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Semana de Destaques: BBAS3, BBDC4 e PRIO3 em Alta

De Frederico Aragão Morais
Analista Técnico

Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária....

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Três narrativas diferentes dominaram o radar, e cada uma tem um “motor” claro: BBAS3 como tese de valuation descontado com retorno ao acionista (sempre com risco político), BBDC4 como reprecificação de um turnaround de rentabilidade, e PRIO3 como growth em óleo e gás, com produção a acelerar e o mercado calibrando execução, alavancagem e sensibilidade ao Brent.

Quando essas histórias ganham tração, o filtro prático costuma ser o mesmo: os números sustentam a tese e o gráfico semanal confirma tendência e momentum, ou o preço começa a pedir uma pausa antes de seguir.

Banco do Brasil (BBAS3): Desconto em P/VP, Rentabilidade em Recuperação e Risco Político no Preço

O Banco do Brasil segue como um caso clássico de “banco grande, barato e discutido”. No 4T25, o lucro líquido ajustado veio em R$ 5,7 bilhões, ainda fraco na comparação anual, mas com recuperação sequencial relevante. Em 2025, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 20,7 bilhões, com ROE (RSPL) ajustado de 11,4% no ano e 12,4% no 4T25, números abaixo do padrão histórico e abaixo dos pares privados, mas suficientes para manter a discussão de “normalização gradual” viva.

A leitura de valuation continua a ser o gancho mais óbvio: múltiplos ao redor de P/L ~8,3x e P/VP ~0,82x, com dividend yield por volta de 4,5%. O desconto faz sentido dentro da lógica do mercado: o risco de interferência política (prioridades de crédito, pressão em spreads, ruído em política de dividendos) pesa no múltiplo mesmo quando o banco entrega resultado. Quando a execução segura e o noticiário “não atrapalha”, o desconto tende a encolher; quando o risco percebido sobe, o papel pode ficar barato por mais tempo do que parece razoável.

Um gráfico Semanal de Alta Forte, com Fechamento perto da Máxima e Preço acima das Médias Longas

BBAS3 abriu em 25,41 - Semana 23/02/2026

No semanal exibido, BBAS3 abriu em 25,41, fez máxima em 26,73, mínima em 25,35 e fechou em 26,72 (+5,07%). O candle termina com sinal de força, com fechamento encostado na máxima da semana, típico de fluxo comprador consistente.

O preço permanece acima das médias longas mostradas no gráfico (MA50 em 23,48 e MA200 em 23,16), o que mantém a leitura estrutural positiva no semanal. No MACD (12,26), os valores aparecem positivos (0,59; 0,75; 0,16), sugerindo momentum em terreno construtivo. O recado tático é simples: a tendência está de pé e ganhou tração, com espaço para o mercado pedir confirmação caso a região de topo recente vire zona de disputa.

Bradesco PN (BBDC4): Turnaround a Ganhar Forma, ROE a subir e re-rating em Andamento

O Bradesco entrou em 2026 com a narrativa de recuperação bem mais crível do que nos anos anteriores. No 4T25, o banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 6,5 bilhões, com ROE de 15,2%, reforçando a leitura de que o pior do ciclo de crédito ficou para trás e que a eficiência operacional começou a aparecer com mais clareza. O banco também apresentou crescimento de carteira e evolução de margem, enquanto a inadimplência acima de 90 dias ficou em torno de 4,1%, num quadro de melhora gradual.

Nos múltiplos, o papel aparece com P/L ~9,2x e P/VP ~1,31x, com dividend yield aproximado de 6,7% e ROE ao redor de 14,3% nos indicadores agregados. A história, em termos práticos, é a de reprecificação: o mercado paga mais quando acredita que o ROE “veio para ficar”, mas ainda mantém disciplina porque o banco não voltou ao padrão de rentabilidade de um líder de setor. O guidance de 2026 conservador entra exatamente aí: segura e reduz o risco de prometer demais, mas também deixa o investidor atento ao ritmo real de entrega.

Um gráfico Semanal em Região de topo, com Tendência Preservada e Preço bem Acima das Médias

BBDC4 abriu em 21,05 - Semana 23/02/2026

No semanal exibido, BBDC4 abriu em 21,05, fez máxima em 21,59, mínima em 20,70 e fechou em 21,51 (+2,58%). O comportamento sugere continuidade, com a semana terminando positiva e perto do topo do range, num papel que já vinha em trajetória de alta.

O preço segue bem acima das médias longas do gráfico (MA50 em 15,57 e MA200 em 16,86), o que reforça uma tendência madura no semanal. No MACD (12,26), os valores também estão em território positivo (0,17; 1,17; 1,00), compatíveis com momentum comprador. O ponto tático típico aqui é o mesmo de tendências prolongadas: o cenário permite correções sem destruir a tese, mas o mercado tende a ficar seletivo com ponto de entrada quando a distância para as médias fica grande.

PRIO (PRIO3): Crescimento de Produção, Execução Operacional e Sensibilidade ao Petróleo

A PRIO é uma tese de crescimento dentro de um setor em que o ciclo manda e a execução decide. A empresa vem a construir escala via revitalização de campos maduros e aquisições, com transição relevante em 2025 e aceleração de produção na parte final do ano. Os dados operacionais do 4T25 apontam produção em torno de 128 mil boe/d, e dezembro de 2025 chegou perto de 156 mil boe/d, níveis que mudam o patamar de discussão de eficiência e geração de caixa.

O mercado, ao mesmo tempo, acompanha o “custo de crescer”: o lifting cost veio pressionado (com referência de ~US$ 17,4/boe em período recente), com expectativa de queda à medida que a operação estabiliza e novos vetores de eficiência entram na conta. A alavancagem subiu com aquisições, com dívida líquida/EBITDA ajustado ao redor de 2,0x, patamar que pode ser confortável em cenário favorável de preço de petróleo, mas que exige entrega consistente quando o vento vira. Em valuation, aparece como um caso de múltiplos baixos em lucro (P/L ~4,7–4,9x) com P/VP ~1,8–1,9x, refletindo uma combinação de crescimento, risco de execução e sensibilidade a commodity.

Um gráfico Semanal de Continuação de alta, com Preço muito acima das Médias e MACD a Acelerar

PRIO3 abriu em 53,15 - Semana 23022026

No semanal exibido, PRIO3 abriu em 53,15, fez máxima em 56,05, mínima em 53,04 e fechou em 54,27 (+3,25%). O candle mantém o desenho de força: range amplo, máxima relevante e semana no positivo, num papel que já vinha numa perna de alta.

O preço está bem acima das médias longas mostradas no gráfico (MA50 em 39,57 e MA200 em 40,35), retrato de tendência forte, mas também de um ativo mais “esticado” no semanal. No MACD (12,26), os valores aparecem elevados e positivos (1,61; 3,40; 1,79), coerentes com aceleração de momentum. O recado tático é o clássico de ralis bem estendidos: tendência segue viva, só que o risco de pausa e realização aumenta quando a distância para as médias fica grande, mesmo sem qualquer quebra de cenário.

Fricções e Riscos

  • BBAS3: o desconto pode persistir se o risco político aumentar (crédito, spreads, dividendos).
  • BBDC4: o re-rating depende de consistência; o mercado tende a penalizar qualquer sinal de piora no crédito/execução.
  • PRIO3: commodity e execução andam juntas; alavancagem e lifting cost ficam mais sensíveis se o Brent virar.

Cenário Alternativo

  • BBAS3: se o risco percebido cair e a rentabilidade seguir normalizando, o mercado pode reduzir o desconto (múltiplos reprecificam).
  • BBDC4: se o ROE continuar sustentado, o re-rating ganha espaço; se a entrega desacelerar, o mercado tende a exigir preço melhor.
  • PRIO3: se a execução continuar e a eficiência melhorar, a tese de growth fica mais “limpa”; se houver ruído operacional ou queda do petróleo, a volatilidade pode aumentar.

Conclusão

As três ações encaixam num padrão útil para leitura semanal: BBAS3 combina valuation descontado e rentabilidade ainda em reconstrução, com o risco político como “taxa” embutida no múltiplo, enquanto o gráfico reforça força e continuidade; BBDC4 sustenta o re-rating do turnaround com ROE mais saudável e dinâmica operacional a favor, com tendência semanal preservada e momentum positivo; PRIO3 segue como tese de crescimento em óleo e gás, com produção a acelerar e o mercado a premiar execução, ao custo de maior sensibilidade a commodity e maior probabilidade de pausas táticas quando o movimento estica.

Analista Técnico
Frederico Aragão Morais é analista de mercados e redator especializado em macroeconomia, política monetária e mercados cambial e de capitais. Na Qaestum Capital, acompanhou diariamente a evolução dos mercados financeiros, analisando moedas, índices e commodities, e elaborando relatórios com foco nos fatores macroeconômicos e nas decisões de política monetária.

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