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BRL/USD: O Real Defende os 0,20 à Espera do CPI Americano e das Pesquisas

De Frederico Aragão Morais Frederico A.
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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Escrevo na terça-feira, 13 de outubro, com o BRL/USD acomodado na região de 0,20 depois da semana mais forte do ano para o real. O par fechou a sexta-feira, 9, perto de 0,2005, com valorização de cerca de 4,6% na semana, e opera hoje entre 0,2001 e 0,2008, conforme o provedor. Para o fechamento de sexta-feira, trabalho com faixa central entre 0,1975 e 0,2030 e ponto de gravidade entre 0,1990 e 0,2015. Depois do choque eleitoral, esta é uma semana de consolidação: a direção de curto prazo depende do CPI americano, na quarta-feira, e das novas pesquisas de segundo turno. A convicção é moderada.

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Onde o Par está No Início da Semana

A PTAX, convertida em dólares por real, resume o movimento: 0,1915 na sexta-feira, 2 de outubro, e 0,2005 na sexta-feira, 9. O caminho não foi linear. Depois do salto de segunda-feira, o real devolveu parte do ganho na quarta e na quinta, com fechamentos perto de 0,1992, e voltou a 0,2005 na sexta, após as primeiras pesquisas de segundo turno confirmarem a vantagem de Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira, 12, feriado no Brasil e sem Treasuries nos Estados Unidos, a liquidez foi mínima e as cotações devem ser lidas com cautela.

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O que Move o Real, do Lado Brasileiro

O vetor dominante continua político e fiscal. As pesquisas de segundo turno mantêm Flávio à frente: o Datafolha, feito em 6 e 7 de outubro, mostra 52% a 48% dos votos válidos, no limite da margem de erro; a AtlasIntel/Bloomberg, de 3 a 8 de outubro, registra 52,8% a 47,2%; o PoderData aponta 53% a 47%. O Instituto Vox destoa e mostra Lula numericamente à frente, em empate técnico. Hoje saem novas rodadas de BTG/Nexus, Futura, GERP e PoderData. Para o câmbio, importa a distância: vantagem estável sustenta os 0,20; estreitamento devolve prêmio fiscal.

O ponto de partida fiscal segue frágil, com dívida bruta de 82,9% do PIB em agosto. A campanha de Flávio fala em corte de despesas, mas ainda sem medidas detalhadas nem equipe econômica anunciada. Boa parte da tese pró-real já está no preço.

Na inflação, o IPCA de setembro subiu 0,82%, acima da mediana de 0,73% das projeções. Em 12 meses, o índice foi a 4,58% e voltou a superar o teto da meta, de 4,5%, puxado pela energia elétrica, que subiu 7,98% com o fim do Bônus de Itaipu. Para o real, o efeito é ambíguo: inflação mais alta reduz o espaço para cortes e preserva o carry, com a Selic em 13,75% e juro real perto de 9%, mas reforça o desconforto com as expectativas. No último Focus, de 5 de outubro, a mediana do IPCA de 2026 estava em 5,01%, e a da Selic de fim de ano, em 13,50%. A balança comercial teve superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro.

O que Move o Dólar, do Lado Americano

O Fed elevou os juros em setembro para a faixa de 3,75% a 4,00%, primeira alta em cerca de três anos. O payroll de setembro, com apenas 29 mil vagas e desemprego em 4,2%, derrubou para perto de 20% a chance de nova alta já em 27 e 28 de outubro. Waller indicou que novas altas não precisam ser em reuniões consecutivas, o que desloca o foco para dezembro.

O CPI de setembro, nesta quarta-feira, é o teste da semana. O consenso aponta alta de 0,6% no mês e 3,6% em 12 meses no índice cheio, contra 3,4% em agosto, e 0,2% no mês e 2,5% em 12 meses no núcleo. A aceleração vem da energia, com o Brent perto de US$ 100. O mercado deve olhar para o núcleo: um núcleo de 0,2% permite ao Fed relevar a energia; um núcleo de 0,3% ou mais recoloca a alta de outubro na mesa e fortalece o dólar.

O Termômetro do Dólar Global: DXY

Gráfico 1 - U.S. Dollar Index (DXY), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / TVC. 13/10/2026

Gráfico 1 - U.S. Dollar Index (DXY), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / TVC.

O índice abriu a semana em 102,303, oscilou entre 102,100 e 102,607 e opera em 102,275, alta de 0,04%, depois de quatro semanas seguidas de ganhos. A máxima de 102,607 já superou os 102,54 da semana passada e é o maior nível desde abril de 2025. O dado técnico mais relevante é o reteste: a mínima da semana, em 102,100, tocou exatamente a média longa, em 102,137, e o topo da antiga zona de resistência, que agora funciona como suporte. O Parabolic SAR, em 98,984, segue bem abaixo do preço, e o MACD amplia o momentum altista, com a linha em 0,583 acima do sinal em 0,351 e histograma de 0,232, acima dos 0,188 da semana anterior. A vela da semana tem corpo pequeno, sinal de indecisão antes do CPI. Suporte em 102,10 e depois 101,75 a 101,65; resistência em 102,61 e depois 102,85 a 103,00. O real sustentou os 0,20 com o DXY na máxima desde abril de 2025: o movimento é idiossincrático.

O Mapa Técnico do BRL/USD no Semanal

Gráfico 2 - Brazilian Real / U.S. Dollar (BRL/USD), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / ICE. 13/10/2026

Gráfico 2 - Brazilian Real / U.S. Dollar (BRL/USD), timeframe semanal (1W). Fonte: TradingView / ICE.

A vela de 5 a 9 de outubro do USD/BRL abriu em 0,1909, tocou 0,2017 e fechou perto de 0,2005, rompendo de uma vez o intervalo de 0,1910 a 0,1975 que vinha desde junho. O par está bem acima da média longa, perto de 0,1895, e o Parabolic SAR, perto de 0,191, segue abaixo do preço, o que sustenta o viés pró-real. O cruzamento altista do MACD, que estava pendente, confirmou-se no fechamento de sexta-feira, o primeiro desde maio, com o histograma de volta ao campo positivo, ainda pequeno. A vela desta semana, por ora estreita e em torno de 0,2001, mostra consolidação logo abaixo da máxima de 0,2017, onde a sombra superior da semana passada revelou venda.

As Balizas que Interessam Seguir

Do lado do real forte, a primeira barreira é a máxima da semana passada, em 0,2017, seguida da máxima de fechamento do ano, em 0,2038, registrada em 11 de maio, e da máxima de 52 semanas, perto de 0,2047. Um fechamento semanal acima de 0,2038 abriria nova perna de alta. Do lado contrário, a primeira defesa está no redondo 0,2000, depois em 0,1992, mínima dos fechamentos de quarta e quinta da semana passada, e em 0,1975, antigo teto do intervalo. Um fechamento semanal abaixo de 0,1975 indicaria devolução parcial relevante do choque eleitoral; abaixo de 0,1958, a leitura passa a ser de reversão.

Três Desfechos Possíveis para 12 a 16 de Outubro

No trilho mais provável, ao qual atribuo em torno de 50% de probabilidade, o par consolida entre 0,1975 e 0,2030. O CPI sai perto do consenso, com núcleo de 0,2%, as pesquisas mantêm Flávio à frente por 4 a 6 pontos nos votos válidos e os dados domésticos de atividade não surpreendem. Nesse enredo, o fechamento vem entre 0,1990 e 0,2015.

Num roteiro mais amigo do real, com cerca de 25% de chance, o núcleo do CPI vem abaixo do esperado, o DXY perde 102,10 em direção a 101,75 e as novas pesquisas ampliam a vantagem de Flávio. O par rompe 0,2017 e testa 0,2038, com fechamento entre 0,2025 e 0,2050.

No enredo oposto, com os 25% restantes, o núcleo vem em 0,3% ou mais, o DXY rompe 102,61 rumo a 102,85 a 103,00, ou uma pesquisa mostra Lula encurtando a distância. A realização de lucros levaria o par de volta a 0,1958 a 0,1975, com fechamento provável entre 0,1955 e 0,1985.

A Agenda que Decide o Resto da Semana

Hoje saem o Boletim Focus, adiado pelo feriado, e as pesquisas eleitorais. A quarta-feira concentra o CPI americano, às 9h30 de Brasília, o Livro Bege do Fed e o volume de serviços de agosto no Brasil. Na quinta, saem as vendas do varejo brasileiro de agosto e, nos Estados Unidos, o PPI, o varejo e os pedidos de seguro-desemprego. A sexta-feira traz o IBC-Br de agosto, depois da queda de 0,2% em julho, e a produção industrial americana. As pesquisas tendem a pesar mais no par do que os dados de atividade.

A Síntese da Semana

Fecho com o veredito ajustado ao pulso do mercado: o real consolidou o choque eleitoral e defende os 0,20 mesmo com o DXY na máxima desde abril de 2025. O carry segue a ancorar o par, mas o ganho do real depende de pesquisas que ainda podem oscilar e de um programa fiscal que ainda não foi detalhado. A tradução prática é viés pró-real com gestão de risco: fechamento acima de 0,2038 abriria nova perna de alta; fechamento abaixo de 0,1975 sinalizaria devolução relevante do movimento eleitoral. Esta é uma análise de mercado de curto prazo, e não uma recomendação individual de investimento ou de cobertura cambial.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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