A semana de 14 a 19 de dezembro de 2025 juntou três altas com naturezas bem diferentes: Brava Energia (BRAV3), com o mercado reagindo a rumores e à narrativa de desalavancagem; Suzano (SUZB3), apoiada na leitura de “fundo” do ciclo da celulose e na proximidade de um novo ativo relevante; Rede D’Or (RDOR3), impulsionada por uma decisão extraordinária de remuneração ao acionista e por resultados acima do esperado. Os gráficos semanais ajudam a entender onde cada tese ganha força e onde o mercado tende a exigir confirmação.
Melhores Corretores de Forex Online
Brava Energia (BRAV3): rumor, desalavancagem e a ideia de dividendos no horizonte
O catalisador imediato foi um rumor de M&A, com a possibilidade de venda de ativos (negociação associada a um potencial “encaixe” relevante) e, em paralelo, a circulação de interesse de um comprador estratégico. A resposta oficial buscou esfriar a leitura de “negociação fechada”, mas manteve aberta a mensagem de que a companhia avalia oportunidades de forma contínua, o que, num papel sensível a narrativa, costuma ser suficiente para sustentar preço.
A parte que dá mais consistência ao movimento está nos sinais de melhora financeira e operacional que o mercado tentou precificar com antecedência. O trimestre trouxe crescimento forte de receita e EBITDA, retorno ao lucro ajustado, aumento de produção, queda de custo unitário e um ponto especialmente acompanhado: recuo do índice de dívida líquida/EBITDA. A combinação “mais produção + menos custo + menos alavancagem” é o tipo de triplo-check que destrava reavaliação, mesmo antes de dividendos chegarem ao acionista.

Uma vela semanal tentando frear um bear market longo
No gráfico semanal, BRAV3 ainda aparece abaixo das médias móveis mais longas, sinal de que o “regime” principal não virou. O destaque é a vela recente com amplitude alta e fechamento bem acima dos mínimos, padrão típico de reação forte em zona de suporte.
A região de 13–14 reais surge como piso imediato, enquanto a faixa de 18–19 reais ganha peso como resistência por ficar próxima da média longa e de antigos patamares de distribuição. O MACD segue em terreno negativo, mas com sinais de perda de força vendedora, o que combina com a ideia de repique — ainda não de uma nova tendência confirmada.
Suzano (SUZB3): o mercado antecipando o fim do ciclo e a chegada do “Projeto Cerrado”
Suzano subiu com um argumento simples, mas poderoso: quando o preço da celulose encosta no custo marginal, a assimetria começa a virar. O mercado costuma antecipar a inflexão antes de ela aparecer nos números, porque ciclo, quando vira, raramente dá tempo para “comprar com calma”. A isso se soma um fator específico de 2025/2026: o Projeto Cerrado, que amplia capacidade e promete mexer estruturalmente na base de custos e no retorno sobre o capital investido quando estiver plenamente operacional.
Os números do 3T25 mostram o retrato clássico de ciclo baixo: EBITDA e lucro pressionados por preço, apesar de volume subir e custos melhorarem. O mercado tolera essa fotografia quando acredita que o pior do preço ficou para trás e quando enxerga uma alavancagem que, embora elevada, tem caminho para aliviar conforme o ciclo ajuda e o novo ativo entra em operação.

Um gráfico semanal que recoloca o papel em cima das médias
No semanal, SUZB3 fez um movimento tecnicamente relevante ao recuperar a zona das médias longas, com fechamento praticamente em cima desse “ponto de decisão”. Esse tipo de nível costuma separar um repique dentro de uma tendência neutra/baixa do início de uma reconstrução de tendência.
A região de 52–53 reais tende a funcionar como suporte imediato; abaixo disso, 48–49 reais ganha relevância por ter sido base recente. O MACD mostra melhora de momentum, compatível com a leitura de que o mercado está puxando para frente a tese de 2026, mesmo sem o preço da celulose ter confirmado tudo.
Rede D’Or (RDOR3): dividendos extraordinários e resultados validando a máquina operacional
Aqui a história foi direta: anúncio de proventos em um volume muito acima do usual, com um dividend yield que atraiu capital para o papel. O mercado leu a decisão como mistura de confiança na geração de caixa com racionalidade tributária, antecipando distribuição diante de mudanças esperadas na tributação de dividendos. O movimento não ficou só no efeito manchete, porque veio acompanhado de um 3T25 forte: lucro e EBITDA cresceram acima do consenso, a margem melhorou, volume e ticket avançaram, e oncologia apareceu como motor premium.
A fotografia operacional explica por que o mercado aceita um evento extraordinário sem tratar automaticamente como “one-off perigoso”. A companhia cresceu em hospitalar e em seguros/planos, mantendo ritmo de expansão e eficiência, com métricas de ocupação e escala que sustentam a tese. O ponto de atenção fica na alavancagem pró-forma após a distribuição, que tende a subir temporariamente, ainda que parta de patamar considerado saudável.

Um gráfico semanal de tendência, com o MACD pedindo fôlego
No semanal, RDOR3 está bem acima das médias móveis de 50 e 200 semanas, o que descreve uma estrutura de alta consistente. A zona de 44–45 reais aparece como suporte imediato, com máximas recentes perto de 47–48 reais funcionando como resistência de curto prazo. O MACD segue positivo, mas com histograma mais curto, sinal típico de desaceleração após uma sequência de alta — menos reversão e mais necessidade de consolidação para retomar força.
Conclusão
Brava foi a história de reprecificação com base em catalisadores e na esperança de continuidade da desalavancagem; Suzano foi a história de ciclo, com o mercado tentando comprar o ponto de virada antes de ficar óbvio; Rede D’Or foi a história de confiança, com dividendos extraordinários ganhando credibilidade porque os resultados também vieram fortes.
Essas três altas não contam a mesma história, mas dizem a mesma coisa sobre a semana: o mercado pagou por sinais. Em BRAV3, sinais de “menos risco financeiro”; em SUZB3, sinais de “pior do ciclo ficando para trás”; em RDOR3, sinais de “caixa real e disciplina”. Quando o preço sobe por sinais, o próximo capítulo sempre se decide no mesmo lugar: na confirmação.