O mercado brasileiro começa esta segunda-feira, 5 de outubro de 2026, com a eleição presidencial dominando completamente a agenda. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança e enfrentará Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
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A surpresa em relação às pesquisas eleitorais provocou uma reação imediatamente positiva nos ativos brasileiros negociados no exterior e pode gerar um dos pregões mais voláteis do ano na B3.
1. Flávio Bolsonaro vence o primeiro turno, mas eleição ainda não terminou
- Flávio Bolsonaro, do PL, recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, com praticamente todas as urnas apuradas.
- O resultado colocou Flávio à frente nacionalmente e surpreendeu parte do mercado, já que várias pesquisas divulgadas antes da votação mostravam Lula numericamente na liderança.
- Isso não significa que Bolsonaro tenha vencido a Presidência. O resultado será decidido no segundo turno em 25 de outubro.
- Para os mercados, porém, a diferença entre os dois candidatos foi suficiente para alterar rapidamente as expectativas sobre o cenário político e econômico brasileiro.
2. Mercado reage com forte alta aos resultados da eleição
A primeira reação dos investidores foi bastante positiva.
O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a avançar mais de 10% após a divulgação dos resultados e subia perto de 12% no pré-mercado desta segunda-feira.
Os ADRs de grandes empresas brasileiras também dispararam antes da abertura da B3:
- Petrobras chegou a subir cerca de 10%.
- Itaú avançou mais de 12%.
- Bradesco ganhou aproximadamente 11%.
- Embraer subiu cerca de 6%.
- Nubank avançou perto de 10%.
O movimento sugere que Ibovespa, real e juros futuros podem registrar forte volatilidade na abertura desta segunda-feira.
3. Ibovespa pode voltar a testar os 200 mil pontos
- O Ibovespa já chegava às eleições em forte recuperação.
- Na sexta-feira, o principal índice da Bolsa brasileira avançou 2,63%, para 192.114 pontos, registrando sua quarta alta consecutiva e acumulando ganho semanal de 4,71%.
- A próxima região técnica importante aparece perto dos 192.890 pontos. Acima dessa área, o mercado pode voltar a mirar a máxima histórica próxima de 199.354 pontos.
- Com a reação eleitoral observada no mercado internacional, os 200 mil pontos passam novamente a entrar no radar dos investidores, embora uma abertura muito forte também possa provocar realização de lucros durante o pregão.
4. Dólar e real: eleição pode fortalecer a moeda brasileira
O dólar à vista encerrou a última sessão em torno de R$ 5,2173, após queda de 0,13%.
Nesta segunda-feira, entretanto, o resultado eleitoral pode se tornar o principal catalisador da moeda.
A reação inicial do mercado sugere uma possibilidade de valorização do real e pressão de baixa sobre o USD/BRL, principalmente se a entrada de capital estrangeiro acompanhar o forte desempenho observado no EWZ e nas ações brasileiras negociadas em Nova York.
O movimento não depende apenas da eleição.
Os traders também devem acompanhar:
- DXY
- Yields dos Treasuries
- Expectativa para os juros do Federal Reserve
- Curva de juros brasileira
- Novas pesquisas para o segundo turno
Os dados mais fracos de emprego divulgados nos Estados Unidos na sexta-feira também reduziram parte da pressão sobre os rendimentos americanos, adicionando outro fator potencialmente favorável às moedas emergentes.
5. Petrobras entra no centro das atenções
A Petrobras é uma das ações mais importantes para acompanhar hoje.
Antes mesmo do resultado eleitoral, a companhia já vinha ganhando força. Na sexta-feira, a Petrobras atingiu um valor de mercado recorde de aproximadamente R$ 700 bilhões, depois da divulgação de uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Margem Equatorial.
PETR3 avançou 3,25% e PETR4 subiu 2,81% naquela sessão.
Agora existem dois catalisadores importantes ao mesmo tempo:
- Política doméstica + petróleo.
- Os ADRs da Petrobras chegaram a subir cerca de 10% no pré-mercado americano nesta segunda-feira, indicando que PETR3 e PETR4 podem ter uma abertura particularmente volátil.
6. Petróleo Brent continua acima de US$ 100
No mercado de commodities, o petróleo permanece em níveis elevados.
O Brent negocia próximo de US$ 101–US$ 102 por barril, depois de uma sequência de movimentos fortes ligados à situação da oferta global e aos riscos geopolíticos.
Para o Brasil, petróleo acima de US$ 100 continua sendo especialmente relevante para empresas como Petrobras e outras companhias ligadas ao setor de energia.
No entanto, os preços registram alguma pressão nesta segunda-feira, o que significa que o forte impulso eleitoral sobre Petrobras pode enfrentar uma força contrária caso o Brent amplie sua queda.
7. Vale, bancos e B3 também podem se beneficiar do novo cenário
A reação não está concentrada apenas na Petrobras.
Os ADRs da Vale chegaram a avançar aproximadamente 5% depois do primeiro turno, enquanto os bancos brasileiros tiveram movimentos ainda mais fortes.
Itaú e Bradesco estão entre os papéis que podem concentrar volume na abertura.
A própria B3 também entra no radar. Maior volatilidade eleitoral tende a aumentar os volumes negociados em ações, futuros e outros produtos financeiros, enquanto uma eventual melhora na percepção fiscal pode favorecer ativos domésticos.
Para VALE3, porém, o trader também precisa observar o minério de ferro e a economia chinesa, já que os fatores externos podem limitar ou ampliar o efeito positivo vindo do mercado brasileiro.
8. O que acompanhar no Brasil hoje
Apesar de toda a atenção estar concentrada na eleição, a agenda econômica continua relevante.
O mercado acompanha nesta segunda-feira novos indicadores e o Boletim Focus, enquanto durante a semana o destaque será o IPCA de setembro.
No exterior, os investidores também estarão atentos aos próximos sinais do Federal Reserve e à ata do FOMC.
Para os traders brasileiros, os principais ativos a acompanhar hoje são:
- USD/BRL: possível fortalecimento inicial do real.
- Ibovespa: mercado testa se o rali eleitoral consegue levar o índice em direção aos 200 mil pontos.
- PETR3 e PETR4: eleição, nova descoberta de petróleo e Brent acima de US$ 100.
- VALE3: reação positiva dos ativos brasileiros versus comportamento das commodities.
- ITUB4 e BBDC4: bancos entre os principais beneficiados na reação inicial do mercado.
- B3SA3: maior volatilidade pode favorecer volumes negociados.
- Juros futuros: mercado deve reprecificar risco político e fiscal.
O que Importa para o Trader nesta Segunda-Feira?
- O ponto central para o mercado brasileiro hoje não é apenas que Flávio Bolsonaro ficou à frente de Lula.
- É que o resultado foi melhor para Flávio do que grande parte do mercado esperava, forçando investidores a recalcular as probabilidades para o segundo turno e para a futura política econômica brasileira.
- A primeira reação favorece Bolsa e real, enquanto pressiona expectativas de juros de longo prazo.
- Mas a eleição ainda está aberta.
Com Lula e Flávio Bolsonaro separados por menos de dois pontos percentuais no primeiro turno e três semanas até a votação decisiva, novas pesquisas eleitorais, alianças políticas e propostas econômicas podem gerar fortes movimentos no Ibovespa, USD/BRL e nas principais ações brasileiras até 25 de outubro.
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