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As Três Ações que Melhor se Comportaram na Bolsa Brasileira Nesta Semana: Embraer, B3 e Axia Energia

De Frederico Aragão Morais
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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A semana de 21 a 25 de setembro de 2026 foi negativa para o índice: o Ibovespa fechou a sexta-feira em queda de 0,27% e acumulou perda de 0,95% no período. Dentro da carteira acompanhada, de dez papéis, apenas três subiram, e cada um por um motor próprio: a Embraer (EMBJ3), reprecificação de uma companhia com carteira recorde e guidance elevado; a B3 (B3SA3), volumes de negociação em máximas históricas; e a Axia Energia (AXIA3), a antiga Eletrobras, devolução acelerada de capital via resgate de preferenciais classe C. O filtro é o de sempre: as maiores valorizações do período, de fechamento a fechamento, com os fundamentos a sustentar a história e o gráfico semanal a confirmar, ou não, a tendência.

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Duas notas de nomenclatura antes de começar. A Embraer deixou de negociar como EMBR3 e passou a EMBJ3 na B3 a 3 de novembro de 2025, com os ADSs a mudarem de ERJ para EMBJ na NYSE, numa unificação de identidade global que não alterou direitos nem quantidade de ações. E a Eletrobras passou a chamar-se e a negociar como Axia Energia (AXIA3), com as preferenciais classe C sob o código AXIA7.

Posição
Ticker
Fech. 18/09
Fech. 25/09
Semana
1
EMBJ3
R$ 97,08
R$ 101,52
+4,57%
2
B3SA3
R$ 17,59
R$ 17,96
+2,10%
3
AXIA3
R$ 53,80
R$ 54,55
+1,39%
4
ITUB4
R$ 42,33
R$ 42,13
-0,47%
5
BBDC4
R$ 17,99
R$ 17,88
-0,61%
6
PETR4
R$ 48,50
R$ 48,07
-0,89%
7
SBSP3
R$ 27,31
R$ 26,93
-1,39%
8
VALE3
R$ 73,37
R$ 70,77
-3,54%
9
PRIO3
R$ 63,24
R$ 59,35
-6,15%
10
BBAS3
R$ 23,20
R$ 21,59
-6,94%

Embraer (EMBJ3): Backlog Recorde e Guidance Elevado

A Embraer é a terceira maior fabricante de aviões do mundo e vive o melhor momento comercial desde a pandemia, com entregas em recuperação ano após ano. No segundo trimestre, a receita somou R$ 11,3 bilhões, alta de 10% em reais e de 23% em dólares, com EBIT ajustado de R$ 1,5 bilhão, margem de 13,4%, e lucro líquido ajustado de R$ 1,1 bilhão. Foram 65 aeronaves entregues no trimestre, o melhor segundo trimestre em 16 anos, e 109 no semestre, cerca de 20% acima de 2025. O backlog atingiu o recorde de US$ 34,5 bilhões, sétimo máximo trimestral consecutivo, com Defesa a crescer 42% em doze meses.

O que sustenta a tese é a conversão disso em margem. Após o resultado, a companhia elevou o guidance de margem EBIT ajustada de 8,7%-9,3% para 10,0%-10,6% e duplicou o piso de fluxo de caixa livre ajustado sem Eve, de US$ 200 milhões para US$ 400 milhões, mantendo o plano de 80-85 jatos comerciais e 160-170 executivos em 2026. O catalisador da própria semana veio na sexta-feira, com a XP a reiterar compra e preço-alvo de R$ 116 para o fim de 2027, apoiada em crescimento de entregas até 2030 sem novo ciclo pesado de capex. A atribuição deve ser cautelosa: o relatório ajuda a explicar a aceleração do último pregão, mas a alta semanal é continuidade de uma reprecificação que já dura meses.

O preço é o risco. Com P/L próximo de 31 vezes e EV/EBITDA de 12 vezes, o papel exige execução industrial impecável, cadeia de suprimentos sincronizada e ausência de surpresas tarifárias ou cambiais para justificar o prémio.

Um gráfico semanal em tendência de alta madura, que rompe a consolidação de setembro e fecha praticamente na máxima da semana, com MACD acima da linha de sinal e SAR bem abaixo do preço.

Gráfico semanal EMBJ3 28/09/2026 a 02/10/2026

A candle da semana abriu em R$ 97,45, recuou até R$ 95,45 e fechou em R$ 101,52, perto da máxima de R$ 102,05, alta de 4,57% e corpo branco longo sem sombra superior relevante. O preço opera muito acima da média longa, em R$ 51,14, com SAR em R$ 92,89 e MACD em 4,76 contra linha de sinal em 3,04, histograma positivo, a leitura de momentum mais forte das três. A ressalva é a proximidade da máxima histórica de R$ 105,50, a apenas 3,8% do fechamento: a zona de R$ 102-105,50 é onde se decide entre rompimento e exaustão. Suportes em R$ 95,45 e R$ 92,89.

B3 (B3SA3): Volumes em Recorde e Assimetria mais Estreita

A B3 é a infraestrutura do mercado de capitais brasileiro e combina receitas pró-cíclicas de negociação com receitas recorrentes de registo, dados e tecnologia. No segundo trimestre, a receita foi de R$ 3,1 bilhões, alta de 12,2%, com lucro recorrente de cerca de R$ 1,4 bilhão, EBITDA recorrente de R$ 1,938 bilhão e margem de 70,2%. O volume financeiro médio diário de renda variável chegou a R$ 31,3 bilhões, alta de 20%, com BDRs a subirem 42% e fundos listados 74%, enquanto os derivativos recuaram 8,3%.

O dado que sustentou a semana é mais recente e mais forte. Segundo o Itaú BBA, o volume médio diário de ações passou de R$ 22,6 bilhões em julho para R$ 30,3 bilhões em agosto e R$ 32,8 bilhões em setembro até o dia 18, com a velocidade de giro a saltar de 113% para cerca de 156%. Na sexta-feira, o banco elevou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 23 e manteve compra, elevando em 2% as estimativas de lucro recorrente por ação de 2026 e 2027. A ressalva é do próprio banco: o desconto frente às bolsas globais encolheu de cerca de 40% no início de agosto para 20%, abaixo da média de 27% desde 2019, e o papel já negocia a 12,8 vezes o lucro recorrente projetado para 2027, ou 14,4 vezes excluindo benefícios extraordinários de JCP.

Há ainda um detalhe que o retorno de preço não captura: o papel ficou ex-proventos a 23 de setembro, com data-base a 22, e distribui R$ 0,226635 por ação em valores brutos, entre JCP do terceiro trimestre e JCP extraordinário, num total de R$ 1,128 bilhão a pagar em 7 de outubro. Somando esse provento, o retorno total bruto da semana aproxima-se de 3,4%, contra os 2,10% de preço usados no ranking.

Um gráfico semanal que confirma o rompimento da base de agosto e retoma a faixa de R$ 18, com MACD acima da linha zero e da linha de sinal, mas com o ajuste ex-proventos a travar o fechamento.

Gráfico semanal B3SA3 28/09/2026 a 02/10/2026

A candle abriu em R$ 17,78, marcou mínima de R$ 17,62, máxima de R$ 18,53 no início da semana e fechou em R$ 17,96, alta de 2,10%. O corpo branco com sombra superior longa é o desenho típico de rejeição na máxima, aqui contaminado pelo ajuste de R$ 0,23 do JCP a partir de quarta-feira. O preço opera muito acima da média longa, em R$ 13,18, com SAR em R$ 14,33 e MACD em 0,30 contra sinal em 0,03. Resistência clara em R$ 18,53; suportes em R$ 17,62 e R$ 14,33.

Axia Energia (AXIA3): resgates de PNC como recompra disfarçada

A Axia Energia é a antiga Eletrobras e está a deslocar o mix para transmissão regulada enquanto moderniza os ativos de geração. No segundo trimestre, a receita líquida IFRS somou R$ 11,188 bilhões, alta de 9,7%, com EBITDA ajustado de R$ 6,307 bilhões, avanço de 22,5% e margem de 56,4%, e lucro contábil de R$ 1,191 bilhão, contra prejuízo de R$ 1,325 bilhão um ano antes. A contrapartida é o capex: R$ 3,117 bilhões no trimestre, alta de 52,6%, com dívida líquida de R$ 45,461 bilhões, 1,8 vez o EBITDA ajustado, e a S&P a projetar investimentos de R$ 13 a 14 bilhões em 2026.

A semana foi movida por estrutura de capital, não por operação. A 22 de setembro, a companhia anunciou o quarto resgate de 2026, cerca de 70,7 milhões de ações AXIA7, ou 15,46% da classe, a R$ 55,15 por ação, num total próximo de R$ 3,9 bilhões, com direito para quem estivesse posicionado no fechamento de 23 de setembro e pagamento a 8 de outubro. Na sexta-feira, 25, a Axia acrescentou mais R$ 4 bilhões ao orçamento dessas operações, elevando-o para até R$ 11,7 bilhões no exercício, e foi explícita ao tratar o resgate como equivalente a uma recompra de ações dentro da política de remuneração. Duas ressalvas importam: a companhia frisou que o valor é previsão orçamentária e não obrigação de execução integral, e, nas três rodadas anteriores, muitos acionistas preferiram converter AXIA7 em AXIA3, pelo que, de mais de R$ 8 bilhões resgatados ou convertidos, o desembolso efetivo foi de cerca de R$ 3,8 bilhões.

Um gráfico semanal ainda lateral, dentro da consolidação que se arrasta desde julho, com MACD a virar por muito pouco e SAR imediatamente abaixo do preço.

Gráfico semanal AXIA3 28/09/2026 a 02/10/2026

A candle abriu em R$ 54,50, subiu até R$ 56,19, recuou a R$ 54,03 e fechou em R$ 54,55, alta de 1,39%, com sombra superior maior que o corpo. O preço está muito acima da média longa, em R$ 36,73, e o SAR, em R$ 50,04, mudou de lado, mas o MACD em 0,03 contra sinal em -0,05 é o cruzamento mais frágil do trio, praticamente sobre a linha zero. O papel permanece cerca de 19,6% abaixo da máxima de 52 semanas e precisa fechar acima de R$ 56,19 para converter consolidação em tendência. Suportes em R$ 54,03 e R$ 50,04.

Conclusão

Numa semana em que o índice caiu quase 1%, as três líderes subiram por razões que quase não se cruzam. A Embraer é o caso de crescimento operacional: backlog recorde, guidance elevado e o único gráfico com momentum inequívoco, ao preço de um P/L acima de 30 vezes que não perdoa erro de execução. A B3 é o caso de qualidade cíclica: margem de 70%, volumes em recorde e um alvo revisto para R$ 23, mas com o próprio analista a avisar que o desconto contra pares globais já encolheu para metade. A Axia é o caso de alocação de capital: o resgate de preferenciais funciona como recompra e sustenta o papel, embora o capex pesado limite a flexibilidade e o gráfico ainda não confirme a virada.

Enquanto o semanal respeitar R$ 95,45 em EMBJ3, R$ 17,62 em B3SA3 e R$ 54,03 em AXIA3, as três teses seguem vivas; a perda desses pisos é que exigiria novo ponto de entrada. Vale a distinção final: maior alta da semana não é sinónimo de melhor investimento, e nada aqui constitui recomendação personalizada.

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Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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