O par BRL/USD entra em maio de 2026 em um ponto de equilíbrio delicado. De um lado, o real brasileiro segue sustentado por um diferencial de juros ainda muito elevado, por um dólar global menos dominante do que em fases anteriores e por um ambiente em que moedas de carry continuam encontrando espaço. De outro, o mercado cambial continua exposto a um fator que não pode ser tratado como secundário: a guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços de energia, a inflação global e o apetite dos investidores por risco.
No fim de abril, o USD/BRL era negociado a 4,9765, o que equivale a um BRL/USD próximo de 0,20, confirmando o fortalecimento recente da moeda brasileira. No mesmo período, o DXY permanecia abaixo de 100 pontos, em torno de 98,28–98,7, sugerindo que o dólar segue sem impulso estrutural amplo no curtíssimo prazo. Esse pano de fundo, por si só, já ajuda a explicar por que o real vem se mantendo relativamente firme.
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O pano de fundo macro: por que o real continua relativamente bem sustentado
O principal suporte para o real segue vindo da política monetária brasileira. Em março de 2026, o Banco Central do Brasil reduziu a Selic para 14,75%, mas o patamar continuou claramente restritivo e ainda muito elevado em termos relativos. Isso preserva a atratividade do real em operações de carry trade e mantém o Brasil em posição favorável quando comparado a economias onde o ciclo monetário já está mais próximo de cortes adicionais ou de estabilidade em patamar inferior.
Ao mesmo tempo, o suporte ao real não deve ser lido como irrestrito. A BBVA Research indicava, em março de 2026, que o crescimento brasileiro havia desacelerado para 2,3% em 2025 e que a projeção para 2026 era de 1,7%, com inflação ainda próxima do limite superior da meta. Isso significa que, embora os juros continuem oferecendo proteção cambial, a economia brasileira já não apresenta o mesmo impulso de atividade observado em fases anteriores.
Além disso, o componente fiscal continua no centro da precificação do câmbio. O mercado segue atento à capacidade do governo de preservar alguma disciplina fiscal em um ambiente pré-eleitoral e de evitar novas deteriorações de confiança. Em outras palavras, o real entra em maio amparado por um diferencial de juros robusto, mas convivendo com fragilidades domésticas que limitam a probabilidade de uma valorização muito agressiva e contínua.
Guerra, petróleo e energia: o ponto que muda a leitura do mês
É justamente aqui que entra o fator geopolítico. A guerra no Oriente Médio alterou de forma importante o pano de fundo do mercado global nas últimas semanas, sobretudo por meio do choque sobre energia. Em abril, análises de mercado destacavam que o petróleo permaneceu ao redor de US$ 100 por barril durante boa parte do período recente, o que piorou a leitura sobre inflação e aumentou a incerteza sobre o comportamento dos bancos centrais.
Para o Brasil, esse choque tem efeito duplo. Por um lado, relatórios cambiais de abril observavam que as moedas latino-americanas de exportadores de energia estavam entre as que mais se recuperaram, o que ajuda a explicar parte da resiliência do real. Em um ambiente de preços mais altos para commodities energéticas, o Brasil se beneficia de um fluxo externo relativamente mais favorável e de uma melhora marginal na percepção sobre seus termos de troca.
Por outro lado, o mesmo choque de petróleo aumenta a incerteza macro. O encarecimento da energia pressiona a inflação, reduz a margem para flexibilização monetária mais rápida e aumenta a volatilidade financeira global. Isso significa que a guerra não deve ser tratada apenas como um fator “positivo” para o real por causa das commodities; ela também pode funcionar como gatilho de aversão a risco e de fortalecimento do dólar, caso o mercado volte a buscar proteção.
Em síntese, a guerra influencia o BRL/USD por três canais principais: preços de energia, expectativas de inflação e fluxos defensivos para o dólar. Esse trio de fatores ajuda a explicar por que a leitura para maio precisa ser mais equilibrada: o real continua com suporte, mas esse suporte pode ser testado a qualquer momento se o conflito voltar a se intensificar ou se o petróleo produzir um choque inflacionário mais persistente.
Estados Unidos e Federal Reserve: o dólar segue sem tendência forte, mas continua sensível ao risco
Do lado norte-americano, o mercado chegou à reunião do Federal Reserve de 29 de abril com expectativa majoritária de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%. Mais do que a decisão em si, o foco se concentrou na linguagem do comunicado e no tom da autoridade monetária. Se o Fed mantiver uma postura de espera, reconhecendo o cenário ainda incerto, o dólar tende a seguir sem tração estrutural expressiva; se, no entanto, enfatizar riscos inflacionários mais fortes ligados à energia, o mercado pode rever a trajetória esperada para os juros e sustentar uma recuperação tática da moeda norte-americana.
Essa ambiguidade é relevante para o BRL/USD porque, mesmo com um DXY abaixo de 100, o dólar continua preservando seu papel clássico de proteção em momentos de stress geopolítico. Relatórios de abril destacavam exatamente isso: em cenários de descompressão do conflito, havia espaço para dólar mais fraco; em cenários de reagravamento, o fluxo defensivo voltaria a favorecer a moeda americana. Ou seja, o dólar pode seguir estruturalmente menos dominante, mas ainda reage rapidamente quando o componente geopolítico ganha peso.
Análise técnica
BRL/USD: tendência favorável ao real, mas já mais madura

No gráfico semanal, o BRL/USD mantém uma estrutura técnica positiva. O preço segue negociando na região de 0,200–0,201, acima da média móvel de 50 semanas (cerca de 0,1888) e da média móvel de 200 semanas (cerca de 0,1862). Esse posicionamento é importante porque mostra que o movimento de recuperação do real não é apenas pontual: ele já ganhou consistência suficiente para se sustentar acima de referências relevantes de médio prazo.
O Parabolic SAR continua abaixo do preço, o que reforça a leitura de continuidade da tendência de alta. Já o MACD semanal permanece em terreno positivo e acima da linha de sinal, indicando que o momentum comprador ainda existe. Não há, por enquanto, sinal técnico claro de reversão. O ponto principal é que o par já se aproxima de uma faixa de resistência importante em 0,2000–0,2010, o que pode reduzir a velocidade da alta no curto prazo.
Se houver rompimento consistente dessa zona, o gráfico passa a abrir espaço para um avanço em direção a 0,2050 e depois 0,2100. Por outro lado, se o mercado falhar nessa região, o mais provável tecnicamente é uma fase de consolidação ou correção curta, com primeiros suportes em 0,1950 e depois na faixa de 0,1880–0,1890, onde estão concentradas as médias móveis principais. Em resumo: a tendência segue favorável ao real, mas o mercado já testa uma área em que normalmente se espera mais disputa entre compradores e vendedores.
DXY: fraqueza moderada no gráfico, mas sem eliminação do risco de repique

No gráfico semanal, o DXY ainda apresenta uma estrutura mais fraca. O índice está em torno de 98,7, abaixo da média móvel de 200 semanas (cerca de 103,1) e apenas ligeiramente acima da média móvel de 50 semanas (cerca de 97,2). Essa configuração sugere que o dólar perdeu força estrutural no horizonte mais amplo e, até aqui, não mostrou capacidade técnica de retomar uma tendência de alta mais robusta.
O Parabolic SAR ainda aponta um viés técnico mais fraco para o índice, enquanto o MACD está muito próximo da linha zero, sem aceleração clara. Isso normalmente caracteriza um mercado de transição ou lateralização, e não um mercado com impulso forte. Em termos práticos, o DXY parece estar tentando estabilizar, mas ainda sem confirmação de reversão altista.
A principal faixa técnica de resistência continua entre 100 e 102. Enquanto o índice permanecer abaixo dessa região, o cenário técnico do dólar segue relativamente limitado. Do lado de baixo, a área de 97 funciona como suporte mais imediato; se esse nível ceder, o índice pode voltar a pressionar mínimas recentes e reabrir espaço para mais enfraquecimento.
A leitura conjunta dos dois gráficos continua favorecendo o real frente ao dólar. O BRL/USD segue em tendência de alta, acima das médias e com MACD positivo, enquanto o DXY continua abaixo da média longa e sem força técnica suficiente para uma reversão mais ampla.
Perspectiva para maio de 2026
Para maio, o cenário mais provável continua sendo o de BRL/USD firme ou levemente positivo, mas com uma trajetória menos linear do que a observada em momentos anteriores da valorização do real. O suporte principal segue vindo dos juros ainda elevados no Brasil, do diferencial favorável em relação aos Estados Unidos e de um dólar internacional que continua sem força estrutural dominante.
No entanto, esse cenário base depende de uma condição importante: que a guerra continue afetando o mercado mais pelo canal de preços de commodities e menos pelo canal de fuga global para segurança. Se o conflito se mantiver sem nova escalada abrupta, o real tende a continuar relativamente bem sustentado. Se houver agravamento importante do quadro geopolítico, o efeito pode inverter rapidamente, com fortalecimento do dólar e correção parcial da moeda brasileira.
Assim, a leitura mais consistente para o mês é a de continuidade do viés favorável ao real, mas com maior sensibilidade ao noticiário externo e ao comportamento do petróleo. O real segue bem posicionado, mas já não opera em um ambiente em que apenas o diferencial de juros basta para sustentar uma apreciação contínua. Em maio, o BRL/USD será uma história de juros, sim — mas também de guerra, energia, inflação e percepção global de risco.
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