão fundamental excepcional
0,1910-0,1920
Antigo suporte do ano
Agora resistência estrutural
0,1894
MM200 semanal
Recuperação acima reduz o estresse
0,1850-0,1860
Pivot intrassemanal
Centro provável da negociação
0,1820
Suporte intermediário
Perda reabre a mínima
0,1783-0,1790
Mínima da semana e de 52 semanas
Fechamento abaixo confirma continuação
0,1740 / 0,1670
Alvos de estresse
Extensão se falhar a estabilização fiscal

Caminho provável

Segunda-feira: capitulação e formação do intervalo inicial entre 0,1788 e 0,2010.

Terça-feira: tentativa de estabilização (par perto de 0,1860), dependente de sinais sobre equipe econômica e orçamento.

Quarta-feira: Fed deve manter 3,75%-4,00%; tom paciente alivia o real, sinalização clara de alta em dezembro pesa.

Quinta e sexta-feira: PIB e PCE nos EUA e dados fiscais e de emprego no Brasil. Deterioração fiscal acima do esperado seria o gatilho mais perigoso para teste de 0,1740.

Gatilhos Decisivos

Para vender BRL/USD

  • Fechamento diário abaixo de 0,1785.

  • Ausência de anúncio de equipe econômica ou compromisso fiscal.

  • Contestação institucional prolongada.

  • Fed mais hawkish e DXY acima de 103,0.

Para comprar BRL/USD

  • Defesa de 0,1790 seguida de recuperação de 0,1894.

  • Equipe econômica vista como fiscalmente crível e metas quantificadas.

  • Pausa do Copom com comunicação firme e atuação do BCB.

  • Fed dovish, PCE abaixo do esperado e DXY abaixo de 101,6.

Invalidação

O cenário-base fica invalidado para baixo com fechamento diário abaixo de 0,1740, sobretudo com DXY acima de 103,0; nesse caso, 0,1670 vira o alvo dominante. Fica invalidado para cima com fechamento acima de 0,1894 após uma mensagem fiscal crível; nesse caso, 0,1920 e depois 0,2000 passam a ser os objetivos.

A leitura central da semana: o dólar global é um amplificador, não o motor. Sem redução do prêmio fiscal e político brasileiro, o BRL/USD tende a permanecer bem abaixo do intervalo pré-eleitoral, mesmo com o Fed em pausa.

Gráfico en Tempo Real do BRL/USD

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Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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