Previsão USD/BRL: Real Recua com Rali do Dólar em Meio à Guerra no Oriente Médio
O USD/BRL reagiu com força e atingiu o maior nível desde 21 de janeiro, após o dólar disparar no cenário de aversão a risco ligado à guerra no Oriente Médio. O par chegou a 5,3423, bem acima da mínima da semana em 5,1155.
A alta do USD/BRL nesta semana foi puxada principalmente pelo rali do dólar. O Dollar Index (DXY), que mede a moeda americana contra uma cesta de divisas, subiu para 99,38, o maior nível desde novembro do ano passado, e mantém tendência de alta após ter formado fundo em 95,56 no início do ano.

O dólar tem avançado por ser visto como ativo de proteção. Essa característica ganhou força com a escalada no Oriente Médio: o Irã ampliou o conflito ao lançar mísseis contra infraestrutura dos EUA na região.
Além disso, o Irã fechou o Estreito de Ormuz, elevando o preço do petróleo. O Brent saltou para US$ 85, bem acima da mínima do ano de US$ 55. Os custos globais de transporte marítimo também subiram, aumentando o receio de que a inflação permaneça elevada.
Para o Brasil, petróleo mais caro pode trazer algum benefício, já que o país produz mais de 3,95 milhões de barris/dia. Por outro lado, preços muito altos também podem prejudicar o crescimento ao estimular a inflação.
O que acompanhar (agenda da semana)
Os próximos gatilhos para o USD/BRL incluem:
- Brasil: divulgação do PPI (inflação ao produtor). O consenso espera -5,3%, abaixo dos 4,5% anteriores.
- Brasil: dados de PMI de Serviços e PMI Composto.
- EUA: relatório ADP de emprego privado, com expectativa de +50 mil vagas em fevereiro — dois dias antes do payroll oficial.
Price action: leitura técnica do USD/BRL
No gráfico diário, o USD/BRL repicou nos últimos dias:
- Subiu da mínima de 5,1155 na segunda-feira para a região de 5,30.
- A mínima da semana coincidiu com a linha de tendência de baixa que conecta os fundos desde julho do ano passado (suporte técnico relevante).
Indicadores:
- RSI saltou do nível de sobrevenda em 23 para cerca de 58.
- O preço também subiu levemente acima da média móvel de 50 dias.
Fricções e riscos (onde pode dar errado)
Com a narrativa de guerra/tarifas/logística podendo mudar rápido, o mercado pode oscilar com headlines. Além disso, o repique pode perder força se:
- o petróleo devolver parte da alta (reduzindo aversão a risco), ou
- os dados macro vierem mais “desinflacionários” do que o mercado teme.
Cenário alternativo e viés
O par provavelmente pode ficar lateral neste intervalo no curtíssimo prazo e depois retomar a tendência de baixa no médio prazo, já que o gráfico sugere a formação de um padrão de ombro-cabeça-ombro.