A semana de 10 a 14 de novembro trouxe três protagonistas claros ao mercado brasileiro. MBRF3, BRKM5 e MGLU3 destacaram-se não apenas pelas valorizações expressivas, mas porque cada uma delas contou uma história diferente: uma fusão transformacional, um ciclo petroquímico na fronteira entre desespero e esperança, e um varejo digital que tenta reconstruir tração num cenário de juros altos. Os gráficos semanais ajudam a visualizar a intensidade da reação do mercado, refletindo a dinâmica que marcou a semana passada.
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MBRF3 — A Fusão que Criou um Novo Gigante Global
A MBRF Global Foods vive o momento mais marcante da sua história recente. A fusão entre Marfrig e BRF criou um dos maiores grupos alimentares do mundo, capaz de operar com escala global, portefólio diversificado e marcas com enorme presença no mercado brasileiro, como Sadia, Perdigão, Qualy e Bassi. O 3T25 validou essa escala: margens mais robustas, aumento de volumes no Brasil, maior eficiência nas operações e lucro líquido consolidado acima das expectativas.
A integração entre unidades começou a gerar sinergias operacionais e fiscais, com estimativas que ultrapassam largas centenas de milhões de reais em benefícios potenciais. A parceria estratégica com o fundo soberano saudita abre a porta para expansão no segmento Halal — um mercado gigantesco e com margens superiores. A combinação de escala, integração e acesso a mercados premium ajuda a explicar por que razão o mercado voltou a reavaliar o valor da empresa na semana passada.
Uma Vela Semanal que Rasgou a Estrutura e Mudou o Mapa Técnico
A penúltima vela semanal da MBRF3 foi tudo menos discreta. O candle abriu na casa dos 18 reais e fechou acima dos 24, uma expansão vertical que devolveu ao ativo três semanas seguidas de força acumulada. O movimento não foi apenas forte — foi estrutural. Há três semanas o preço estava encostado à média móvel de 200, rondando os 14 reais, e parecia preso num corredor de exaustão. Desde então, o ativo arrancou como um estilingue: rompeu primeiro a zona dos 16, depois ultrapassou a média móvel de 50 e, finalmente, na penúltima vela, descolou de vez.
O volume acompanhou o movimento, embora nesta última semana fechada já se notasse alguma desaceleração, típica de quem entra na fase final de um rali acelerado. No MACD, o histograma reduziu o vermelho de forma consistente e os dois traços — MACD e sinal — aproximaram-se o suficiente para deixar claro que o cruzamento está iminente. Não é um sinal atrasado: é exatamente o comportamento típico de uma reversão sólida depois de um ciclo prolongado de queda. A dinâmica é tão clara que até a correção que estamos a ver na vela atual parece natural, depois de três semanas consecutivas de força quase parabólica.
A penúltima vela não foi só alta; foi técnica. Foi ela que estabeleceu o novo piso em torno dos 20 reais e marcou a transição da ação para uma fase de tendência, já completamente separada do patamar deprimido onde ficou meses encurralada.
BRKM5 — Entre a Pressão do Ciclo e a Expectativa de Viragem
A Braskem continua a ser um caso clássico de empresa pressionada pelo ciclo. Os spreads petroquímicos encontram-se num dos níveis mais baixos da última década, comprimindo margens e levando a empresa a períodos prolongados de queima de caixa. A alavancagem aumentou porque o EBITDA encolheu, e o CAPEX necessário para manter operações não acompanha a geração interna.
O que mudou na semana passada foi a percepção de que o PRESIQ — programa de incentivos à indústria química — poderá ser aprovado em breve e aliviar de forma material o custo da nafta, matéria-prima crítica para produção. Um mecanismo que reduza custos e prolongue a vida financeira da empresa até uma eventual recuperação global dos spreads pode mudar a trajetória de curto e médio prazo. É precisamente essa expectativa que devolveu o interesse ao papel.

A Semana Passada foi uma Pancada de Realidade no Gráfico
Na Braskem, a penúltima vela semanal também não deixa espaço para interpretações tímidas. A ação abriu perto dos 6 reais e fechou acima dos 8, num salto violento que não é comum num ativo tão pressionado há meses. O que impulsionou esta explosão foi a combinação de resultados e expectativa regulatória, mas tecnicamente foi o volume que contou a história: a barra da semana passada foi a maior dos últimos meses, claramente acima da média, rompendo o marasmo que vinha dominando o gráfico.
Apesar do entusiasmo da semana passada, o preço continua abaixo das médias de 50 e 200 períodos no semanal, o que significa que a tendência de longo prazo ainda não virou. Mas o candle marcou o primeiro golpe sério nos vendedores desde o verão. A sombra inferior curta e o corpo cheio, largo, vertical, mostram que o ativo não hesitou: encontrou compradores nos 6 reais e disparou sem deixar espaço para reacumulação.
O MACD refletiu esta virada imediata — o histograma vermelho, que estava profundo e persistente, encolheu abruptamente. As linhas azul e laranja começam finalmente a convergir, depois de meses separadas num declive constante. É o primeiro sinal respeitável de fundo desde abril. A penúltima vela criou duas referências cruciais: o suporte nos 6,00–6,30 e a barreira a ser superada nos 8,80–9,20. O impacto visual é óbvio: o gráfico estava morto, e na semana passada reviveu.
MGLU3 — Entre Disciplina Operacional e Recuperação Digital
O Magazine Luiza entrou em 2025 com o desafio de gerir um negócio de escala num contexto de juros persistentemente altos. Mesmo assim, o 3T25 trouxe sinais positivos: receita estável, EBITDA em alta, disciplina de custos e redução de dívida. Ao mesmo tempo, a empresa fortaleceu a frente digital com iniciativas como o sistema de vendas e atendimento via WhatsApp com inteligência artificial, ampliando presença junto dos clientes mais activos.
Embora o ambiente de juros elevados continue a ser um obstáculo, o mercado parece ter reconhecido que a empresa está a recuperar gradualmente capacidade operacional, preservando margens e encontrando novas alavancas de crescimento.

O Varejo deu Sinal Técnico Sério, Não foi Ruído
A Magazine Luiza teve uma das semanas mais limpas e diretas do ano. A penúltima vela semanal abriu junto dos 2.200 (em ARS, conforme o gráfico que tens) e fechou na zona dos 2.800, num rali que se fez sentir tanto no corpo do candle quanto no volume, que aumentou de forma clara. O movimento não foi um soluço: foi uma expansão contínua, sem sombras superiores longas e sem hesitações no meio da semana.
Este candle é particularmente relevante porque o preço já vinha a trabalhar acima da média móvel de 50 semanas, mas faltava uma vela que confirmasse intenção. A penúltima semana deu essa confirmação com convicção: ultrapassou o pequeno aglomerado de resistências dos 2.400–2.500 e fechou acima dos 2.600, numa zona que não era visitada há várias semanas. A força do movimento ficou evidente no MACD, onde o histograma verde continuou a expandir enquanto a linha azul se afastava da linha de sinal, consolidando tendência ascendente. É exatamente o tipo de confirmação que os técnicos procuram depois de uma acumulação longa.
O suporte evidente está agora nas mínimas da penúltima vela, entre 2.350 e 2.400, e a grande barreira acima fica na zona dos 2.800–2.900, que a ação testou no pico da semana passada.
Conclusão
A semana passada deu origem a três movimentos que, apesar de distintos, partilham um denominador comum: combinaram mudanças fundamentais com sinais gráficos sólidos. MBRF3 beneficiou de uma fusão que realmente alterou a escala do negócio e o gráfico confirmou essa nova realidade. BRKM5, pressionada, deu o primeiro sinal gráfico credível de fundo num momento em que a expectativa sobre o PRESIQ ficou mais forte. MGLU3 reforçou a tendência de recuperação com disciplina operacional e confirmações técnicas que não surgiam há muito tempo.
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